17/07/2020 às 23h14min - Atualizada em 17/07/2020 às 22h53min

Situação das usinas nucleares no Brasil e no mundo

Isadora Cavalcanti - Editado por Camilla Soares
FONTE: Wolfgang Stemme/Pixabay
A retomada da série Dark (Netflix) de 2017, e Chernobyl (HBO) de 2019, mostrou que o assunto: Usina Nuclear, está mais em pauta do que imaginávamos. E bem distante do ramo de entretenimento. Após o último maior acidente que aconteceu na cidade Fukushima, no Japão, em 2011, muitos países ainda insistem na produção de eletricidade a partir das fissões ou fusões nucleares.

Atualmente, segundo a Associação Nuclear Mundial, há 440 usinas nucleares em operação espalhadas pelo globo e 10% de toda energia produzida pelo mundo vem delas. Essa energia voltou a ser  uma opção depois do Acordo de Paris em 2015, um tratado no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas Sobra a Mudança do Clima (CQNUMC), que pretende diminuir a emissão dos gases estufas produzidos a partir da queima de combustíveis fósseis até 2020. Já que ao funcionamento em si das usinas nucleares não gera esses gases.

No entanto, Heitor Scalambrini Costa, Professor aposentado Universidade Federal de Pernambuco, doutorado em Energética-CEA/Université de Marseilhe-França, considera uma falácia, a não produção desses gases nas usinas nucleares. Para o funcionamento das usinas, tem a cadeia produtiva nuclear, que vai desde a mineração, o enriquecimento desse material, a construção do combustível nuclear, até o descomissionamento (que é desativação de uma instalação nuclear ao final de sua vida útil). “Em todo esse conjunto de indústrias você tem a emissão de gás carbônico, isso é comprovado tecnicamente há vários trabalhos que indicam essas emissões. Então é uma falácia, uma meia verdade.”, afirma o professor.

O uso da energia nuclear vai além das aplicações para energia elétrica. Primordialmente em 1950, foi conhecido as propriedades para fins armamentistas, e hoje, ainda é um aspecto muito importante para continuação de investimentos na área bélica. Além dos perigos devido a possíveis acidentes como já foi visto em Chernobyl, localizado na Ucrânia, e no Japão. “Num acidente nuclear, ou seja, material radioativo no meio ambiente, traz condições dramáticas por milhares de anos impedindo a própria de vida do território”, afirma Scalambrini. E o professor acrescenta que só há uma forma de impedir esses acidentes, “não construir as usinas”.

Atualmente muitos países ainda têm mais da metade da sua energia originada das usinas nucleares, como Hungria, Eslováquia e Ucrânia. Enquanto a Bélgica, Bulgária, Suíça e Finlândia mais de um terço. As previsões para esse ramo não são óbvias para nenhum país, apesar de muitos abdicarem desse tipo de energia, ao mesmo tempo investem bastante em pesquisas no ramo, como os países europeus integrantes do Horizon 2020. É um projeto da União Europeia, que começou em 2014 e vai até o fim deste ano, investiu mais de 80 bilhões de euros na área de pesquisa em inovação em diversas áreas incluindo o setor de energia nuclear.

 
Brasil
No Brasil, mesmo com Angra 1 e 2 produzindo juntas apenas 3% da energia total no país, a ativação de novas usinas é uma possibilidade. O plano prevê a construção de mais 6 usinas nucleares espalhadas pelo território nacional até 2050. Além da reativação de Angra 3, que era esperado para começar este ano.

Alemanha
Indo contra essa maré de investimento na área de Usina de Nuclear, a Alemanha anunciou o projeto que pretende desligar a produção de energia a carvão até 2038 e de energia nuclear para o final de 2022. “Alemanha será o primeiro país industrializado que abandona a energia nuclear e a carvão”, afirmou a Ministra do Meio Ambiente alemã, Svenja Schulze. Segundo Climainfo, das sete usinas nucleares restantes, fornecem cerca de 1/10, já as usinas a carvão ainda respondem por mais de ⅓, no país.

França
A França desligou em junho, o segundo e último reator de sua mais antiga usina nuclear, localizada em Fessenheim, que estava em funcionamento desde 1977. Segundo a Associação Mundial Nuclear, ¾ da energia francesa vem das usinas nucleares. O país conta com o segundo maior parque de reatores nucleares, atrás dos Estados Unidos, e tem a intenção de reduzir a participação desta fonte de energia em sua matriz de geração de eletricidade dos mais de 70% atuais a 50% em 2035.

Japão
Em 2018 a produção de energia nuclear chegou a 6%, segundo a Associação Mundial Nuclear. Devido as dificuldades para diminuir a emissão dos gases de efeito estufa, o governo japonês tem a meta de aumentar 20 a 22% de energia nuclear até 2030. Mesmo tendo como compromisso a minimização da dependência do país da energia nuclear após o desastre de Fukushima de 2011, que no período chegou a produzir 30% da energia nacional.
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