28/07/2020 às 12h56min - Atualizada em 28/07/2020 às 13h00min

Último desfile da Gucci marca saída do calendário de desfiles sazonais

A grife vai passar a produzir novas coleções de acordo com o próprio ritmo

Ana Cristina Morbach - Editado por Larissa Barros
Divulgação/ Gucci Epilogue
 

O diretor criativo da grife italiana Gucci, Alessandro Michele, apresentou na última quinta-feira (17), o último desfile de uma trilogia iniciada em fevereiro deste ano. Na passarela, a apresentação chamada de Gucci Epilogue foi transmitida por 12 horas e, marcou a saída da marca do calendário sazonal habitual, dividido por estações.


 

De acordo com Michele, o desfile que fechou a  temporada da semana de moda masculina de Milão foi o último  no formato tradicional, pois, a grife vai passar a produzir novas coleções de acordo com o próprio ritmo.

 

Em entrevista à revista Vogue, o diretor da Gucci afirmou que a marca passará a fazer dois desfiles por ano ao invés de cinco, também acabando com a divisão de masculino, feminino e as coleções cruise, que são coleções de meia-estação. Alessandro Michele explicou também que vai abandonar o costume chamado por ele de desgastado, das sazonalidades nos desfiles, de maneira que está procurando um novo formato que atenda melhor ao seu estilo.

 

 “Capítulos irregulares, alegres e absolutamente livres, que serão escritos combinando regras e gêneros alimentando-se de novos espaços, códigos linguísticos e plataformas de comunicação”, disse Michele em uma carta aberta publicada em seu perfil no Instagram.

 

Além disso, novidades no desfile em si puderam ser vistas, visto que Alessandro prometeu uma nova reflexão filosófica acerca da questão dos desfiles, das roupas e das pessoas ao enfrentar uma pandemia mundial. A partir disso, ele  propôs a desconstrução dos mecanismos e vícios que as marcas de luxo possuem, mas que são inacessíveis no cotidiano de consumidores. 

 

Entenda o que é a sazonalidade na moda

Por definição, o termo sazonalidade na moda funciona com a divisão das coleções criadas pelas marcas por padrões climáticos, desse modo, o ano é separado em duas temporadas, outono/inverno e primavera/verão. 
 

No entanto, com o passar dos anos e com a separação de moda de luxo e moda fast fashion, o contexto do termo sofreu alterações, mais precisamente, a partir dos anos 90. Dessa forma, as temporadas no fast fashion são mais curtas e constantes e promovem uma produção de coleções em um menor período de tempo, que não necessariamente respeitam o calendário original que se baseia na mudança de estações. 

 

Diferente da indústria de consumo rápido e de caráter mais varejista, a moda luxo, até os dias de hoje, é dedicada à sazonalidade tradicional. Mas, o que se pode chamar de atualidade também mudou, e vem enfrentando obstáculos que afetam o mundo da moda diretamente.

 

A questão da pandemia causada pelo novo coronavírus (covid-19) trouxe enormes complicações para estilistas e marcas de todos os tipos e gêneros, que precisaram se adaptar de maneira drástica e ágil para se manter. Entre os mercados afetados está o da alta-costura e a moda luxo, pois sofreram mudanças com relação a sazonalidade dos desfiles, conceitos que podem se tornar permanentes.

 

A principal característica que diferenciou o último desfile sazonal da Gucci dos outros da trilogia é o fato de que os modelos são profissionais da equipe de trabalho do estilista. Entretanto, o desfile de finalização não deixou de se conectar a ideia central da narrativa, que é recuperar o valor humano e o da colaboração, pois os conceitos citados servem tanto para o pré pandemia quanto para o pós, tendo em vista que com estes valores, Alessandro celebrou a moda em um tempo tão conturbado e incerto.

 
 
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