01/05/2019 às 00h29min - Atualizada em 01/05/2019 às 00h29min

Para os dias escuros, busque a luz!

Isabela vivia triste, mas encontrou a alegria nas coisas mais simples.

Jerusa Vieira - Editado por: Leonardo Benedito
Bewakoof.com

Os dias de Isabela estavam escuros. Após perder o pai e se isolar de algumas amizades, ela passou a culpar o mundo inteiro pelo sofrimento que rodeava sua vida. Isa já não tinha mais ânimo para viver. Fora as perdas, o trabalho e a faculdade faziam Isabela se sobrecarregar em uma rotina cansativa e desgastante.  O pouco tempo que tinha sobrando ela escrevia cartas e poesias desabafando toda a angústia que estava sentindo. 

Em um dia nublado, Isa conversava com Fernanda, uma das únicas colegas que tinha na faculdade, e com a qual compartilhava o amor pela escrita, sobre a chegada de alguns livros de poesia na biblioteca, até que um assunto surgiu.

Fê: Sabe o que eu mais gosto de escrever? Sobre detalhes que poucos notam. Nossa vida é cheia de coisas simples e boas, que poucas pessoas dão valor.

Isa: Eu mesmo tenho sido uma dessas pessoas. Minha vida tem sido sempre a mesma coisa, mal tenho tempo para respirar direito.

Fê: É... eu sei como é isso! Já fiquei muitas vezes de saco cheio da vida sabe?

Isa: É exatamente isso que eu sinto todos os dias. Fê, já me passou várias vezes o pensamento de acabar com tudo. É como se tivesse um buraco dentro de mim. - Isa começa a chorar.  

Fê: Calma, eu já passei por isso também. Eu te entendo! Tudo na minha vida era confuso e monótono. Até que eu entendi que o segredo estava na forma como eu olhava para as situações e para tudo ao meu redor. - Isa escuta com atenção e começa a enxugar as lágrimas. 
Fê: Quando eu olhava para dentro de mim e me via como incapaz de algo, acabava me comparando à outras pessoas e me frustrando com isso. Quando eu olhava para o que não dava certo e me culpava por isso, findava me entristecendo mais ainda. Quando eu olhava mais para as partes tristes dos meus dias eu me afundava mais nas angústias. 

Isa: Poxa, Fê, é o que está acontecendo comigo, mas eu não sei como mudar isso.

Fê: Tente mudar a forma como você olha as coisas. Ao invés de focar no que dá errado, passe a dar valor às suas pequenas conquistas. Pare de se culpar por tudo e entenda que tudo tem um tempo certo para acontecer. Busque enxergar coisas boas nas simples. Tipo eu... todos os dias passo pela ponte, de ônibus, busco olhar o sol nascendo e isso me dá esperanças, sabe? De que o dia pode ser melhor. Tente mudar isso.

Isa: Eu vou tentar, Fê. Obrigado, por tudo! - Elas se abraçam - Eu achei que não tinha ninguém com quem contar. 

Fê: Que história! Pode contar sempre comigo!

Elas sorriram. O céu deixou a neblina passar e clareou novamente. Elas foram liberadas mais cedo da aula e aproveitaram para ir no Shopping bem próximo à universidade, compraram livros, tomaram sorvete, conversaram um pouco e se despediram.

Isa foi pra casa, mas o caminho inteiro ela olhava para os detalhes e pensava que realmente poderia existir algo na vida que valesse a pena. Ela viu um casal de idosos, como eles sorriam e conversavam com tanta sinceridade e amor no olhar. Ela se deparou com o pôr do sol e com todas as cores que isso proporcionava.

Isabela nunca mais sentiu aquele vazio permanecer, pois todas as vezes que a tristeza ou a culpa queria bater em sua porta, ela olhava para onde conseguiu chegar, para os sonhos que ainda irão se realizar, colocava uma música para relaxar e escrevia sobre as belezas das coisas mais simples.


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