20/08/2020 às 21h27min - Atualizada em 20/08/2020 às 21h17min

​Marcos Pontes afirma que repasse para órgãos de pesquisa sofrerão cortes no próximo ano

O ministro fala sobre os problemas na pasta, e o futuro dos recursos destinado ao setor

Fernanda Silva - Editado por Camilla Soares
Pós Doutora Monica Franchi Carniello.
Foto: reprodução/internet
O Ministro da Ciência e Tecnologia  Marcos Pontes, afirmou que os repasses para os órgãos de pesquisa sofrerão cortes já no próximo ano. Em uma entrevista a Jovem Pan, Pontes contou sobre as dificuldades fiscais e a necessidade de corte nos repasses, porém os orçamentos não serão zerados.

Segundo o ministro, existe a possibilidade de corte de 15% a 18% no orçamento que já é baixo. Acerca das demais dificuldades da pasta, o ministro conta que conseguiu fazer uma blindagem no orçamento, porém não descarta a necessidade de cortes futuramente "Confesso que está difícil com o nível de orçamento que a gente ficou, então provavelmente algum repasse de corte vai ser feito para as unidades de pesquisa, mas não a zero”, disse ele.

Para a Pós-Doutora, Monica Franchi Carniello, pesquisadora da Universidade de Taubaté, a restrição orçamentaria gera impactos na produção cientifica não só a curto prazo. “Em curto prazo, pode significar a interrupção de projetos em andamento, que podem ficar inconclusos, bem como a inviabilidade de iniciar novos projetos. Em médio e longo prazos, o efeito é gerar maior dependência do país de tecnologias estrangeiras, o que se reflete economicamente em custos de importação, por exemplo.” Explica ela.

A doutora ressalta que, o Brasil possui uma significativa presença no cenário da produção cientifica mundial, ocupando o 13º lugar em termos quantitativos. E ainda destaca que é fundamental o fortalecimento das instituições de pesquisa no brasil, na qual se encontra uma comunidade produtiva, e que se mantem viva, porém sob risco de descontinuidade com os constantes cortes de gastos destinado ao setor. “Parte-se da premissa que o setor Ciência e Tecnologia é estratégico e deve ser articulado com o projeto de desenvolvimento de um país” diz ela.

O projeto em questão vai contra a necessidade da comunidade cientifica no brasil que precisa de ainda mais investimento. Segundo a dr. Franchi, "Em um momento como o atual, de pandemia, fica evidente o papel da ciência para a sociedade, portanto é necessário que o país conte com pesquisadores qualificados”.

Na pandemia do novo coronavírus, o Brasil mostrou participação significativas para mudança do cenário em combate à covid, quando em apenas 48 horas após o primeiro caso de covid-19 na américa latina, cientistas brasileiras foram as primeiras a sequenciarem o genoma do vírus.

Mais tarde, uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) criaram um protótipo de respiradores 15 vezes mais barato para servir de atendimento a pacientes infectados. Nas últimas semanas brasileiros descobriram que anticorpos de cavalos são até 50 vezes mais potente, contra a covid-19.

O ministro acrescentou outro problema que ele encontra no Ministério: “Os nossos cientistas estão ficando velhos, temos todo um trabalho a ser feito com diretores dos institutos, unidades de pesquisa e com o ministério da Economia para resolver a questão, já que não temos concurso público” acrescentou.

Porém, Monica ressalta que essa situação é consequência dos cortes de gasto constantemente, “Ocorre o afastamento de pessoas interessadas em seguir a carreira de pesquisador por falta de recursos e oportunidades, o que faz com que jovens com perfil e interesse em pesquisa busquem outras opções profissionais, o que se refletirá o capital humano disponível para produzir conhecimento científico.” Concluiu.
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