31/07/2020 às 13h18min - Atualizada em 31/07/2020 às 13h07min

Poliana Okimoto protesta por representatividade feminina na natação

Medalhista olímpica lidera comitê que cobra por melhores condições para as mulheres dessa categoria

Mariana Matias - labdicasjornalismo.com
Poliana mostra sua medalha de bronze. Foto: Satiro Sodré/ SSPress
No dia 17 de julho,19 integrantes da delegação brasileira de natação embarcaram para a Missão Europa, em Portugal, que foi composta apenas por homens. Isso causou incômodo na medalhista Poliana Okimoto, que protestou em sua rede social no mesmo dia. Poliana postou sua insatisfação nas redes sociais, com uma publicação que teve uma grande repercussão, o que levou a criação de um comitê, liderado por ela, para consolidar ideais e levá-las aos órgãos responsáveis. Esse comitê pede investimentos na natação feminina e o reconhecimento como uma categoria independente, desvinculada da modalidade masculina.

A medalhista fez a publicação em seu Instragram, colocando em pauta uma questão pouco discutida e muitas vezes naturalizadas no ambiente esportivo, a pouca representatividade da mulher na natação. Tal publicação chamou a atenção de atletas como Renata Sander, Pâmela Alencar, Jheniffer Alves e Pâmella Oliveira. “Hoje embarcam para Portugal a Seleção Brasileira de natação. Foram convocados no total 15 atletas, sendo 14 homens e UMA mulher.
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Fico me perguntando, tentando ver o que poderia estar de errado, já que temos grandes atletas, grandes técnicos e clubes incríveis no Brasil. Só sei q o que não vejo mesmo é incentivo. Incentivo para as mulheres praticarem a natação com grandes objetivos, incentivo a essas mulheres irem disputar grandes torneios, treinar com as melhores do mundo… pelo contrário, o que vejo cada dia mais é que as meninas desde novinhas percebem a dificuldade que é em estar e permanecer na Seleção Brasileira. Pela falta de apoio, por acharem que não estão fazendo diferença, por serem sempre renegadas, pela falta de fé no trabalho delas, por acharem que estão sempre “lutando” sozinhas,” disse Poliana em sua postagem.

Essa não é a primeira vez que a medalhista se envolve em manifestações pelas mulheres na natação. Em 1996, ela participou de um ato em que as atletas vestiram camisas prestas que diziam "Poucos centésimos afogaram nosso grande sonho! Será sempre assim?" para protestar pelos mesmos motivos de hoje, a desvalorização das mulheres na natação.


Poliana Okimoto no troféu Brasil de 1996, à direita. Foto: arquivo pessoal



"Este problema de apoio e incentivo às mulheres vem de anos, são novas e gerações mais antigas que passaram por isso. Os problemas continuam e é muito chato ver e rever esta situação. Meu post foi mais um desabafo por causa de uma série de coisas que dura mais de 20 anos. Imagino que, antes disso, a situação era ainda pior. Nada mudou desde então, nunca vi um projeto especial focado na natação feminina", afirma.

"A natação masculina do Brasil sempre teve mais oportunidades e isso influencia diretamente nos resultados. Quando se tem uma oportunidade de viagens e intercâmbios, os homens sempre vão preencher as vagas e vejo isso como uma grande injustiça", reforça. A CBDA foi procurada pela reportagem e afirmou que "iniciou um amplo debate que envolve atletas da Comissão Nacional de Atletas e do Comitê Olímpico do Brasil para o desenvolvimento da natação feminina".

 
Poliana também comentou sobre a única mulher convocada, Viviane Jungblut.  "No lugar dela, eu me sentiria excluída e indignada por ter deixado tantas meninas no Brasil, estando lá sozinha entre as representantes da modalidade. Não vai ser fácil pra ela ficar lá, menos mal que foram chamadas meninas de outros esportes. É algo complicado, imagino o sentimento de exclusão que ela possa estar vivenciando. Muita gente ficou chocada quando publiquei a informação, muitos não sabiam disso e é um choque de realidade. As oportunidades, definitivamente, não são as mesmas", conta Poliana. 
 
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