01/05/2019 às 18h39min - Atualizada em 01/05/2019 às 18h39min

Os Amantes: Romeu & Julieta do Afeganistão

A história do livro "Os Amantes" retrata dois jovens afegãos apaixonados, mas que são proibidos de se casarem

Diana Lumi Nishida - Cultural
The New York Times; CNN
Diego Ibarra Sanchez, The New York Times

Zakia e Ali são dois jovens apaixonados que foram proibidos de se casarem devido às etnias diferentes, baseada na cultura local e intensificada pelo governo Talibã. O fato foi evidenciado pelo jornalista do The New York Times, Rod Nordland, que acompanhou a história do casal por anos.

Suas diferenças étnicas – Zakia é uma sunita tadjique, e Ali, um xiita hazara - se assemelham aos montéquios e capuletos do famoso romance inglês “Romeu e Julieta” de William Shakespeare. Apesar de tais distinções, famílias cultivavam em terrenos vizinhos, o que permitiu que se conhecessem ainda crianças. Assim, após alguns anos, se apaixonaram e decidiram fugir juntos desafiando famílias, preceitos culturais, barreiras educacionais e leis civis islâmicas afegãs. No país, a atitude de Zakia é chamada de “crime contra a honra” aos familiares, o que permite o assassinato da mulher em nome da dignidade da família.

É com esse contratempo que a narrativa do livro “Os Amantes” não se limita à uma história de romance. Vai bem mais além. É uma demonstração de um relato jornalístico totalmente verdadeiro e comovente sobre a luta de dois afegãos que se amam e que estão dispostos a arriscar tudo (e todos) para ficarem juntos.

Também expõe a importância de se discutir os direitos das mulheres no mundo muçulmano, de expor as falhas e, até mesmo, omissão de todos os agentes envolvidos (nacional e internacional). As violações dos direitos humanos das mulheres no Afeganistão são consideradas como uma das piores no mundo. Por isso, o autor faz questão de evidenciar diversos outros casos dos “crimes contra a honra” que outras mulheres afegãs vivenciaram.

A leitura é envolvente, fascinante e comovente. É possível se apegar aos personagens centrais e torcer para que consigam ficar juntos - tal qual em um filme clichê. Mas também aborda os costumes culturais afegãos de uma maneira surpreendente, informativa e bastante esclarecedora. A história ressignifica a autodeterminação e o amor do casal, evidenciando as barreiras que o país impôs às influências ocidentais e, assim como, salientando a necessidade de viabilizar e lutar pelos direitos das mulheres afegãs.

Editado por Raiane Duarte

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