30/08/2020 às 18h29min - Atualizada em 30/08/2020 às 18h33min

GDLK: nostalgia, entretenimento e informação na medida certa

Voltando a explorar o mundo geek, Netflix acerta com série sobre a revolução dos videogames

Ricardo Accioly Filho - Editado por Fernanda Simplicio

Se você tem mais de 40 anos, com certeza, se lembra da Era de Ouro dos videogames de árcade e fliperama. Antes dos atuais consoles, popularizados pelos campeonatos de League of Legends, a indústria de games experimentou evoluções e revoluções desde a criação do Space Invaders, e esse é o tema da nova série documental do streaming Netflix.

Lançado em 19 de agosto, GDLK traz um pouco dos caminhos percorridos até os modernos e bem sucedidos jogos eletrônicos. Com criação e direção da francesa France Costrel, a série possui seis episódios, de 45 minutos em média, e vai desde os anos 70, com o surgimento dos games espaciais de Tomoshiro Nishikado até a inovação do Doom, passando pela guerra entre Nintendo e Sega.

A série ainda revela casos curiosos dos bastidores da produção do Pac-Man, Space Invaders, Final Fantasy, Street Fighter II, Mortal Kombat, Sonic e outros grandes clássicos. Além disso, tem a narração da voz por trás do Super Mário Bros.
Com apoio em personalidades da indústria de jogos eletrônicos, inclusive com algumas mentes criativas, a obra revela rascunhos do desenvolvimento, vídeos do processo de criação e animações que ilustram relatos dos personagens. Algo que reforça o caráter lúdico do tema e torna prazerosa a experiência de uma maratona.




Tematicamente dividida em seis blocos, sem dependência entre si, o primeiro episódio mostra de onde surgiu a ideia para o primeiro game comercial, o Space Invaders, e como o Pac-Man se tornou mania mundial. Era o auge da empresa Atari e seus jogos espaciais, mas o lançamento desastroso de um produto quase pôs tudo a perder.

No segundo capítulo, ainda que sem maiores detalhes, é apresentado os primórdios da Nintendo, com curiosidades sobre o árcade de Donkey Kong, Super Mário Bros e imagens raras do Nintendo World Championships, em 1990. Já a terceira parte é dedicada aos jogos de RPG, ou Role-playing-Game, e os fãs de Dungeons and Dragons se lembrarão das precursoras adventures em texto até os games Ultima e Gayblade.
Enquanto que a partir do quarto episódio, um novo mundo se abriu com o surgimento dos jogos em 16-bits, popularizados pela Sega. A série revela o plano ousado da empresa do Sonic para derrubar o império até então hegemônico da Nintendo na famosa Guerra dos Consoles.

Se até então, os games eram considerados jogos infantis, o quinto capítulo nos apresenta ao procedimento de criação dos primeiros games de luta exemplificado pelos dois mais icônicos dos anos 90: Street Fighter II e Mortal Kombat. Além de discutir, ainda que brevemente, a polêmica por trás do impacto da violência gratuita para a formação de seus usuários.
Já a última parte abre a porta para a tecnologia 3-D e revela o pioneirismo da Nintendo com seu Star Fox, em parceria com a Argonault Games. Por fim, ainda dedica espaço para o desenvolvimento e influência do Wolfenstein 3-D e a inovação de Doom, com o jogo de tiro em primeira pessoa.




Durante suas pouco mais de cinco horas de conteúdo, GDLK vai na fonte ao trazer entrevistas como as de Toru Iwatani, criador do Pac-Man, e Nolan Bushnell, fundador da Atari. Algo que dá credibilidade e reforça a qualidade do produto que está sendo apresentado.
No entanto, para além deles, a série foca em dar visibilidade a diversidade ao abordar a inclusão de programadores negros na produção de jogos de esportes e sua inserção dentro do game. Outro ponto de destaque é ter dado espaço para o game Gayblade, primeiro jogo em RPG com temática LGBT+.

Além de destacar alguns dos vencedores de campeonatos nacionais nos Estados Unidos, como a transexual pioneira nos torneios e a importância do jogo para a sua superação de questões pessoais e dilemas na adolescência. No entanto, ao focar nas pessoas, perde a oportunidade de se aprofundar na história dessas competições, tão populares hoje em dia.

Fugindo de meramente contar a história de clássicos como Sonic e Super Mário Bros, GDLK vai além e, no final, narra a evolução da indústria de games como um todo, desde a Atari, Nintendo, Sega e Eletronic Arts até a Argonault Games. Ao encerrar em Doom, de 1993, abre campo para novas temporadas focadas nos jogos online e do impacto da internet na criação e expansão do mercado eletrônico.
Dessa forma, buscando cada vez mais se aproximar do nicho nerd, mas sem perder o público não tão familiarizado, a Netflix acerta com GDLK ao ter o tom acessível de sua narrativa, sendo uma boa fonte de informação e entretenimento.
Já para os fãs de games ou para os saudosistas de plantão, é uma grande oportunidade de voltar às origens e ativar o modo nostalgia relembrando momentos icônicos da indústria. Então, já pluga seu console na tomada e encaixa o cartucho que a diversão é garantida.    
 
REFERÊNCIAS:
GDLK - HIGH SCORE - A nova mini série da Netflix sobre video games. CEARÁ EM OFF. 21 de ago. de 2020. Disponível em: <https://www.cearaemoff.com.br/lazer/gdlk-high-score-a-nova-mini-serie-da-netflix-sobre-video-games> Acesso em: 27 de ago. 2020.
Estado de Minas. "GDLK": série da Netfix revela dos bastidores da competitiva indústria de games. UAÍ. 23 de ago. de 2020. Disponível em: <https://www.uai.com.br/app/noticia/series-e-tv/2020/08/23/noticias-series-e-tv,261875/gdlk-serie-da-netflix-revela-bastidores-da-industria-de-games.shtml> Acesso em: 27 de ago. 2020. 
ARJONA, I. GDLK: High Score | É bom e vale a pena assistir? Confira trailer, sinopse e mais. DEVER SER ISSO. 19 de ago. de 2020. Disponível em: <https://deveserisso.com.br/blog/gdlk-high-score-e-bom-e-vale-a-pena-assistir-confira-trailer-sinopse-e-mais/> Acesso em: 27 de ago. 2020.
CINÉFILO, T. GDLK | Conheça a minissérie da Netflix sobre videogames. ODISSEIA. 19 de ago. de 2020. Disponível em: <https://aodisseia.com/gdlk-minisserie-netflix-videogames/> Acesso em: 27 de ago. 2020.


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