19/04/2019 às 10h46min - Atualizada em 19/04/2019 às 10h46min

Moderna e popular, essa foi Tarsila do Amaral

Nome da arte moderna, a artista é homenageada na mostra “Tarsila Popular”

Tatiane Sampaio
Tatiane Sampaio
Tarsila do Amaral tornou-se uma das maiores artistas da arte moderna no Brasil. Nasceu em 1 de setembro de 1886, na cidade de Capivari, interior de São Paulo. Sua trajetória ficou conhecida internacionalmente e, para homenageá-la, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateubriand (MASP) inaugura uma exposição com 120 obras, dentre elas “Abaporu”, um dos quadros mais famosos.

A mostra denominada “Tarsila popular” visa mostrar uma contextualização e leitura das obras por meio de pensamentos reflexivos, sempre com base na cultura brasileira e o cotidiano. A exposição ficará disponível até o dia 28 de julho. Além das obras primas de Tarsila, o MASP integrará outra exposição de Lina Bo Bardi (Habitat), uma arquitetura ítalo-brasileira. Com isso, um ciclo de palestras, workshop, filmes, simpósios e exposições de “Histórias das mulheres, histórias feministas”, se dará ao longo de 2019.

De acordo com um dos idealizadores da mostra, Fernando Oliva, “A exposição e o catálogo que a acompanha pretendem promover reflexões mais abrangentes sobre Tarsila, articulando sua vida e obra no contexto de uma visão política, social e racial da cultura brasileira e do modernismo - um movimento que - no Brasil - raramente é abordado sob esses prismas”.


Praticamente, Tarsila distendeu seu trabalho com inspirações na arte europeia, mais especificamente na França, onde estudou por um período ao lado de André Lhote e Fernand Léger. Após retornar ao país, em 1922, a artista filha de fazendeiros implementou seus conhecimentos europeus ao retratar o Brasil.

E foi nos anos 1920 que se inicia o período “Pau-Brasil”, um dos marcos na carreira de Tarsila, além do “Antropofágico e Social”. O período “Pau-Brasil” mostra a fauna e flora brasileira, que resultou em obras como: “A negra” (1923), “Estrada de Ferro Central do Brasil” (1924), “Vendedor de Frutas” (1925), além de “Um pescador” (1925), que é uma arte exclusiva do museu russo Hermitage, e estará pela primeira vez no Brasil.

Também nos anos 20, surge o período “Antropofágico” que, especialmente virou marca registrada da artista. Em 1926, Tarsila teve sua primeira exposição individual, em Paris, onde foi acompanhada pelo  então marido, Oswaldo de Andrade e somente em 1928 confeccionou “Abaporu”, cujo significado é “homem que come carne humana”, um ritual típico de algumas tribos indígenas, especificamente os tupinambás. 

Já a fase “Social”, segue a “Pau-brasil” e “Antropofágico”, ou seja, retrata claramente a proximidade de Tarsila com questões sociais e políticas. Em 1930, a artista
passou por um momento difícil na família, devido à crise de 1929. Por esse motivo, Tarsila se desfez de parte de suas artes e conseguiu recursos para viajar a União Soviética, com o até então marido e psiquiatra, Osório César. 

Ambos circularam por Berlim, Moscou, Leningrado, entre outras. Depois disso, ao retornar ao Brasil, foi detida, suspeita de “atividades subversivas”. Com isso, expressou tudo que sentiu por meio das obras “Operários” e “Segunda Classe”.

Tarsila foi amada e desprezada, pois quebrou vários padrões de comportamento antes inaceitáveis para uma mulher daquela época.

Serviço:
Exposição  “Tarsila popular”
Data: até 28/07/2019
Horário de funcionamento: Terça, das 10h às 20h (bilheteria até às 19:30); Quarta a domingo, das 10h às 18h (bilheteria até às 17:30; As terças a entrada é franca
Local: MASP (Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista – SP)
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