10/07/2020 às 21h28min - Atualizada em 10/07/2020 às 21h28min

Estudo aponta que tipo sanguíneo pode ser um fator de risco para a Covid-19

Pessoas do tipo sanguíneo A possuem maiores chances de contaminação, enquanto as do tipo O têm menos probabilidade

Por - Cecília Gelenske
Shuterstock

 

Um estudo preliminar realizado por pesquisadores da Universidade de Wuhan e divulgado pelo site científico medRxiv, revelou que pessoas do grupo sanguíneo tipo A possuem um risco maior de contrair a Covid-19, enquanto as do tipo O têm menos probabilidade de ter a doença. A conclusão foi feita a partir da comparação dos grupos ABO em três hospitais da China.

 

No estudo, foram coletadas amostras de sangue de 2.173 pessoas com a Covid-19 e mais 206 de pessoas que morreram com suspeita da doença. Os dados obtidos em diferentes hospitais foram comparados e analisados pelos softwares Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), um pacote estatístico para as ciências sociais, e o Software for Statistics and Data Science (STATA), voltado para estatísticas e ciência de dados. Os cientistas chegaram à conclusão de que em cada tipo sanguíneo há um antigênico, substância que produz anticorpos, que causa diferença em comparação aos sintomas desses pacientes. 

 

A proporção de pessoas do tipo O infectadas pela Covid-19 foi menor do que em pacientes com tipo A, indicando que o grupo sanguíneo ABO é um biomarcador de suscetibilidade diferencial ao vírus. Os pesquisadores especulam que os anticorpos anti-A podem inibir de maneira específica a adesão de células que expressam a proteína do novo coronavírus, por causa da similaridade entre elas. A maior suscetibilidade do tipo A e a menor do tipo O pode estar ligada à presença de anticorpos sanguíneos naturais, mas para que a hispotese se confirme, será necessário realizar estudos diretos.

 

Apesar dos métodos usados e dos resultados obtidos, o estudo tem uma série de limitações que impedem a realização de outras pesquisas multivariadas, como o baixo número de pessoas para coleta de amostras e falta de informações sobre os indivíduos que fazem parte do grupo de risco, idade e sexo.

 

Porém, mesmo com as limitações, a pesquisa é inédita, por ser a primeira a relacionar o novo coronavírus com o grupo sanguíneo ABO, o que futuramente pode mudar a forma de tratamento de pessoas do sangue tipo A, já que há uma probabilidade maior que esses indivíduos sejam afetados de maneira severa pela doença. Além disso, a tipagem sanguínea também pode ser usada como forma de tratamento contra o vírus. Por enquanto, é cedo para usar o estudo para novos diagnósticos. 



 
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