17/04/2019 às 10h19min - Atualizada em 17/04/2019 às 10h19min

Lollapalooza: acessibilidade libertadora para as duas rodas

Carina Gonçalves
Créditos: Tatiane Marques
Autódromo de Interlago com 600 mil m² e vários declives inovou durante o evento Lollapalooza. A proposta foi oferecer uma a forma de percorrer os palcos por pernas ou cadeiras de rodas motorizadas especiais. Essa pratica possibilitou a chance de todos frequentarem e aproveitarem o festival. Mas, a inclusão de pessoas com dificuldade de locomoção não seria possível sem a empresa Kit Livre, que não colocou a deficiência como fator limitante para a prática de atividades no ar livre.

Ter alguma limitação de locomoção não impossibilita totalmente de se realizar os prazeres da vida.  Mesmo em cadeiras de rodas, os membros a banda 2RD (duas rodas), formada por Guido Berloni e Dan Oliva, aproveitaram pela primeira vez o Lollapalooza. A vivencia deles no festival não seria possível sem um equipamento adequado e o suporte oferecido. Entre as concessões estava um carrinho para descer com eles as ladeiras. “Se fosse para percorrer todo o percurso quero dizer todos os palcos, como a gente fez, sem a Kit Livre tenho certeza que seria impossível”, afirma Dan.

Por experiência, percorrer o Autódromo a pé faz as pessoas ficarem exaustas já no primeiro dia. Nesse momento, concordo com o Cassius Oliveira, da Kit Livre e quem coordenou a ação da empresa no evento, sobre "andantes terem inveja dos cadeirantes" com todo aquele porte e tecnologia para facilitar o aproveitamento no evento. A primeira vez que a Kit Livre prestou esse tipo de serviço inclusivo foi no Rock in Rio 2017 e depois no Rio 2C, Arnold Classics, Adventure Sports Fair, CCXP, Game XP.

Guido explica que a acessibilidade vem crescendo, pois “os deficientes tem colocado a cara na rua e buscado inovações”. Porém Guido afirma que o investimento não é tão abrangente visto que ainda tem um preço caro cobrado pelo acesso ao equipamento.
 
“A Kit Livre em si é uma das maiores inovações, todo o projeto é uma das coisas mais incríveis que surgiram nos últimos anos no mercado. A independência que ela trás e o fato de você poder frequentar um espaço muito maior da sua cidade e a facilidade de hoje em dia mesmo com a chuva”- Guido

Além da estrutura de uma cadeira especial que poderia ser usada por pessoas com dificuldade de locomoção das pernas, pé machucado ou idade avançada também havia uma arquibancada própria. Essa área reservada ficava na frente de todos os quatro palcos, com uma visão privilegiada e afastado de toda a multidão. Também haviam pessoas para dar assistência, se necessário.

Porém, ainda tem alguns fatos do evento e da vida cotidiana de Guido e Dan que ainda precisam ser trabalhados. “Fiquei imaginando se tivesse de usar algum daqueles banheiros”. Essa frase foi dita por Dan após inclinar a cabeça para a esquerda mostrando a inclinação na diagonal dos banheiros químicos do Lollapalooza. Sim, existe banheiro para deficiente, porém a questão é delicada, pois, por exemplo, é extremamente difícil utilizá-los com a perna imobilizada.

Guido, com simpatia, justifica o motivo dos banheiros químicos adaptados ainda serem algo novo. Dentro deles há uma “menor estrutura para você conseguir usar ele, principalmente uma pessoa com mais dificuldade, ela não consegue se movimentar e ele está todo sujo, como um bom banheiro químico”, afirma. 

Só conseguimos salientar melhores condições através de banheiros adaptados com mais espaço e espaço reservado, como oferece a estrutura do próprio autódromo nos dias de Formula 1. Durante a corrida, tem elevador para cadeirantes, banheiros bem estruturados e vagas bem localizadas.

Crédito: Divulgação

“Precisa-se dar atenção a questão de entrada e saída das pessoas com deficiência não colocando no meio da multidão”. Guido também falou entusiasmado sobre a necessidade do estacionamento e a segurança de ocasionais acidentes que podem ser evitados. Naquele momento de euforia, as pessoas caminham com pressa e acabam não notando alguém com necessidade de ajuda para escapar do alvoroço, ficando presa.

Aquela liberdade oferecida com o equipamento adequado não supre por inteiro as necessidades. É preciso um sistema de conscientização dos frequentadores de eventos. 
 
“O que eu acho legal é colocar a cara para bater, estar lá e mostrar que queremos estar lá mesmo tocando e seja como público ou como artista, qualquer pessoa com deficiência dizendo “nós queremos usar o seu espaço”- Dan

Assim, os meninos conquistaram a conscientização e preocupação de vários estabelecimentos em São Paulo ou outras cidades. “A gente já mudou uns três ou quatro bares daqui (São Paulo), dos caras colocarem rampa na porta e se preocuparem com banheiros adaptados”, afirmou Dan. Nesse jeito, os comércios ampliam o público que pode frequentar ao invés da segregar.

Mais ainda com outros detalhes as instituições podem melhorar o acesso aos deficientes. Por exemplo de algumas dessas práticas:
  • Disposição das mesas e cadeiras
  • Palcos mais largos, pois cadeirantes ocupam um espaço maior
  • Rampas de acesso em todas as entradas
  • Placas e cardápios em braile
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