23/06/2020 às 14h20min - Atualizada em 23/06/2020 às 14h15min

Serviço de Delivery em São Paulo cresce 77% durante quarentena

Com as portas fechadas, comerciantes precisam se adaptar durante a quarentena...

Guilherme Balbino - labdicasjornalismo.com
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Desde a chegada da pandemia do novo coronavírus no país, os estados brasileiros declararam estado de emergência e para evitar o avanço do novo vírus, houve o decreto para que funcionassem apenas os serviços essenciais. A partir desse momento, os outros comércios tiveram que fechar as portas e procurar outras alternativas. O delivery foi uma das principais alternativas para que os pequenos e grandes empresários pudessem manter seus negócios, ganhando mais destaques para as farmácias, restaurantes e supermercados. Segundo informações publicadas no jornal Correio Braziliense, houve uma alta de 30% de pedidos nesses setores, de acordo com a empresa Rappi.

  Conforme a apuração do Valor Investe, um estudo feito pela Corebiz, empresa de inteligência para marcas do varejo, mostrou que a receita das compras por delivery no segmento alimentício cresceu 77% entre os dias 1º a 18 de março, em relação ao mesmo período de fevereiro. A pesquisa também revelou que o pico veio a partir do dia 16.
  A empresa “Eu Entrego” conecta supermercados, lojas e profissionais autônomos que querem trabalhar como entregadores registrou uma demanda alta no setor de supermercados. De acordo com a empresa, em épocas normais registrava o cadastro de 150 novos motoristas por semana, agora com a pandemia chegou a cadastrar 1800 profissionais. Nesse meio, grandes comércios e marcas de fast foot já contavam com os serviços de delivery, porém, pequenos empresários e comerciantes locais viram a necessidade de tomar novas alternativas para continuarem com a renda dos negócios.

  Rodrigo Cury, proprietário da loja “Açaí da Cidade”, instalou seu estabelecimento no centro da cidade de Santana de Parnaíba semanas antes de começar a quarentena, e viu suas vendas caírem cerca de 75%. “Essa pandemia ocasionou um grande impacto nas minhas vendas, na qual fiquei menos de 1 mês com a loja aberta e fui obrigado a fechar e adaptar a loja para o delivery”, comenta.

  Segundo ele, o delivery é apenas um complemento das vendas e não a sobrevivência. “Tem ajudado nas vendas e conseguimos pagar algumas contas, e se tornou um aprendizado no delivery para quando retornamos as vendas”, relata. Rodrigo também comenta que durante a semana, ele realiza as entregas, e nos fins de semanas, o motoboy, e que pretende continuar com o serviço para complementar as vendas.

 Com o fluxo de vendas em baixa, o desemprego vem se tornando a realidade de muitas pessoas, e com isso, durante os dias de quarentena, Rodrigo diz que não conseguiu manter um colaborador. “Tivemos que demitir uma funcionária e ficamos com a outra”, declara. Além desse ponto, ele tem a mesma loja na cidade vizinha, Cajamar, e teve que tomar as mesmas medidas, porém, mesmo com uma “boa clientela”, as vendas caíram 70%.

  Ainda em Parnaíba, bairro próximo ao centro, Diego Neves dono da “Clarita’s Café e Açaí” sofreu com os impactos da pandemia. Ele conta que antes da pandemia, já cogitava começar com os serviços de delivery, e quando começou a quarentena teve que fechar seu estabelecimento por 28 dias.

  “Devido à pandemia, o delivery está em alta e entrei com esse serviço, aproveitei os dias que estive fechado para aperfeiçoar essa ideia e colocá-la em prática, e no momento as coisas estão caminhando”, relata Diego Neves. Ele ressalta a importância que o delivery tem e pretende continuar com esse serviço para ajudar nas vendas.

  Para o Marcio Antoni, advogado e graduando no MBE em economia, empresários e comerciantes terão que se adaptar a essa novo modelo de vida como as pessoas estão se fazendo e os meios para esse caminho é investir em tecnologia, divulgações em meios digitais, como a venda online e o delivery. “As pessoas evitarão sair às ruas para ir atrás dos produtos ou serviço deles, eles terão que se adaptar, até aqueles que relutam com a tecnologia deverão repensar, é hora de estudar novos produtos que podem ser colocados à disposição da população e até mesmo abandonar o que era o seu produto principal”, afirma Antoni.

  De acordo com ele, quem já operava o mercado digital tem algumas vantagens nesse momento, mas mesmo assim alguns passam por dificuldade pela baixa demanda. “As pessoas estão com medo de gastar, estão guardando as economias e gastando só o que é necessário. Mesmo com a redução a tendência é que aumente as vendas quando normalizar um pouco. Os comerciantes que estão se adaptando agora podem ter um pouco de dificuldades, então é importante aproveitar esse momento que não voltou 100% para se prepararem como empresários e comerciantes”, diz Marcio. Ele ainda conta que segundo levantamento do Governo do Estado, SEBRAE e outras instituições que cuidam e regulamentam as questões empresariais, cerca de 20% dos comércios já encerram suas atividades durante a pandemia e dependendo quando durar, a tendência é mais alguns fechem ao longo dos próximos dias. “A tendência é que os negócios voltem, até com força total, mas na modalidade que expliquei, vendas online, e essas procuras por drive thru e entrega, então, por isso os comerciantes terão que se adaptar e pensar em novos negócios”, finaliza.
 
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