27/04/2019 às 20h27min - Atualizada em 27/04/2019 às 20h27min

Resenha: Confissões de um jovem romancista de Umberto Eco

Uma teoria da escrita de ficção

Aline Goulart - Editado por: Leonardo Benedito
Imagem: divulgação

Umberto Eco nasceu em Alexandria, na Itália. Foi filósofo, linguista, bibliófilo, semiólogo, escritor e professor de literatura. Percorreu durante toda a sua vida por muitos estudos na área de literatura. Isso concedeu a ele uma proximidade na narrativa muito marcante em suas obras. Quem lê Umberto percebe que o autor sabe do que está falando.

Para isso, Umberto dedicou sua vida ao estudo da era medieval, era fascinado por castelos, bibliotecas e livros antigos. Da área acadêmica até a literatura levou muitos anos, precisamente 50 anos. O primeiro livro foi publicado em 1981. O Nome da Rosa deu origem ao filme de mesmo título. Umberto usou com primazia seu conhecimento em arte medieval para compor a narrativa da obra. Um obra prima muito bem desenhada.


Para além da vida acadêmica, Umberto Eco levou sua bagagem de estudos aos livros de ficção. Suas pesquisas sobre a escrita ficcional levaram muitas estudiosos ao banco das universidades. Contudo, isso colaborou com os estudos de escrita criativa, pois, ao longo dos anos o autor continuou com a pesquisa literária. No livro Confissões de um Jovem Romancista, Umberto Eco expõe o seu processo criativo.

De onde vem sua inspiração?

O livro é composto por quatro ensaios teóricos que foram proferidas em palestras sobre literatura moderna. Em entrevistas, quando perguntavam “como você escreve”, Umberto Eco sempre respondia “da esquerda para a direita”, sendo esse, também, o título do primeiro capítulo. O autor garante que seus anos de estudos da área medieval, inclusive um doutorado, contribuíram para compor a história da narrativa no livro O Nome da Rosa.

Ser observador é a primeira “confissão” do autor. Ter acesso ao mundo que você quer construir, seja por meio dos livros ou da sua experiência. Quer escrever sobre a rua, o cotidiano? Viva! Esteja junto, converse com as pessoas. Conheça o assunto e as palavras fluirão. Ainda na adolescência Umberto visitou bibliotecas, era fascinado por elas, e começou nesta época a vontade de se dedicar ao estudo.

Outra dica de Umberto Eco no livro é a necessidade de conhecer o leitor para quem escreve. Ele defende que a ideia de que  existe tipos de leitores, o entendimento do leitor é devido ao seu próprio contexto. O autor dá uma aula de semiótica quando expressa sobre a facilidade que a literatura tem de nos fazer viajar para outro mundo e sentirmos tristeza, alegria, dor e amor por um personagem, um lugar, uma comida. O livro pode mudar a nossa visão em relação a outros livros.

O último capítulo é sobre as listas que ele têm e acumulou durante a vida. Ele dá o exemplo das listas de supermercados, mas para ele as listas literárias são as mais especiais. As listas de livros, significados e significantes, personagens, linguagens e lugares deram a Umberto ferramentas para compor as histórias de seus livros. Ele pôde escolher o que de melhor poderia encontrar no livro. Contudo, a vida acadêmica foi essencial para ele solidificar a escrita criativa.


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