25/06/2020 às 13h10min - Atualizada em 25/06/2020 às 12h44min

A trajetória de Malala Yousafzai

Ativista da educação para meninas desde os 12 anos recebe diploma da Oxford e inspira a muitos com sua história

Eunice Peixoto - labdicasjornalismo.com
Foto: Malala. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CBmIrUCj9do
Aos 22 anos, Malala Yousafzai, vencedora do prêmio Nobel da Paz devido seu ativismo em prol da educação escolar feminina, completou a graduação em Filosofia, Política e Economia, na Universidade de Oxford.
 
A ativista divulgou o acontecimento na última quinta-feira (19) nas suas redes sociais, onde comentou sua felicidade ao concretizar uma etapa importante na sua vida: “Difícil expressar minha alegria e gratidão agora, ao concluir meu curso de Filosofia, Política e Economia em Oxford. Eu não sei o que está por vir. Por enquanto, estarei vendo Netflix, lendo e dormindo”, comemora.

O resultado de uma luta
 
Nascida e criada no Paquistão, a trajetória de Malala tem muito a inspirar. Em 2007, aos seus 10 anos, a milícia do Talibã tomou conta do Vale Swat, região onde morava, e passou a impor atos extremistas a partir de uma visão radical do islamismo. Entre eles, a restrição de atividades para mulheres e a proibição dos estudos para as meninas, que não poderiam mais ir à escola.
 
Apesar de muito nova, Malala amava estudar e não se conformou com o que acontecia. Escreveu, a partir de pseudônimo, em um blog da BBC sobre o seu dia a dia e o terror que estava vivendo, em que relatou suas dificuldades, na tentativa de lutar pelos direitos humanos, mudar seu destino e o de muitas jovens da região. Nesse ínterim, foi realizado um documentário pela The New York Times sobre o seu cotidiano, a fim de mobilizar outras pessoas pela causa.
 
Mas a luta não acabou. Em 2012, a paquistanesa sofreu um atentado pelos terroristas, que invadiram o transporte escolar em que estava e atiraram nela. Foi levada ao hospital em estado grave, mas resistiu com muita força para cumprir seu grande propósito: inspirar garotas em todo o mundo. A história teve repercussão mundial, o que desencadeou o lançamento de uma campanha levantada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em prol do direito à educação para as meninas no Paquistão e no mundo.
 
Malala foi reconhecida pelo seu movimento a favor da educação feminina, e aos 17 anos, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o prêmio Nobel da Paz. Além disso, produziu sua autobiografia, “Eu sou Malala”, que virou best-seller internacional.
 
Uma missão diária


Foto: Reprodução/Internet
 
Em entrevista à ONU News, Malala comentou sobre uma lição que aprendeu como ativista: “Se a gente quiser ver um futuro brilhante, desenvolvido; se quisermos ter uma vida melhor, precisamos investir na educação para as garotas. Isso é crucial.”
 
A paquistanesa segue diariamente, com o objetivo de levar educação às crianças e aos jovens, principalmente grupos menos favorecidos, como negros e indígenas. Em 2018, concedeu entrevista ao G1, em que afirmou “Vemos que só 30% das crianças afro-brasileiras terminam a escola. As comunidades indígenas representam 0,5% da população, mas representam 30% dos que estão fora da escola ou são analfabetos. Então existe necessidade de apoio e o meu objetivo é sempre alcançar as áreas onde o apoio é mais necessário”.
 
Hoje, ela tornou-se referência de luta de mulheres contra uma cultura patriarcal e contribui para a educação de milhares de crianças através da Fundação Malala, ONG fundada em 2013, e ativa em diversos países, como Afeganistão, Brasil, Índia, Líbano, Nigéria, Paquistão e Turquia.
 
Segundo um relatório da Fundação, em virtude da pandemia da COVID-19, 10 milhões de meninas em idade escolar secundária podem estar fora da escola depois da crise, que afetará diretamente as mais vulneráveis.
 
Dessa forma, estão sendo adotados alguns trabalhos, como transmissão de aulas por rádio, aulas digitais e por meio de aplicativos, a fim de que essas meninas tenham acesso à educação de qualidade durante a pandemia.
 
Você também pode ajudar a levar a educação e mudar o destino de muitas meninas. Doe: https://www.malala.org/donate/covid-19-response?sc=modal

Referências: https://news.un.org/pt/story/2017/04/1582761-entrevista-malala-yousafzai
https://www.malala.org/about?sc=header
https://g1.globo.com/educacao/noticia/ensinar-as-meninas-que-elas-tem-direitos-e-crucial-diz-malala.ghtml
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