28/04/2019 às 15h32min - Atualizada em 28/04/2019 às 15h32min

Coisa Mais Linda, uma série de personagens fortes

Uma reflexão sobre ser mulher em um mundo machista por natureza

Larissa Bosque - Editado por: Leonardo Benedito
Imagem: divulgação
Lançada em 2019 pela Netflix, com direção de Heather Roth e Giuliano Cedroni, a séria A Coisa Mais Linda, traz um roteiro retrô, que se passa na década de 1950. Maria Luiza (Maria Casadevall), uma paulistana conservadora alimenta o sonho de abrir seu próprio restaurante no Rio de Janeiro, casada e totalmente dependente do marido e do pai como manda as tradições da época, Malu aposta todas as fichas no marido, Pedro dando todo seu dinheiro para que ele comece a organização do empreendimento. Mas quando descobre que ele fugiu com seu dinheiro se vê desamparada, humilhada perante a sociedade da época e tendo que lidar com o preconceito de um pai machista.

No momento de maior sofrimento ela conhece Adélia (Pathy Dejesus), uma empregada doméstica e “mãe solteira” que embarca com ela na maior loucura de suas vidas, com a ajuda de duas amigas, Tereza e Lígia, elas decidem abrir um clube de música, onde as pessoas possam se misturar ao som da bossa nova.

Tereza (Mel Lisboa) é uma mulher feminista, empoderada e escritora de uma revista feminina comandada por homens, e se destaca como uma das personagens mais fortes da trama. Seguida de Adélia, uma mulher negra que sofre a todo momento com os preconceitos raciais de forma explicita, mas que não abaixa a cabeça em nenhum momento, suas cenas são as mais fortes e que trazem maior reflexão sobre o papel da mulher negra naquela época. Lígia (Fernanda Vasconcelos) tem o sonho de ser cantora, mas segue a linha ‘bela, recatada e do lar’, mesmo sendo vítima das agressões e o abuso sexual e psicológico por parte do marido. Malu, personagem principal do enredo é a maior aprendiz da série, com a vida difícil e as amigas, ela aprende que deve se impor para conseguir o seu lugar, deve ser forte e acima de tudo, aprende que sua vida não precisa ser baseada nos desmandos dos homens.

O cenário e as imagens que retratam o Rio de Janeiro, nos anos de 1950, são impecáveis e te fazem viajar no tempo, com um ambiente agradável e paisagens belíssimas. As músicas e a sonorização, também beiram a perfeição. O enredo é antigo, mas atual, e leva o espectador a refletir sobre o quanto as mulheres vem sofrendo ao longo dos anos e sobre as situações cotidianas que são obrigadas a suportar, como a submissão, desigualdade na sociedade e no ambiente de trabalho, desrespeito, assédio, e a ideia retrógada de que toda mulher nasceu para constituir família e para a maternidade.  

A série desmistifica essa teoria e mostra que a mulher pode ser quem ela quiser, quando e onde quiser. Já os romances ao longo do enredo, trazem um traço do cinema brasileiro que já conhecemos tão bem, por isso, se você não curte cenas cheias de sensualidade e muito sexo, não assista.  Mas lembre-se, estará perdendo um dos melhores roteiros brasileiros dos últimos tempos. E vai perder a oportunidade de aprender sobre a realidade vivida por milhares de mulheres diariamente e posteriormente repassar; ajudando no combate incessante ao machismo, ao estrupo, ao assédio moral e sexual e a diminuição da mulher como traço cultural.

Coisa Mais Linda, é realmente a coisa mais linda!

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