16/10/2020 às 04h01min - Atualizada em 16/10/2020 às 03h31min

Tecnologia x infância

O lado bom e ruim de ter nascido na era tecnológica

Andrieli Torres - Editado por Bruna Araújo
Bigstock
Só falar em brincar de esconde-esconde, pega-pega, amarelinha, pular corda, elástico, e tantas outras, um misto de sensações surge à mente. Nascida nos anos 90, tive uma infância bastante divertida, acordava e dormia cedo, exausta, por ter corrido meia maratona apenas no quintal de casa com meus irmãos e primos. Consigo até sentir o cheiro da chuva, e o barulho de quando ela descia pela bica de casa.

Com a tecnologia chegando no Brasil, e cada vez mais acessível às pessoas mais humildes, essa realidade foi mudando. Os dispositivos móveis foram tomando conta de cada hora do nosso dia. Podíamos ouvir música com apenas um clique diretamente do botão do aparelho de MP3, era um avanço imenso, que eu acreditava que, em 2020, já estaríamos andando de carro voador.

Para o jornalista Cadu Silva, 30, apaixonado por tecnologia, os celulares atualmente são viciantes e feitos justamente para essa finalidade. Segundo ele, as cores e tudo que envolve esses aparelhos, são pensados para atrair e manter as pessoas vidradas.

”Então, basicamente, a tecnologia pode fazer muito bem, assim como muito mal. O acompanhamento dos pais é importante, o controle do tempo de uso também, assim como os conteúdos que se vê online. A internet é cheia de coisas boas e também perigos, então é bom ficar de olho e direcionar a criança para aquilo que agrega e mantê-la longe do que ou de quem queira fazer mal”, enfatiza.

Para ele, mesmo nesse tempo de pandemia “é possível  tomando - os devidos cuidados - fazer uma visita ao parque da cidade e tomar um pouco de ar livre, enquanto apresenta a criança às brincadeiras de antigamente ou jogam algum joguinho recente que dê para brincar em conjunto”, pontua.

A pedagoga Rosilene da Costa, 42 anos, dá aula para uma turminha com crianças de dois e três anos. Para ela, a tecnologia no momento atual não tem afetado o público infantil, pois é através disso que as crianças estão conseguindo se conectar à sala de aula.

Por isso, ela enfatiza que pode ser uma grande aliada, quando os pais entendem a linguagem dos professores. “Eu acredito que o desenvolvimento intelectual dessa forma não é prejudicado”. Mas complementa que as crianças perdem muito tempo no celular. “Porque a situação não é favorável a um passeio no parque, no shopping, e tudo isso foi reduzido dentro de casa”, comenta.

Rosilene diz se sentir muito triste, porque hoje vê os seus alunos com dois e três anos com uma independência absurda, quando na época dela, era apenas uma criança. “Trocam brinquedos bem legais por tablets, celulares, e os joguinhos estão ficando de escanteio, os carros e as bonecas”. Com um tom saudoso, ela lembra que brincava de esconde-esconde, pular corda e elástico com suas amigas, “a tecnologia ela passava bem longe”, disse.

De acordo com pedagoga, a educação tem muitas ferramentas para que a tecnologia não seja usada de forma negativa para o público infantil. No caso da turma em que ela dá aula, “ela [ a tecnologia ] pode ser convertida sendo usada para demonstrar as brincadeiras de antigamente como eram divertidas, através de vídeos, de uma contação de história. A tecnologia pode ser usada favorável nesse ponto sim, porque as crianças gostam muito de ver ilustrações”, conclui.

Para a dona de casa, Sandra Rocha, 42, as brincadeiras que ela mais brincava quando era criança era elástico, gostava também de brincar de comidinha, pois não tinha recursos financeiros para comprar brinquedos, nem ao menos uma boneca. “Minhas bonecas eram de tecidos que meu tio dava, uns retalhos que ele cobria sofá, eu ia e tirava umas linhas e fazia o cabelo, e aquilo ali eram as minhas bonecas”. Apesar das dificuldades, Sandra lembra com um sorriso entre as palavras, que a sua infância era humilde.Ela não tinha ao menos uma bicicleta para chamar de sua, então o que ficou presente em sua memória foi a brincadeira “adedonha”, que segundo ela, mexia muito com a mente, por ser um jogo de perguntas e respostas.

É exatamente isso que ela procura fazer com os dois filhos, Sophia, 9, e Samuel, 7, instigar o gosto por brincadeiras de antigamente, pois se preocupa com o desenvolvimento cognitivo deles. “Eu sempre fui muito preocupada deles não conseguirem se desenvolver, o intelecto, raciocínio”. Ela acha que do mesmo jeito que a tecnologia ajuda a pesquisar e encontrar respostas rapidamente, pode desencadear várias doenças, se deixar mexer no celular por muito tempo seguido. “Então eu sempre me preocupo comprar para eles jogos educativos, coleções para eles pintarem, livrinhos, cadernos, procuro comprar jogos que possam desenvolver intelectualmente", confessa.

Sandra espera que eles brinquem, e principalmente que consigam interagir com as pessoas no dia a dia, pois assim irão conseguir ser mais humanos, para quando forem mais velhos ter consciência de muitas coisas.
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