24/04/2019 às 14h17min - Atualizada em 24/04/2019 às 14h17min

Sadaf Kadhem ganha torneio de boxe e faz história

Primeira lutadora iraniana a ganhar uma cometição oficial tem sucesso ofuscado pelas leis de seu país

Lúcia Oliveira - Editado Por Carlos Henrique Correia
Reuters

Com apenas 24 anos, no último dia 13 de abril, Sadaf Khadem fez história no boxe feminino. A lutadora venceu a francesa Anne Chauvin, na França, tornando-se, assim, a primeira iraniana a ganhar um torneio oficial de boxe. Porém, ao contrário do que muitos fizeram, o governo do Irã não reconheceu tal feito e nem a parabenizou por isso. 

As autoridades iranianas não legitimam o boxe feminino oficialmente em seu país. A Federação Iraniana de Boxe (Aiba) somente permite a prática desse esporte e de outras lutas como kung-fu, karaté e tae-kwondo, desde que as lutadoras sejam treinadas por uma mulher e estejam vestidas conforme as leis da República Islâmica, ou seja, fazendo uso do tradicional hijab. No dia do torneio, Sadaf não obedeceu a isso e lutou com camiseta e short que tinham as cores de seu país. Isso foi suficiente para o governo expedir dois mandados de prisão: um contra ela e o outro para o seu organizador de lutas, Mahyar Monshipour, que foi acusado de ser cúmplice de toda a ação.  

Mahyar disse à rádio RFI da França, que havia tomado conhecimento da existência dos mandados de prisão por meio de mensagens no celular e, por isso, ele e Sadaf decidiram permanecer em território francês. Após algumas horas, as autoridades governamentais negaram o pedido de prisão. Por meio da divulgação de uma nota pelo Ministério dos Esportes do Irã, a Federação Iraniana de Boxe desmentiu existência dos pedidos de prisão e o presidente da deixou claro que a entidade não reconhece Khadem como atleta profissional, com a seguinte declaração: 

A Sra. Khadem não é membro dos atletas organizados (do Irã) para o boxe e, do ponto de vista da Federação de Boxe, todas as atividades dela são pessoais. 

Por outro lado, o torneio foi tido como oficial e validado pelos jzes da federação francesa de boxe. 

Foto: Reuters/Stephane Mahe

Foto: Reuters/Stephane Mahe


Crédito Foto: Reuters

Sadaf Kadhem é iraniana, atua como personal trainer e nos últimos três anos, treinou clandestinamente até conseguir fazer sua estreia no boxe de modo oficial. Em entrevista à rádio francesa RFI, ela afirmou que espera que outras mulheres de seu país possam ter um destino melhor depois de tal acontecimento. 

As boxeadoras iranianas têm muito talento, levam jeito e espero que este combate ajude a promover o boxe feminino no Irã", disse a lutadora à FRI. "Sonhei com essa luta durante muito tempo, me esforcei muito por ela. Que minha iniciativa possa abrir as portas deste esporte para as mulheres iranianas. Para mim, não é importante ser a primeira, mas poder continuar nesse caminho.” 
 

Desde quando aconteceu a Revolução Islâmica, em 1979, seja como atleta ou espectadora, a presença feminina em eventos de esporte e em práticas esportivas é restrita. Aos poucos, o Irã vem cedendo em alguns aspectos, após a realização de campanhas que lutam pelos direitos das mulheres.

 


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