28/08/2020 às 22h00min - Atualizada em 28/08/2020 às 21h27min

Hibridismo Cultural no século XXI

Guynever Maropo - Editado por Luhê Ramos
O aculturamento aos Estados Unidos da América existe desde a década de 20 do século XIX, com a Doutrina Monroe: "América para os americanos". Essa defendia a soberania nacional opondo-se a qualquer intervenção europeia no continente americano. Dessa forma, corroborou para a crescente hegemonia dos Estados Unidos com as Américas, Latina e Central, a princípio através de empréstimos, ou a força e, anos mais tarde, com a globalização. A Doutrina Monroe, proclamada pelo presidente James Monroe (1817 - 1825), priorizava o Estados Unidos e visava participar politicamente e economicamente na América-Central.

Para que obtivesse sucesso, desencadeou a Guerra da Banana, uma série de ocupações e operações militares, na América Central e no Caribe; durou de 1889 - 1934. Os presidentes que o sucederam continuaram com a invasão territorial. Quando o presidente Theodore Roosevelt (1901-1909) criou a ideologia Big Stick “grande porrete” e o Corolário Roosevelt, o qual apoiava a Doutrina Monroe, para o favorecimento dos Estados Unidos. Garantiu que eles fossem a potência hegemônicas de todo o continente.

Em meados dos anos 30 até o fim da grande depressão, o presidente Franklin Delano Roosevelt (1933-1945) executou um plano para reerguer a economia do país, que visava o bem-estar social da comunidade para o aumento do consumismo. Para reforçar a ideia criaram o American Way of Life ("estilo de vida americano"). Este modo de viver tinha a padronização social e a crença nos valores democráticos liberais. Ademais, ele se difundiu pelo mundo todo através da "americanização", com simbologias, auto-nacionalismo, e sua indústria cultural.

O Professor universitário do curso de História na UNINASSAU, Walter Ferreira, pontua "que a influência à Cultura dos Estados Unidos começa na década de 30, com a política do American Way of Life. Repercutindo o modelo de vida de uma família tradicional (marido, esposa e dois filhos), com casa, carro e consumo de eletrodoméstico sofisticados."



Ao término da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos da América (capitalista) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (socialismo), saíram como vencedores. No entanto, entraram em conflito ideológico, dando início a Guerra Fria (1947- 1991), que gerou mudanças no mundo. No final do século XX, com o término da Guerra ideológica, através do discurso neoliberal, as relações capitalistas se difundiram ao redor dos países. Consequentemente, ao ganho da guerra, os Estados Unidos reafirmam seu papel de superpotência econômica e imperialista. Através das corporações de mídia responsáveis pela distribuição de produtos pela Internet e na Indústria Cultural.

Esses meios reproduzem a cultura de massa em larga escala, para fazer girar um mecanismo capitalista, mercantil e político. A exemplo, tem-se a Cultura Hollywoodiana, que propaga o crescente American Way of Life, a visão estereotipada que os Estados Unidos têm de outros países e divulgações de produtos e marcas em filmes e séries nas plataformas de streaming e nos cinemas. Fez com que se tornaram a hegemonia mundial. O Professor Walter Ferreira afirma: “os Estados Unidos, não precisam de muito esforço para fazerem propaganda e marketing, pois a fama precede a marca. Algumas pessoas tem a presunção de o que vem dos Estados Unidos sempre é melhor."

Com o advento da globalização, a difusão dos valores culturais modificou a sua forma de integração entre os países, mas não se tornou igualitária. Algumas nações economicamente “dominantes” propagam seu valor cultural mais facilmente que os outros. Para que isso aconteça, o comércio internacional, e a liberdade de movimento, depende do nível de desenvolvimento e integração do país. 



A globalização está inserida no Brasil desde o início da colonização portuguesa, oficialmente a partir de 1990. Houve grandes impactos dos valores eurocentrico e norte-americano, na formação cultural do país. Contudo, a cultura popular (tradicional) se baseia na miscigenação dos povos indígenas e nativos africanos com as tradições, costumes e mitos dessas regiões. Ademais, as tradições europeias se espalharam através da cultura erudita (da elite para a elite), que são os museus, teatros e obras de arte renomada.

A indústria Cultural estadounidense tem se ploriferado fortemente no Brasil e em outros lugares do mundo, através de filmes, séries, redes sociais e que tem surtido efeito em alguns adolescentes que almejam a cultura deles. O hibridismo Cultural no século XXI tem grande favorecimento através da globalização e o capitalismo. Pois os meio de comunicação tem se propagado em grandes escalas globais e conectando diversos povos diferentes. Desse modo, ficou mais fácil para que haja integrações entre as nações.

Portanto, a cultura não é algo monolítico, mas sim uma mistura de costumes e tradições. Não se pode deixar que uma se sobressai a outra, mais que elas sejam vista em conjunto para a formação de uma nação globalizada. Logo, a valorização dela deve partir dos ministérios do país, para que a população dê importância a cultura nacional. Beatriz Jorge, mestrada em estudos linguísticos e literário em inglês e diretora acadêmica da Alumni, conclui: "Nós aprendemos com eles, assim como eles com a gente, e essa troca cultural é muito importante. Ela existe desde que o mundo tem civilizações, sempre tiveram trocas culturais. E basicamente esse é o grande legado nessa troca cultural entre Brasil e Estados Unidos, principalmente na área educacional."
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