13/10/2020 às 12h23min - Atualizada em 13/10/2020 às 12h23min

“Maioria das tendências ainda propagam um estereótipo de corpo ideal”, diz psicóloga Rebecca Guedes

As peças de roupas estão ligadas à personalidade, a imagem pessoal e à autoestima

Larissa Varjão - Editado por Larissa Barros
Reprodução / Instagram
As tendências de moda estão ganhando cada vez mais espaço nos dias de hoje, mas, além delas, as peças de roupas estão ligadas à personalidade, a imagem pessoal e principalmente a formação de autoestima de cada pessoa. O modo como alguém se sente ao vestir algo pode influenciar na decisão de usar ou não determinada roupa, ou então seguir a moda atual. 

Em entrevista à nossa reportagem, a psicóloga Rebecca Guedes, 25 anos afirma que os padrões de biotipo têm sido a cada dia mais desconstruídos e isso tem sido um serviço à saúde mental para todos.
 
“A maioria das tendências ainda propagam um estereótipo de corpo ideal e crenças de que existem determinados tipos de roupas mais ‘adequadas’ para cada biotipo corporal, porém esses padrões tem sido a cada dia mais desconstruídos, isso tem sido um serviço a saúde mental para todos”, disse. 

Rebecca acredita que as consultoras de imagem têm sido fundamental nesse movimento de descoberta de estilo, e por isso elas são importantes nessa fase.
 
“O trabalho das consultoras de imagem tem sido fundamental nesse movimento de descoberta de estilo, fazendo com que as pessoas sintam-se 'em casa', bem, confortáveis, encontrando-se e reconhecendo-se de forma positiva dentro de suas roupas. O movimento da autoimagem neste sentido é de realçar o melhor que existe em nós e não só de esconder o que não agrada”, explicou Rebecca.

Ainda de acordo com a psicóloga, existem ideais a serem atingidos que muitas vezes são ilusórios. Além disso, cada pessoa possui um biotipo e “talvez teremos partes que gostamos e outras não”. “E tudo bem, é assim com todo mundo. Só vemos o palco do outro e comparamos o nosso bastidor com palco do outro. Percebe como essa não é uma comparação justa? Não sabemos o que a outra pessoa passou para chegar ali, o palco só mostra os resultados e não os processos, acontece que a vida é construída por processos”, destacou. 

Para a profissional, a maioria das pessoas ainda encaram "a autoestima como um pote de ouro no final do arco-íris". No entanto, ela alega que nossa autoestima é construída ao longo das nossas vidas, por todas as nossas experiências, o que ouvimos, vemos e fazemos em relação a nós mesmos.

 
“É um sentimento que regamos com nossas atitudes diariamente. O Autoconhecimento é o que eu conheço sobre mim e sobre a minha história, a autoestima é o que eu sinto sobre mim, como eu vou amar alguém que eu não conheço?”, disse.

A modelo fotográfica Andressa Almeida, 28 anos, afirma que a moda dita a forma como nos relacionar com as pessoas, como queremos ser vistas e até mesmo como estamos nos sentindo. Para ela, grande parte da sociedade ainda segue um estilo único de mulheres "com físico super magro", apesar disso está mudando aos poucos.
 
“Quando não temos referências que conseguimos nos identificar, logo entendemos que nós é que estamos erradas e devemos nos adequar ao padrão imposto, mesmo sendo impossível. A partir daí, como que vou seguir uma tendência, por exemplo, se ela só é vista em um tipo de corpo que não se assemelha ao meu? A pressão é inevitável se a tendência não for inclusiva”, afimou.

Por fim, Andressa destaca que, para ela, estamos cada vez mais tendo consciência da importância da representatividade, pois ela está abrindo pautas de extrema importância. “Uma vez que, costumávamos normalizar os transtornos alimentares e distorções de imagem, por exemplo. Era muito normal sempre nos vermos como erradas por ter um corpo ‘normal’ e isso resultava em uma busca incansável e não saudável pela referência imposta”. 
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