23/06/2020 às 18h39min - Atualizada em 23/06/2020 às 18h24min

Clubes divergem quanto à MP que modifica direitos de transmissão

TV Globo entende que contratos vigentes ainda estão válidos

Felipe Sousa - Editado por Paulo Octávio
Presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, em reunião com Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação/Instragram Flávio Bolsonaro
Dirigentes de clubes da Série A se manifestaram sobre a Medida Provisória 984, editada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na última quinta-feira (18), que modifica a Lei Pelé dando a prerrogativa da exibição das partidas de futebol no Brasil ao clube mandante.  Segundo jornalista Andrei Kampff, a MP já tem 91 proposta de emenda e deve ser discutida pelo congresso em breve.
 
O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, principal articulador da medida junto ao Governo Federal, comentou a ação: "Ontem (17), conversamos com o presidente, na posse do ministro das Comunicações, e ele (Bolsonaro) convidou a mim e também ao Felipe Melo e o ministro para almoçar. Ele perguntou: ‘E aí, vai voltar o futebol, e o televisionamento?’. Expliquei, em detalhes, que tínhamos um problema na legislação que os dois clubes precisavam aprovar”, disse, em entrevista ao programa "Os Donos da Bola", da TV Bandeirantes.

Flamengo e TV Globo não entraram em acordo para os direitos de transmissão do Campeonato Carioca deste ano – o clube pediu mais dinheiro para ceder as imagens, enquanto a emissora insistiu em oferecer o mesmo valor para os quatro grandes do Rio de Janeiro. Quase todos os jogos do rubro-negro no torneio não foram transmitidos em TV Aberta, TV Fechada e Pay-Per-View, com exceção da partida contra a Portuguesa-RJ no dia 14 de março, última antes da paralisação pela pandemia do novo coronavírus, realizada após um acordo excepcional.

A MP permitiria ao Flamengo transmitir seus jogos como mandante por seus canais oficiais; a Globo discorda e ameaça entrar na justiça contra o clube caso o faça, por entender que contratos vigentes não podem ser alterados por força de lei, sejam eles atuais ou futuros. Em entrevista ao jornal "O Globo", o diretor de aquisições da emissora Pedro Garcia afirmou ser favorável ao diálogo da questão no Congresso Nacional: "Nós somos e sempre seremos a favor de qualquer discussão que ajude a aprimorar o futebol nacional e sua gestão. A Globo espera que todas as entidades envolvidas no futebol se posicionem e que o assunto seja amplamente debatido, para que prevaleça o que for melhor para o esporte".

O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, comemorou a MP em suas redes sociais e afirmou que a ação pode fazer com que os clubes se mobilizem e negociem os direitos de transmissão em bloco: "Se a união de 20 clubes parece improvável, com a MP a união em blocos me parece cada vez mais forte, Não traz o sonho de 20 clubes unidos, mas traz um mundo possível. Se ela não é uma "solução final", ela é uma boa transição. Por que união de todos é ideal, mas isso não acontece no Brasil? Porque as TVs se acostumaram com a ideia de pagar mais para os principais clubes, e isso impede a união. Com a lei estimulando a união em blocos, o clube que achar que vai ganhar sozinho pode perder parte de seus jogos", disse.

Outro que também se mostrou favorável foi o presidente do Athletico Paranaense, Mário Celso Petraglia, que classificiou a MP como uma alternativa ao ''monopólio de décadas da Globo'': "Extremamente importante, necessária, e penso que é o início de uma necessidade de união dos clubes posteriormenteA Globo comprou os direitos dos clubes maiores, nos obrigando a irmos a reboque. Não podíamos vender, já que o direito era dos dois", afirmou à Folha de S. Paulo.

Do outro lado, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr., se disse contra a medida, por considerar que decisão foi tomada sem debate: "Nos joga no centro de um problema que é discussão da Globo com o governo federal. É tudo que não precisávamos agora. O que vai acontecer, no mérito, não posso dizer. Mas a forma como isso tudo foi encaminhado, de maneira solitária por um clube, sem a mínima preocupação de debate", afirmou o mandatário gremista em entrevista à Rádio Guaíba. Bolzan Jr. também afirmou que está alinhado ao presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, em relação ao tema.

Vice-presidente do Atlético Mineiro, Lásaro Cândido também não viu com bons olhos a MP: "Em relação ao direito de arena ser comercializado ou não pelo mandante, a liberdade é sempre importante. Só que essa liberdade tem que ser seguida com organização das equipes que participam da competição. O Flamengo cometeu quase que uma traição, no mínimo desrespeito. Tem que tratar coletivamente", afirmou em suas redes sociais.

A Medida Provisória tem valor imediato, mas precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 60 dias. Caso isso não ocorra, a medida 'caduca' e perde validade. A MP também não interfere nos contratos de transmissão em vigor: a maioria dos clubes assinaram contratos de transmissão com a TV Globo pelos direitos do Campeonato Brasileiro válidos até 2024 – A MP só teria validade após o fim desses acordos. Dos clubes da Série A, apenas Coritiba e Red Bull Bragantino não tem contrato de transmissão para o Brasileirão deste ano. 
 
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