07/10/2020 às 18h40min - Atualizada em 07/10/2020 às 18h40min

O Nobel é delas

Lentamente as mulheres estão ganhando visibilidade Prêmios Nobel

Letícia Agata Nogueira - editado por Luhê Ramos
Igualdade é o reconhecimento público, efetivamente expresso em instituições e modos, do princípio de que um grau igual de atenção é devido às necessidades de todos os seres humanos. 

Simone Weil
 
Mulheres do mundo todo vêm lutando para conquistar seu lugar na sociedade, demonstrando que são tão competentes quanto os homens. Recentemente foi noticiado que Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna receberam o Prêmio Nobel de Química 2020 pelo desenvolvimento de um método de edição do genoma chamado Crispr.



Essa foi a primeira vez na história em que duas mulheres ganharam um Nobel em conjunto. Emmanuelle, francesa diretora do Instituto Max Planck de Biologia de Infecções de Berlim, e Jennifer, americana e professora da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), foram as contempladas desse ano.
 
O Nobel possui 5 categorias, sendo elas: química, física, medicina, literatura e paz. Entre 931 laureados (premiados) desde 1901, as mulheres representam apenas 6,1%. O menor percentual de vencedoras é na categoria de física, na qual 3 mulheres receberam prêmio, representando apenas 1% de participação. 
 
Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar um Nobel (1903) e a primeira pessoa a ganhar dois exemplares do prêmio em diferentes áreas (Física e Química), pois descobriu e pesquisou o rádio e polônio, dois elementos químicos.
 
A justificativa
O motivo da baixa representatividade de mulheres laureadas não é segredo pra ninguém: apesar dos esforços, ainda há exclusão de para elas na educação, em áreas de STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e outras carreiras.
 
Estudos mostram que as pessoas do sexo feminino que persistem em seguir as carreiras em questão enfrentam barreiras ao longo do processo, principalmente em áreas em que há maior participação do sexo masculino, pois as mulheres são vistas como ocupantes de um lugar simbólico ou marginal.
 
Não é raro ouvir por aí estereótipos que indiquem que as mulheres não gostam de matemática, não são boas em ciências, em exatas, entre outros. Essas falsas afirmações são o suficiente para fazer com que muitas delas evitem tais nichos.
 
A boa notícia
Felizmente a constante luta pela ascensão da classe feminina tem mostrado que a capacidade para carreiras STEM não se limita ao sexo masculino, mas está disponível para todos os que se interessarem pelo desenvolvimento em áreas científicas e tecnológicas.
 
Jovens e valentes
Malala Yousafzai, jovem ativista e paquistanesa, tornou-se mundialmente conhecida após ser baleada na cabeça pelo Talibã. O acidente ocorreu em 2012, quanto tinha 12 anos e estava saindo de uma aula. O motivo do acontecimento foi o fato de Malala se manifestar publicamente contra a proibição dos estudos de meninas e mulheres no Paquistão e ser uma “ameaça” ao islã.
 


Em 2014, após se recuperar dos ferimentos na Inglaterra, país para onde foi transferida após o ataque, a ativista foi a primeira pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, quando tinha 17 anos. 
 
Malala ficou anos sem poder voltar ao seu país, pois corria risco de ser atacada novamente. Finalmente em 2018 pôde visitar sua cidade natal, Mingora, no Vale no Swat, e declarou: “Fui embora do Swat com os olhos fechados e agora volto com eles abertos”.
 
Hoje a jovem escreveu o livro Eu Sou Malala, no qual conta sua história, e continua lutando fervorosamente pelo direito das mulheres e garotas aos estudos e é considerada uma heroína e inspiração para muitas pessoas.
 
Além da ativista paquistanesa, outra jovem vem ganhando a atenção mundial: Greta Thunberg. A ativista sueca de 17 anos tornou-se líder do movimento global Fridays for Future, o qual levou milhões de crianças, jovens, e adolescentes a pedir em uma só voz por atitudes das lideranças frente às mudanças climáticas.


 
Em um discurso aos líderes mundiais nas Nações Unidas, a jovem disse: “Como você se atreve? Você roubou meus sonhos e minha infâncias com suas palavras vazias”.
 
Com sua coragem e determinação, foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz, mas acabou não sendo escolhida pelo Comitê Nobel da Noruega. Entretanto, Greta pode ser indicada novamente ao Prêmio neste ano devido as drásticas mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global. 
 
O tempo
Identificadas historicamente pela sua força de vontade e determinação, as mulheres continuarão lutando pela quebra de barreiras que impeçam seu avanço como pessoa e como profissional. Com o tempo será comum enxergar sua forte presença nas esferas da sociedade e muitos ainda desfrutarão de ideias e conhecimentos que estão prestes a ser revelados.

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