25/06/2020 às 22h19min - Atualizada em 25/06/2020 às 22h03min

Os desafios de adaptação à realidade remota na pandemia

A paralisação provocada pelo coronavírus atinge profissionais e estudantes

Jessica Gyslaynne - Revisado por Renata Rodrigues
Reprodução/ Istock
O aumento dos casos da Covid-19,  vem afetando milhares de estudantes e profissionais, deixando-os  sem empregos e aulas. Entretanto, houve um aumento na quantidade de trabalho e estudos remotos no Brasil. Muitas instituições, estudantes e profissionais foram pegos de surpresa e estão tendo que se adaptar a esse novo modelo. Embora, nem todos estejam aptos a esse novo sistema de trabalho. A cultura do home office no Brasil ainda é uma novidade, isso tem provocado alguns desconfortos para essas pessoas.

Apesar de o novo modelo apresentar seu benéficos, como a maior independência e flexibilidade nos horários, ao mesmo tempo, os profissionais perdem a privacidade e acabam trabalhando muito mais do que o previsto. Uma pesquisa feita pelo Instituto de pesquisa Hibou e da plataforma de dados Indico, revela que entre os 2.400 entrevistados em todo o país, 59,9% dos brasileiros estão trabalhando em casa no momento, dos quais 41,6% estão usando ferramentas de videoconferência para isso. O que não quer dizer que a carga de atividades diminuiu. Entre os entrevistados, 25,2% relataram que estão trabalhando mais de casa do que antes, já que foram pegos às pressas.


Segundo o professor de Sociologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Leandro Quirino de Abreu, “a estrutura dos brasileiros para home office não é das melhores”. Para ele, as mudanças e adaptações aconteceram de forma rápida e pegou muitos profissionais de surpresa e muitas adaptações ainda são necessárias para que aconteça o bom desenvolvimento do trabalho nesse formato. Leandro explica que ainda temos muito o que melhorar e aprender para que possa haver um pleno aproveitamento do tempo e das habilidades empregadas nos serviços, que podem ser feitos nas residências dos funcionários de uma determinada empresa. Eles nos diz, que nem todos os brasileiros possuem acesso à internet de qualidade em suas residências, e isso se torna uma questão crucial a ser observada, além de espaço físico em casa para as pessoas que estão no regime de home office. Ele afirma, que com o passar do tempo, as alterações irão gradativamente melhorar esse sistema, e como mostram pesquisas, há muitas pessoas pensando em continuar com esse modelo de trabalho pós pandemia.

No Brasil, a educação foi uma das áreas afetadas por essa pandemia. Algumas instituições optaram por estruturar ensino à distância (EAD). Embora, a adesão às aulas à distância foi menor do que o esperado, principalmente pelas universidades públicas. Na qual foi autorizado pelo Ministério da Educação o ensino remoto emergencial de nível superior mas somente 6 das 69 universidades federais do Brasil adotaram esse método. Somadas, elas têm 97,5 mil alunos, ou 8,7% dos 1,1 milhão de estudantes matriculados em instituições do tipo.

Adaptar-se ao estudo remoto, por enquanto, é o único meio para dar continuidade às aulas. Ainda sim, diversos estudantes e docentes vêm sentindo dificuldade de adaptação a esse novo modelo. Mas, fatores como a falta de acesso à internet de qualidade, a falta de familiaridade com a tecnologia, a falta de dispositivo necessários e até mesmo deficiência de um ambiente de estudo adequado, são fatores cruciais que faltam para um bom desempenho e melhor adaptação a esse novo modelo.

Em entrevista para o Dicas Jornalismo, Iago Henrique de Carvalho, estudante de Pedagogia na UFC (Universidade Federal do Ceará), conta que ainda sente muita falta das aulas presenciais e que está aprendendo bem menos. Sua rotina durante a pandemia tem sido menos produtiva, o que não ocorria antes da pandemia, quando seu tempo era mais corrido com horários fixos e mais prazos a cumprir. Além dos estudos, Iago conta que tinha um estágio, no entanto, devido a pandemia seu contrato foi suspenso. O estudante complementa que "até tenho buscado fazer cronogramas, mas percebo que quando chego a cumprir, não tenho tido tanto prazer".

O sociólogo Leandro Quirino afirma que “os impactos não foram apenas nos estudantes, mas também nos educadores, gestores e outras categorias. Tratando no impacto nos estudantes, praticamente tudo foi de certa forma alterado, as aulas agora passam a ser online, por vezes gravadas e disponibilizadas em plataformas digitais. Ele nos conta da importância de ter acesso à internet de qualidade nesse momento tanto para os docentes como para os alunos e ambientes propícios para o bom aprendizado. Ele nos conta tamém, que como muitos educadores, principalmente os mais idosos, por não possuirem muita práticas no manuseio dessas plataformas digitais, isso impacta na qualidade das aulas fornecidas. Ele finaliza dizendo que o encontro de gerações distintas foi fundamental nesse aspecto, e que não é difícil encontrar relatos de professores e estudantes dizendo de suas dificuldades nesse tempo.  

 
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