10/08/2020 às 20h39min - Atualizada em 10/08/2020 às 21h36min

Consumo de peças de luxo é motivado por desejo, afirma professora de moda da UEL

Desejo desenfreado por peças de luxo pode fortalecer a desigualdade social

Thaynara Junqueira - Editado por Larissa Barros
Reprodução

A moda surgiu em meados do século XV, com o intuito de diferenciar a nobreza do restante da população. E apesar da pseudo democratização de seu conteúdo ao longo dos anos, a através da alta costura, ainda segue lançando como tendência a ostentação.

 

Estima-se que apenas 4 mil pessoas tem acesso a peças de alta costura. Para a professora de história da moda, na Universidade Estadual de Londrina, Cleuza Bittencourt Ribas, isso se deve ao desejo. “O luxo é algo que se deseja, algo que ostenta algum nível social, alguma profissão, ou alguma particularidade”, explica. 

 

Cleuza enfatiza que não é somente a alta costura que motiva esse desejo. De acordo com ela, o luxo é aquele que é ostentado e que alguém aspira. Ou seja, não existe nada considerado luxuoso, sem que alguém o deseje. “O desejo das pessoas é que realmente transforma algo em luxo, usável ou não usável”, afirma a professora.

 

Como exemplo, ela cita o desfile digital da empresa italiana Valentino, realizado em julho deste ano. A grife apresentou uma variedade de vestidos brancos, com tamanhos desproporcionais, trazendo muito drama e, por conta das suas formas gigantescas, torna-se impossível de se usar.

 

Em conversa com a nossa reportagem, a socióloga Franciele Rodrigues explicou os impactos desse mercado na sociedade. “As pessoas que têm acesso a esse mercado, são as pessoas mais ricas, isso faz com que se reproduza um status social de que determinadas marcas são restritas a determinados segmentos da população", conta.

 

Sendo assim, torna-se importante repensar essa relação, para evitar que através dessa segmentação a moda seja usada como uma ferramenta de manutenção da desigualdade social. A especialista reforça que dessa forma, a ideia de que cada classe tem seu produto e tratamento adequado acaba sendo fortalecida.

 

“Porque esses produtos, a partir do momento que eles ficam muito restritos a uma parcela pequena da população, isso faz com que a maior parte não tenha como consumir. Aí, essas pessoas poucas que tem acesso a esses produtos, elas acabam no imaginário social, adquirindo uma ideia de que são diferenciadas”, completa a socióloga.

 

Segundo  Franciele, quando vemos uma pessoa vestida com roupas de marcas que sabemos que possuem peças caras, tendemos a olhar para ela de maneira diferente, como se fosse mais importante do que as outras, devido a sua condição financeira.

 

“Esse imaginário social reproduz o estigma de que muitas vezes essa pessoa, por ter dinheiro, ela merece um tratamento diferenciado do que a pessoa que não está vestindo aquela mesma peça, daquela marca reconhecida”, conclui a socióloga.

 
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