21/08/2020 às 17h26min - Atualizada em 21/08/2020 às 16h56min

Brincando e aprendendo: um novo olhar para a música

Profissionais utilizam a música como estratégia educacional e terapêutico

Larissa Lima - Editado por Luhê Ramos
Crédito: Getty Images/Blend Images
Pensar no ensino aprendizagem envolve muito mais que teorias, requer criatividade e prática. Um exemplo disso tem sido a música como projeto educacional. A formação musical oferece auxílio para o desenvolvimento psíquico e emocional das crianças, e por isso ela tem um papel potencializador na construção do indivíduo.

De acordo com a autora Violeta Hemsy Gainza em seus Estudos de Psicopedagogia Musical, as atividades musicais na escola podem ter objetivos profiláticos, nos seguintes aspectos: físico: oferecendo atividades capazes de promover o alívio de tensões devidas à instabilidade emocional e fadiga; psíquico: promovendo processos de expressão, comunicação e descarga emocional através do estímulo musical e sonoro; mental: proporcionando situações que possam contribuir para estimular e desenvolver o sentido da ordem, harmonia, organização e compreensão.

No contexto escolar, a música ensina a criança a ouvir e a estudar de maneira ativa e refletida. Com a repetição, ela traz uma fixação do conteúdo, auxiliando no vocabulário e estimulando o progresso das crianças. Embora ela não seja o único recurso de ensino, ela pode facilitar, visto que o aluno convive com ela desde muito pequeno.

A pedagoga Kelly do Carmo Soares conta que durante suas aulas costuma realizar atividades musicais afim de ensinar as crianças o conceito do "eu, o outro e o nós", respeitando as diferenças de cada um. Esse conceito está ligado aos 5 campos fundamentais da base curricular no ensino em sala de aula. Dentro dela há a noção do corpo, gestos e movimentos que também são trabalhados e através da música, as crianças conseguem ter a percepção das transformações e espaços. Diante desses princípios, elas reconhecem e estabelecem uma relação de escuta e de fala.

“Em uma brincadeira que tenha música eu consigo incluir tanto o eu, o outro e a turma toda, então acaba sempre envolvendo todos os outros eixos”, comentou ela. 


Crianças em atividade no Carnaval | Foto: Kelly do Carmo Soares

Além do ensino em sala de aula, há outros profissionais que utilizam a música para fins terapêuticos, como é o caso da fonoaudióloga e compositora Débora Ulhoa, que sempre conciliou a música com a fonoaudiologia. A ideia surgiu durante sua graduação na Universidade de Brasília (UnB) através do Projeto de Extensão ‘Consciência Fonológica’, com a orientadora Maysa Luchesi Cera.

“A música sempre foi algo presente na minha vida. Como sou cantora e compositora, eu consegui através da fonoaudiologia unir minhas duas paixões”, relatou Débora.

O objetivo do projeto era ensinar canções que tinham componentes da consciência fonológica nas escolas, em ONG’s e nos projetos sociais, utilizando as músicas para trabalhar com os sons das letras, rimas, aliteração e algumas outras habilidades. Segundo Débora, através da música a criança pode desenvolver a fala, oralidade, dicção, ritmo, concentração e coordenação motora.

Desde a sua formação, Débora trabalha o universo da música em seus atendimentos particulares dando enfoque a linguagem infantil. As sessões não são inteiramente de músicas, embora haja um tempo para cantar, aprender e se divertir. Seus pacientes costumam ter uma rotina sobrecarregada de acompanhamentos de outros profissionais da saúde.

“Por isso, busco trazer a fonoaudiologia de forma mais lúdica possível”, garantiu.

Débora e seu paciente em atividade fonológica | Vídeo: Débora Ulhoa

É importante lembrar que os responsáveis devem se atentar quanto a necessidade da criança por um acompanhamento fonoaudiológico. Dentre os sintomas estão: a alteração de audição, discriminação de sons, distúrbios específicos de atividades na escola, trocas de fala e/ou na escrita e o atraso de fala, uma vez que com 2 anos já é esperado que a criança forme frases simples.
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