19/08/2020 às 14h59min - Atualizada em 19/08/2020 às 14h46min

Um passeio pela história e município de Holambra

Conhecida como Holanda brasileira, a cidade é muito mais do que apenas um destino turístico

Melissa Costa - Alexandra Machado
Foto: SHUTTERSTOCK
Próximo da cidade de São Paulo, a aproximadamente 130 quilômetros de distância, e localizado perto da cidade de Campinas, o município de Holambra, conhecido como a Holanda brasileira, encanta turistas do estado, do país e do mundo inteiro graças à sua produção agrícola, principalmente focada na floricultura. O Expoflora - que acontece anualmente no mês de setembro - por exemplo, é um dos festivais mais conhecidos e lucrativos da região. No ano de 2019, em sua 38ª edição - e com cerca de 340 mil visitantes - a arrecadação chegou a R$70 milhões, segundo a Secretaria Estadual de Turismo.

A economia municipal deriva praticamente inteira da atividade agropecuária. A região produz cerca de 40% de toda a produção florícola brasileira e 80% de toda a exportação do país. Sua segunda maior fonte de renda é o turismo. Em 1998, Holambra recebeu o titulo de Estância Turística, o que faz com que o município receba do estado uma verba maior para a promoção do turismo na região. Hoje com estimativa de aproximadamente 13 mil habitantes, o município tem o menor índice de criminalidade, baixa taxa de mortalidade infantil e um dos melhores índices de ensino do estado.

História

A colonização do município iniciou-se pós 2ª guerra mundial. Devido à destruição na Europa e a necessidade de reconstruir a Holanda, o governo do país, por meio da Associação dos Lavradores e Horticultores Católicos da Holanda promoveu uma imigração em massa de agricultores com a ideia de fundar um núcleo de imigração. Os países procurados foram Canadá, Austrália, França e Brasil. Porém, foi somente o país sul-americano que aceitou essa imigração.

O nome Holambra originou-se então dessa união entre Holanda e Brasil. O "Hol" são as iniciais do país europeu, o "am" deriva-se das iniciais de América e o "bra" vem do país destinatário.

Os primeiros imigrantes chegaram no ano de 1948 em navios de carga, em grupos de 60 pessoas. As primeiras levas de imigrantes eram principalmente de homens solteiros – que tinham como função preparar a terra e as casas para as famílias que chegariam posteriormente - e carregavam consigo o gado holandês, pois se tinha a ideia da criação de uma fabrica de laticínios.

Entretanto, devido à alteração no clima e às doenças tropicais, principalmente a febre aftosa, esse gado faleceu, o que ocasionou duas grandes mudanças: a primeira, muitos agricultores desistiram de permanecer em Holambra e migraram para tentar a sorte no sul do país, principalmente no estado do Rio Grande do Sul, onde o clima era mais parecido com o da Holanda. A segunda mudança é que os que permaneceram passaram a focar na floricultura.

O cultivo de flores começou timidamente no ano de 1951. A primeira flor a ser produzida foi a Palma de Santa Rita, também conhecida cientificamente como gladíolos. Já entre os anos de 1958 e 1965 a cultivação se expandiu e em 1972 o primeiro departamento de floricultura foi criado.

Em dezembro de 1991 o município de Holambra tornou-se independente e teve seu território desmembrado dos municípios vizinhos, como Jaguariúna, Artur Nogueira e Santo Antônio de Posse, pela lei estadual nº 7644.

Principais pontos turísticos

 
  • Moinho dos Povos Unidos


A ideia da construção do moinho surgiu após o prefeito do município, na época Celso Capato, voltar de uma viagem à Castrolanda, onde conheceu o moinho “De Immigrant” – sua inspiração para a ideia.

Considerado um ponto turístico recente, a primeira reunião para a efetivação do projeto deste ocorreu em 2005. Em março de 2006 uma comissão foi criada para a construção do mesmo. A inauguração ocorreu dois anos depois, em julho de 2008. O projeto criado por Jan Heijdra – um holandês - é uma cópia fiel dos moinhos encontrados na Holanda.

Com 38,60 metros de altura e 10 andares – onde seis são abertos a visitação – neles você poderá conhecer um pouco mais sobre a história dos moinhos, em uma visita ao Museu do Moinho e no 4° andar terá uma vista privilegiada de Holambra ao acessar o deck. O nome Moinho dos Povos Unidos simboliza a união dos povos, especificamente dos holandeses e brasileiros.

A visitação ocorre de quarta a domingo e aos feriados, das 10h às 17h e custa R$10.

Local: Alameda Mauricio de Nasau, 249 – Centro

 
  • Deck do Amor


Inaugurado em outubro de 2015, o ponto turístico é inspirado em uma tradição francesa, chamada “cadeados do amor”, que ganhou força no inicio do ano 2000, onde fecham-se os cadeados em uma ponte e jogam-se as chaves no lago. Diz a tradição que esse ato fortalece o relacionamento e a união não poderá mais ser destruída.

Em Holambra o Deck do Amor já possui milhares de cadeados. A tradição movimenta também a economia do local. Vendedores de cadeados locais faturam muito, principalmente em época sazonal, como o dia dos namorados. Os cadeados vendidos vão dos simples aos personalizados.
O local ainda esbanja romance na vista para o preservado lago Vitória Régia, e por tocar trilha sonora romântica em pequenas caixinhas de som espalhadas pelo Deck, todos os dias das 08h às 22h. O local também eventualmente é utilizado para apresentações culturais.

Local: Alameda Mauricio de Nasau, 1002 – Centro

 
  • Parque Van Gogh


O mais famoso e influente pintor holandês, Vincent Willem Van Gogh, ganhou em Holambra uma homenagem no ano de 2018. A Prefeitura do município inaugurou em 29 de setembro, um espaço denominado “Parque Van Gogh”, que compõe o espaço cultural Orla dos Chalés em frente ao Lago do Holandês.

Na atração é possível visitar réplicas de quadros conhecidos do artista, como “Retrato do Dr. Gachet” e “Os Comedores de Batatas”, além de pinturas, esculturas e desenhos, feitos por holambreses assistidos pelo Núcleo de Atenção e Orientação Terapêutica ao Trabalho de Holambra (NAOTT).

O parque funciona diariamente das 9h às 17h e a entrada é gratuita.

Local: Orla dos Chalés - Avenida das Tulipas, 339-441

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