16/10/2020 às 09h27min - Atualizada em 19/10/2020 às 10h00min

Emicida: do glorioso triunfo na música aos livros infantis

Rappers também podem falar sobre sentimentos!

Matheus Barros - Editado por Bruna Araújo
Reprodução: Emicida

Leandro cresceu na Vila Zilda, Tremembé, Zona Norte de São Paulo. Perdeu o pai cedo, mas teve dona Jacira, sua mãe - que sempre fez de tudo para criar os filhos e garantir um futuro de qualidade. Batalhou muito na vida, mordeu cachorros, mas conseguiu seu triunfo. Começou nas batalhas de freestyle em que deixou de ser Leandro Roque de Oliveira e ganhou o nome de Emicida, junção das palavras “MC” e “Homicídio”, pois tinha a fama de assassino entre os amigos, por ganhar todas as batalhas que participava. Lançou seu primeiro mixtape em 2009, “Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei Longe”, mas só começou a ser conhecido nacionalmente depois do lançamento de “Triunfo”, em 2008, single que foi acompanhado de um clipe que recebeu mais de 8 milhões de visualizações no Youtube. 

 

Foi um dos responsáveis por fazer o rap se tornar mais popular no Brasil, iniciando uma nova era para esse movimento, que era visto por uma ótica racista e, por isso, menosprezado e sem espaço na mídia.  

 

Hoje Leandro é rapper, empresário, desenhista e escritor, se tornou um dos músicos mais influentes do Brasil e um dos representantes mais importante da negritude nacional. Luta constantemente pela valorização da cultura negra através de suas músicas e livros. Traz sempre nas suas letras denúncias de problemas sociais e temas como o racismo, a intolerância religiosa e a homofobia. 

 

Em seu último álbum, “Amarelo”, ele aborda a depressão, a ansiedade e a importância de conversar e demonstrar sentimentos. Revela, sem perder o senso crítico, uma postura positiva, sensível, que celebra a união e a autoestima, além de convidar ao diálogo. Aqui, ele quebra uma estrutura machista e racista construída no cenário do rap, de que os rappers precisam ser sempre retratados com “cara de mau”, sem poder falar de sentimentos. 

 

O próprio já fez parte dessa estrutura, mas Leandro virou pai e isso deu a ele uma visão mais esperançosa e sensível das coisas. Deixou a cara de mau um pouco de lado e passou a compor músicas que vinham do canto mais profundo do seu interior. Virou até escritor de livro infantil e, no dia 5 de outubro de 2020, lançou seu segundo livro, “E foi assim que eu e a escuridão ficamos amigas”, que traz reflexões sobre um tema clássico que, no contexto de pandemia, se tornou mais presente na vida de todos: o medo. Também traz lições valiosas sobre igualdade e coragem; ensina que é necessário enfrentar seus medos, pois não são completamente ruins e podem sim, ser transformadores. Ele nos convida a pensar sobre a importância de conhecer melhor a nós mesmos e nossos medos e, assim, conseguir lidar melhor com os nossos sentimentos. 

 

Antes, Emicida já havia lançado o livro “Amoras”, baseado na música de mesmo nome que ele compôs para a filha Estela, que na época tinha 7 anos de idade. Nesse primeiro livro, ele aborda temas como a negritude, a representatividade, o preconceito e a autoconfiança.  

 

Seus livros são escritos para aquelas crianças que estão começando a “se procurar na história” e, assim como todo o seu trabalho, são cheios de representatividade e símbolos que valorizam a cultura negra e ajudam as crianças a se encontrarem, reconhecer o seu lugar e chegar a conclusão - assim como no livro "Amoras" - de que é bom “por serem pretinhas também”. 


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