26/06/2020 às 12h02min - Atualizada em 26/06/2020 às 11h36min

Adversidades no ensino online

“Na minha turma, tem o caso de uma criança que não está participando das aulas porque o celular da mãe não suporta os aplicativos necessários”, explica professora

Pedro Mateus
Foto: Gustavo Pellizzon/ Diário do Nordeste
 Após quatro meses de quarentena, devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19) o ensino à distância tornou-se uma realidade em muitas cidades do Brasil, no Ceará, muitas escolas passaram a usar as mídias digitais para prosseguir às atividades no ensino básico. No entanto, esse método trouxe as diferenças nos sistemas educacionais do Estado, pois as escolas particulares prosseguiram o ensino por meio de aulas online, no entanto, em muitas escolas públicas, a educação por meio “remoto” não está sendo realizado, pois são os pais ou familiares que estão atuando no ensino em casa com auxílio dos professores.

Escolas públicas e privadas
Segundo a professora Eliene Alves, que atua na rede pública e privada no interior do Ceará, os contextos são bem diferenciados na escola particular, pois às aulas estão de fato acontecendo, mesmo que de forma reduzida e remota, mas, cumprindo a carga horária. A professora ressalta que na escola particular os alunos obtém recursos mesmo com alguns impasses. “Na minha turma, tem o caso de uma criança que não está participando das aulas porque o celular da mãe não suporta os aplicativos necessários”, explica Eliene. Já nas escolas públicas, tarefas como livros de histórias em pdfs e atividades impressas para casa estão sendo enviadas com as orientações por meio do WhatsApp, porém, de acordo com a Elaine, o número de pais sem acesso à internet e que não possuem um celular adequado para acompanhar as orientações dos professores é significativo.

Ensino em casa
Com o ensino em casa, às vezes sem professores, os responsáveis pelos alunos se sentem um tanto cansados com o acumulo de atividades, com isso, preferindo os serviços dos professores.’’ Acho melhor os professores, porque pelo menos eles estão no horário deles aprenderem, e às vezes a gente tá em casa, já chega do trabalho cansada e prefiro os professores’’ relata Josiane Mendonça, mãe de uma aluna da rede pública do município de Ibiapina no Interior do Ceará. A mãe vem recebendo as atividades da filha impressas e orientações pelo Whatsapp. Grabriela Sousa, de 17 anos, está em casa ensinando seus dois primos que estudam no 3º e 6º em escola pública, e comenta os desafios que estão sendo enfrentados durante este período. “A concentração é o maior desafio pois qualquer coisinha a pessoa se distrai”, relata Grabriela.
A psicopedagoga e especialista em desenvolvimento infantil, Hisraele Veríssimo, ressalta que essa forma de ensino não está sendo eficaz para muitas pessoas. “As pessoas que estão sendo responsáveis maiores são os pais e eles que agora estão na linha de frente. E essa forma de ensino não vai ser 100% eficaz”, analisa. Mas, uma parte dos alunos não ficarão atrasados, pois a maioria dos pais estão acompanhado o desenvolvimento, mesmo que muitos não sejam alfabetizados. Hisraele traça a realidade das escolas públicas e privadas, pois, segundo ela, as crianças do ensino particular possuem um fácil acesso a aparelhos digitais, como: tablets e computadores, e destaca os esforço dos professores do ensino público nesse momento de pandemia.

Secretaria municipal de educação
Segundo a secretária de educação, Claudia Rodrigues, desde o início da pandemia o órgão vem se comunicando com os pais dos alunos por meio de vídeochamadas, grupos em Whatsapp, e entregas quinzenais de mateias de apoio. A secretaria afirma também que garantiu acompanhamentos e formações pedagógicas mensais para os professores, por meio de webconferencias e WhatsApp. Sobre o conteúdo programático, afirma que estão seguindo experiências geradoras de aprendizagem da acordo a faixa etária e a diversidade cultural de cada comunidade. Claudia relatou também como está observando esse nova forma de ensino. “Muito desafiadora porém é o meio que encontramos para que nossa crianças não fiquem desassistidas diante do cenário atual”, finaliza.
 
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