25/07/2020 às 09h45min - Atualizada em 25/07/2020 às 09h34min

Estudante realiza pesquisa inédita sobre a evolução de serpentes

O estudo está previsto para ser publicado em novembro deste ano

Repórter - Cecília Gelenske

A estudante do curso de Biologia da Universidade de Brasília (UnB), Vitória Deolindo, está desenvolvendo uma pesquisa inédita.Chamada inicialmente de “To move or not to move?”, a pesquisa estuda as cobras do clado scolecophidia, serpentes que vivem embaixo da terra. O objetivo central é concluir se esses répteis teriam uma evolução osteológica craniana que possibilitasse uma cinese entre os ossos.

 

Para entender melhor, o trabalho desenvolvido por ela visa saber se os focinhos dessas serpentes mexem ou não. Caso a hipótese seja comprovada, a ciência classificaria como uma apomorfia, ou seja, seria uma característica evolutiva presente unicamente nessas cobras. A espécie estudada especificamente é a afrothyphlops punctatus, que vive no Oeste do continente Africano. A pesquisa começou em março de 2019 e atualmente está em processo de finalização, prevista para ser publicada em novembro deste ano. Para realizar a análise da anatomia craniana dos répteis, Vitória precisou analisar todas as tomografias para observar cada detalher da estrutura. Isso foi possível graças ao

programa de tecnologia 3D, CTvox, que permitiu uma visibilidade de alta definição dos crânios dos animais. Como as cobras não são originárias do Brasil, o Museu de Zoologia da Alemanha disponibilizou as tomografias das espécies para serem utilizadas na composição do artigo.
 

Outros indícios de pesquisas dessas serpentes foram em 1950, no qual o pesquisador da época observou a diferença no focinho das cobras e apresentou em sua tese. Depois disso, as serpentes não foram objetos de estudo, até o momento. De acordo com a estudante, como se trata de serpentes pequenas, com hábitos de escavação, despertam pouco interesse entre os profissionais da herpetologia e consequentemente há uma escassez de estudos na área.

 


Como tudo começou

Desde os nove anos de idade, Vitória estava decidida que iria seguir a área das ciências biológicas e, quando entrou para o curso, logo se identificou com a zoologia e mais especificamente “um encanto especial pela herpetologia”, ressalta. 

 

Foi estudando zoologia que conheceu a professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da UnB, dra. Angele dos Reis Martins que explicou sobre os grupos de pesquisa e sugeriu o projeto. Ao falar sobre o processo, Vitoria expressa sua admiração. “Sem ela, eu não seria nada nessa pesquisa. Ela que me orientou, ela que me acolheu”, conta.

 

Sobre a expectativa da conclusão da pesquisa a estudante revela: “espero principalmente que esse artigo ajude na desmistificação do estudo sobre serpentes, que mostre a importância do estudo anatômico para termos descobertas comprovadas sobre elas”.A estudante  tem como meta se especializar na área da herpetologia - ramo da zoologia que estuda os répteis - e continuar suas pesquisas. “Como desejo pessoal, quero muito poder incentivar estudantes com a mesma realidade que eu e mostrar que, com auxílio e incentivo educacional, podemos ocupar espaços dentro da ciência” afirma. 

 
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