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12/07/2020 às 00h00min - Atualizada em 12/07/2020 às 00h14min

As Telefonistas e a força do empoderamento feminino

Série espanhola da Netflix chega ao final. Veja a importância das temáticas abordadas por ela.

Brenda Guerra - Revisado por Renata Rodrigues
Reprodução | Netflix
Na sexta-feira 3 de julho, a Netflix disponibilizou a última parte da série As Telefonistas. Apesar da temporada final ter decepcionado alguns fãs, em suas cinco temporadas a produção espanhola relembra momentos históricos e debate temas importantes como machismo e empoderamento feminino.

As Telefonistas (Las Chicas del Cable) é uma série feminista de drama e tem sua história ambientada em Madri, entre as décadas de 1920 e 1940. Com algumas características dos filmes noir, a produção espanhola traz uma trama com suspense e tem como protagonista e femme fatale Alba Romero, que logo na primeira temporada muda sua identidade para Lidia Aguilar.

Nas três primeiras temporadas, os acontecimentos da vida de Lidia e suas amigas, Angéles, Carlota e Marga, giram em torno da Companhia Telefônica da cidade, empresa na qual as personagens trabalham. A partir da quarta temporada a telefonia já não aparece tanto e a história vai perdendo um pouco de sua força.

A quinta temporada é dividida em duas partes, cada uma com cinco episódios, e mostra o durante e o depois da Guerra Civil Espanhola. Vitória Púpio, estudante de jornalismo, conta que a série a conquistou de uma maneira que ela não conseguia parar de assistir, mas que o final a deixou um pouco decepcionada. “A série lidou com alguns períodos da história e principalmente sobre a luta feminina. Acho que isso que mais me atraiu, mostrando um grupo de amigas lutando pela conquista de direitos.”, afirma Vitória.

Ao longo de suas temporadas, a produção original da Netflix retrata temas importantes a serem discutidos na atualidade, como relacionamentos abusivos, violência doméstica, homofobia e desigualdade de direitos. Lidia, Angéles, Carlota, Marga e Sara/Oscar lutam pelo o que merecem, por seus sonhos, por respeito e por liberdade, e em meio a diversos acontecimentos dramáticos construíram uma amizade forte, bonita e inabalável.

 

De acordo com Júlia Carvalho, também acadêmica de jornalismo: “A série como um todo é muito boa e, por mais que o final não tenha sido o esperado pelos fãs, as mensagens e as temáticas abordadas ao longo das temporadas são muito importantes no que tange a luta feminina por direitos iguais. Infelizmente, são temáticas que são muito atuais, mesmo tendo sido retratadas na Espanha do século 20. É claro que de lá pra cá, nós mulheres conquistamos muito, mas ainda não estamos em pé de igualdade em relação aos homens.” 

Júlia fala que é muito importante que as produções audiovisuais atuais abordem essas temáticas e mostrem personagens femininas fortes e empoderadas. Pois, desse modo, mostra-se que a luta pela igualdade persiste.

A jornalista, professora e pesquisadora Danielle Cândido conta que “a importância de falar sobre Empoderamento Feminino nas séries e filmes é a popularização do tema, no sentido de disseminar esse conhecimento para mais e mais pessoas, que, talvez, não tivessem acesso a ele por outros meios ou experiências. Um exemplo foi o termo sororidade, falado no programa Big Brother Brasil pela influencer Manu Gavassi, o que tornou uma das palavras mais buscadas no Google. Ou seja, popularizou-se um conhecimento para, não só saber o que é, e sim, colocá-lo em prática e fazer as mudanças necessárias acontecerem na sociedade.”

De acordo com o Dicionário Online de Português, sororidade significa a relação de irmandade, união, afeto ou amizade entre mulheres, podendo ainda significar a união de mulheres que compartilham dos mesmos ideais e propósitos. Podemos ver isso presente entre as protagonistas da série ao longo de toda a produção, principalmente na segunda parte da temporada final, quando as amigas se juntam contra um regime opressor para libertar mulheres presas injustamente em um centro de reeducação pós-guerra.

“É muito bom ver nas telas mulheres fortes e independentes, mas também é bom ver que essas mesmas mulheres são frágeis - pessoas reais. Tudo bem que se trata de ficção, mas o quanto mais a vida real é colocada na tela, mais as pessoas se identificam com essa realidade ou têm o conhecimento do que lhe parece algo distante (a exemplo do relacionamento abusivo), mas que cada um de nós pode ajudar, fazendo a diferença na vida do outro, isto é, se importando com as dores das outras pessoas e lutando junto com elas. É dessa união que acredito numa nova sociedade.”, afirma Cândido.

‘As Telefonistas’ se despede do público de maneira trágica e emocionante, homenageando todas as mulheres que lutaram pelos seus direitos e sua independência. A série traz personagens femininas fortes, corajosas e sensíveis que inspiram seus telespectadores a batalharem por um mundo melhor. Vale a pena assistir!
 
 
 
 
 
 
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