04/05/2019 às 17h09min - Atualizada em 04/05/2019 às 17h09min

O punk não está morto no interior de Mato Grosso

Trio persiste por 13 anos e lança seu primeiro álbum

Neila Grenzel
Willian Garcia
Não é só de duplas sertanejas que se vive o Mato Grosso. Diferentes gêneros musicais resistem em meio à predominância do sertanejo. Uma prova é o power trio de punk Belina 5:15am, formado pelo guitarrista e vocalista João Aquino, o baixista Jhonatan Queiroz e o baterista Roberto Rivelino. Andando na contramão e totalmente no estilo faça você mesmo, depois de treze anos em pé, produzindo músicas autorais e independentes, lançam seu primeiro disco.

A banda tem como cidade natal a interiorana Tangará da Serra, local onde não se encontra uma circulação rockeira potente, o que sempre levantou alguns obstáculos para os jovens que desejam viver de música. Um exemplo é a falta de espaços para shows, obrigando os interessados a arregaçarem as mangas para as apresentações acontecerem. “Residência, festa de aniversário... Quando você via um cartaz assim ‘Festa do Jurere’ e tinha banda ao vivo, a gente ia lá e corria para poder tocar de graça. Só para poder tocar. Aí, uma ou duas deixavam”, conta João Aquino. 

Os primeiros ensaios da Belina 5:15am ocorreram em pátios de escolas públicas que cediam o local, e os instrumentos eram em maioria emprestados, como relembra o baterista.

Após treze anos de trabalho árduo houve alguns avanços e recompensas. Hoje o grupo possui estúdio próprio para ensaios e gravações. Os membros do trio colocaram a mão na massa, literalmente, e construíram o espaço para ensaio aos fundos da casa do baterista. Os três trabalharam na construção que levou dois anos para ser concluída.

O salto

Em 2016 ocorreu um episódio importante que auxiliou o trio a subir alguns degraus do mundo musical. Se inscreveram e foram contemplados com o programa Circula MT oferecido pela Secretaria de Estado de Cultura do Mato Grosso (SEC-MT).  Projeto qual tem a função de financiar e fomentar a cultura no Estado, principalmente em cidades do interior.

A entrada da banda no projeto Circula MT abriu novas portas. Como incentivo receberam o valor de 60 mil reais para realizaram no mínimo três shows em diferentes cidades do interior do estado. O dinheiro foi disponibilizado ao final de 2017 e no primeiro semestre de 2018 realizaram seis shows, sempre com a participação de bandas independentes da região. 

Além da quantia financeira para a realização de shows, o edital do Circula MT garantiu a gravação de um CD, a única condição imposta é de que as músicas fiquem disponibilizadas por um ano gratuitamente em plataformas digitais. E assim, ao fim de 2018, Belina 5:15 lança seu primeiro material profissional. Toda a produção do álbum foi realizada em duas semanas, em Tangará da Serra, em dois estúdios, um sendo o da própria banda.

A oportunidade de gravar profissionalmente elevou a banda a um novo patamar, que agora pôde sair das fronteiras de Tangara da Serra sem sair de casa. Como? Pela internet. Suas músicas foram incluídas em diferentes coletâneas digitais e produtoras nacionais entraram em contato, como expõe João Aquino. O vocalista conta ainda que a gravação do CD é a realização de um sonho, ficando muito satisfeito com o produto final, tanto que depois de tudo finalizado, por uma semana sua playlist musical foi dominada por suas próprias composições

O álbum da Belina 5:15am está disponível no soundclound e youtube, ao todo são 11 música que lembram as raízes da cultura punk: passagens rápidas, sede de se expressar e tocar, sem se importar tanto com formalidades e teorias. Ainda assim, não deixaram de temperar com toques da cultura regional, na canção “a marvada da cachaça” podemos ouvir o som de viola ao fundo, influência do pai do vocalista, amante da cultura caipira e tocador de viola. De acordo com o João Aquino, até o mês de junho deve acontecer um evento para lançamento oficial do CD.
 

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