01/05/2019 às 22h00min - Atualizada em 01/05/2019 às 22h00min

Incertezas marcam os 26 anos da abertura da Rede Mundial de Computadores

No dia 30 de abril de 1993, a World Wide Web (WWW) passou a ser uma ferramenta aberta e gratuita para todos.

Matheus Pacheco - Editado por Thalia Oliveira
Tim Berners-Lee, fundador da World Wide Web, em 1994. Imagem: CERN
Há 26 anos, a Rede Mundial de Computadores recebia os primeiros usuários de fora do mundo científico no primeiro dia após a data na qual o sistema entrou em domínio público. Foi em 30 de abril de 1993, quatro anos após a sua criação, que a World Wide Web (WWW) passou a ser ferramenta aberta e gratuita para todos quanto ao compartilhamento de dados na internet. Mas, quase na casa dos 30 anos de idade, a rede passa por um momento turbulento.
 
Criação

O cientista inglês Tim Berners-Lee foi o fundador da web. Em 1989, ele trabalhava no acelerador de partículas da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern), o maior do tipo em todo o mundo, localizado na Suíça. Seu objetivo, entre outros, era o de desenvolver um sistema que pudesse garantir o compartilhamento dos extensos dados levantados nos estudos da organização entre os microcomputadores de cientistas oriundos de diferentes lugares do mundo.

“Eles [os cientistas] usavam sistemas de documentação diferentes. Quando você queria saber o que estava acontecendo, você teria que achar [o cientista específico], tipicamente você teria que ser apresentado à pessoa”, revelou Berners-Lee em entrevista ao site Infinite History, pertencente ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts. “Então as áreas de café eram realmente importantes”.

Para contornar esse problema, o cientista da computação, que também é físico, junto de sua equipe, desenvolveu o sistema que ficou conhecido formalmente como World Wide Web. No pacote, surgiram também famosas ferramentas utilizados na atualidade, como o localizador uniforme de recursos (URL), o protocolo de transferência de hipertexto (HTTP), a primeira versão da linguagem de marcação de hipertexto (HTML), assim como o primeiro navegador de internet e o primeiro servidor.

A partir de então, os profissionais que trabalhavam na Cern passaram a contar com a facilidade de acessar diferentes documentos, por meio de suas próprias máquinas, sem precisar visitar colegas na cafeteria ou outros laboratórios.

A nova ferramenta, se popularizou tanto que, em 30 de abril de 1994, a Cern decidiu que o sistema se tornaria gratuito e aberto para qualquer pessoa, fato que desencadeou o processo histórico de criação e expansão de blogs, redes sociais e outros sites online, que resultou mais da metade da população conectada atualmente.  

Para se ter uma ideia desse cenário em que se encontra a Rede Mundial de Computadores, texto publicado pela revista Forbes, em abril desse ano, afirma que, segundo o site Visual Capitalist, no espaço de um minuto, 1 milhão de logins são realizados no Facebook, 4,5 milhões de vídeos são assistidos no YouTube, 1,4 milhão de perfis são avaliados no Tinder, 41,6 milhões de mensagens são enviadas por meio do WhatsApp e do Facebook Messenger, 3,8 milhões de consultas são feitas no Google, 347.222 posts são visualizados no Instagram e quase um milhão de dólares são gastos na internet.
 
Desafios atuais

Recentemente, novas regras sobre direitos autorais online foram votadas e aprovadas na União Europeia. Elas definem que cópias de conteúdos protegidos por direitos autorais sejam submetidas à responsabilidade dos sites onde os conteúdos tenham sido publicados. As punições às empresas devem fazer com que novas diretrizes, muito mais rígidas, sejam implementadas por elas.

Outras discussões importantes são as fake News (notícias falsas), o assédio online, as operações via internet de influência política internacional e a publicidade direcionada, onde dados de navegação e localização de usuários são usados para a criação de anúncios específicos para eles.

Em entrevista recente à revista Time, Berners-Lee revelou que se preocupa com esses novos fenômenos que têm tomado conta da internet, como o domínio de pequenos grupos e o compartilhamento de matérias falsas, mas também se mostrou otimista em relação ao futuro.

“Há um predomínio na atual web de homens brancos e ricos. Mulheres e minorias não estão tão bem representadas”, disse o fundador à revista, após afirmar que espera um futuro de inclusão na internet. “Meu palpite é de que nós veremos grande abundância vinda de povos indígenas, por exemplo. Vamos ver diferentes pessoas sob governos que trabalham em diferentes sentidos a bordo”, sugeriu.

Mas ainda é cedo. Berners-Lee acredita que levará tempo para que o cenário atual mude. “Eu tenho uma visão para um mundo alternativo, no qual os dados existem, mas que ficam a cargo dos próprios usuários. Onde os aplicativos são, na verdade, separados da fonte de dados”.
 
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