22/08/2020 às 11h28min - Atualizada em 22/08/2020 às 11h19min

Elas com Elas: podcast traz representatividade a cada episódio

O programa busca mostrar diferentes personagens mulheres abordando discussões dentro do contexto sociopolítico e cultural na sociedade

Jéssica Natacha - Revisado por Mário Cypriano
(Foto: Divulgação/ Podcast - BandNews FM)

 

O podcast Elas com Elas é um programa da BandNews FM publicado todas as quartas-feiras no canal de streaming Spotify e no site da rádio. A idealizadora do projeto foi a jornalista e apresentadora Gabriela Mayer, que observou o quanto as mulheres não possuem visibilidade suficiente para serem indicadas para algum trabalho, debates específicos ou até mesmo compartilhar histórias e experiências.  

O programa, em formato de mesa redonda, busca retratar realidades diferentes dentro da sociedade, através da perspectiva feminina, trazendo mulheres inteligentes, intelectuais, capazes de dialogar sobre qualquer área e assuntos específicos, seja no campo científico, sociopolítico e/ou filosófico.

De acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 01 de julho de 2019, a população brasileira está estimada em 210 milhões de habitantes, a maioria feminina, especificamente 51%. Antigamente, as mulheres eram donas de casa e obrigadas a cumprirem este papel. Os tempos mudaram. O cenário atual mostra que o sexo feminino é capaz de desenvolver várias atividades ao mesmo tempo – como administrar um negócio, dirigir uma companhia, estudar, cuidar da própria vida e optar ou não por construir uma família.

Há brasileiras por todo o mundo fazendo pesquisas, pós graduação, vivendo aventuras e com boas experiências para contar e, o objetivo do Elas com Elas é derrubar o estereótipo imposto pela sociedade. A apresentadora, por meio do programa, incentiva essas mulheres ricas de conhecimento a compartilhar as experiências e as vivências com os ouvintes, além de partilhar conteúdos relevantes e benéficos para a desconstrução e evolução da sociedade.

A jornalista, apresentadora e locutora Juliana Kunc Dantas aponta que os conteúdos discutidos no podcast são necessários para mostrar a realidade no atual cenário de desigualdade social que vivem as mulheres. Os debates mostram o quanto as mulheres são deixadas de lado até mesmo em programas televisivos ou rádio, onde a preferência é para o público masculino. Juliana ainda acrescenta: “O que a Gabriela faz é inverter essa lógica, focando em mulheres falando sobre diversos assuntos e temas. É só você buscar o espaço para que elas possam dizer o que tem a dizer”, explica.

(Foto: Divulgação/ Mulheres que lutaram pelos direitos iguais - Platão Plomo Blog)

Gabriela menciona que ao buscar as pautas para o programa observa situações cotidianas, recebe sugestões de ouvintes e releases de assessoria. Diz também que ao contatar os veículos alternativos e/ou universidades, para debates ou discussões que serão abordadas no programa, necessita especificar que deseja especialistas mulheres porque os veículos logo de cara indicam homens – brancos, no geral.

O episódio campeão de audiência foi o Síndrome da Impostora – sugestão de um ouvinte – que explica sobre autossabotagem e como as pessoas se veem como uma fraude, principalmente as mulheres. Geralmente, episódios desse tipo, que discutem temas relacionados às vivências e percepções subjetivas, como o amor, a perda e a desistência, atraem o público e fortalecem a audiência.

A produção recebe feedbacks e sugestões a todo momento. Apesar do foco ser as mulheres, o podcast também tem audiência masculina. Eles apreciam e compartilham das experiências nas redes sociais, expõem histórias de episódios que os tocaram de alguma forma, explicam sobre assuntos que poderiam ser retratados em outra perspectiva, elogiam as convidadas e trazem críticas construtivas para o programa. Tudo é uma troca!

É o caso do ouvinte Vitor Tavares, que relata o quanto as pautas são de extrema relevância, trazem diversidade e ainda são compostas por mulheres bem vividas e com propriedade no assunto. Vitor acrescenta que a mesa redonda apresenta a inclusão sociocultural, isso chama a atenção e o interesse na escolha do podcast. O episódio sobre o futebol feminino foi um dos que ele mais gostou. Mostra que a realidade está mudando, aos poucos, o que já é um progresso. 

A pluralidade e representatividade presentes nas pautas mostra a importância que a jornalista tem ao buscar fontes e/ou especialistas que agregam conteúdo dos mais variados temas aos ouvintes. Gabriela também tem o cuidado em apresentar mulheres em diferentes locais de fala – LGBTQIA+, negra, branca, pobre, rica, magra, gorda, etc. A sociedade precisa evoluir cada vez mais em relação aos debates do gênero, pois, ainda que existam pautas feministas, não é o suficiente para o contexto sociopolítico e existe um longo caminho a ser percorrido. 

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