16/10/2020 às 18h17min - Atualizada em 16/10/2020 às 18h09min

Nobel de Química premia duas mulheres pela primeira vez na história

A francesa Emmanuelle Charpentier e norte-americana Jennifer Doudna dividem o prêmio. Pela primeira vez desde 1901, o Nobel de Química é compartilhado por duas mulheres.

Celine Almeida - Edição: Manoel Paulo
https://www.nobelprize.org/prizes/chemistry/2020/press-release/
Foto: Divulgação Prêmio Nobel

O prêmio foi entregue para as cientistas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna no dia 7 de outubro por, segundo a Real Academia de Ciências da Suécia, terem descoberto “uma das ferramentas mais afiadas de tecnologia do gene: as tesouras genéticas CRISPR/Cas9"

A técnica desenvolvida pelas cientistas consiste na edição de genoma CRISPR/Cas9, que funcionam como tesouras que permitem que pesquisadores adicionem, removam ou alterarem sequências específicas de DNA em animais, plantas e micróbios. De acordo com a Academia, essa tecnologia revoluciona as ciências da vida e “está contribuindo para novas terapias contra o câncer e pode realizar o sonho de curar doenças hereditárias”.

CRISPR/Cas9: O que é e como funciona

Como diversas outras na ciência, a descoberta dessa técnica foi inesperada. Charpentier estudava a bactéria Streptococcus pyogenes, causadora de diversas doenças como uma faringite bacteriana comum ou mais graves, como a escarlatina. Durante a pesquisa, notou a molécula tracrRNA, até então desconhecida, tal molécula faz parte do sistema imunológico da bactéria estudada e desarma os vírus ao fragmentar seu DNA - este é o CRISPR/Cas9.

Em 2011, Charpentier juntou-se a Doudna e juntas conseguiram recriar a tesoura genética da bactéria e simplificaram seus componentes moleculares para que fossem mais fáceis de usar. Charpentier e Doudna provaram que as tesouras podem ser controladas para cortar qualquer molécula de DNA de um local predeterminado. Após o DNA ser cortado, é fácil reescrever o código da vida.

Desde então, pesquisadores de plantas utilizaram essa técnica de desenvolver safras que resistem a mofo, pragas e seca. Na medicina, estudam novas terapias contra o câncer e cura de doenças hereditárias. “Essas tesouras genéticas levaram as ciências da vida a uma nova época e, de muitas maneiras, estão trazendo os maiores benefícios para a humanidade” explica a Real Academia de Ciências da Suécia .

 

 

Mulheres e o Prêmio Nobel

O Prêmio Nobel é organizado pela Fundação Nobel e entregue todos os anos por instituições suecas e norueguesas a pessoas ou organizações que realizaram pesquisas e descobertas benéficas à humanidade.

Desde a primeira edição em 1901, apenas 23 mulheres foram premiadas em áreas científicas, entre os mais de 600 premiados nas quatro categorias da área. Na maioria dos casos, as mulheres dividem o prêmio com um ou mais cientistas homens. A literatura é a área com mais mulheres premiadas, 16 no total, seguido pelo Nobel da Paz, com 15 ganhadoras.

 

 Mulheres que ganharam o prêmio em áreas da ciência
 

- Física -

 

1903 - Marie Curie: pesquisas sobre o fenômeno da radiação

 

1963 - Maria Goeppert-Mayer: descobertas relacionadas à estrutura das camadas nucleares

 

2018 - Donna Strickland: invenções inovadoras no campo da física do laser

 

2020- Andrea Ghez: descoberta de um objeto compacto supermassivo no centro da Via Láctea.

 

- Química -

 

1911 - Marie Curie: descoberta, isolamento e pesquisas sobre o elemento rádio

 

1935 - Irene Joliot-Curie: descoberta da radioatividade artificial

 

1964 - Dorothy Crowfoot Hodgkin: cristalografia de raios X

 

2009 - Ada Yonath: mapeamento do ribossomo

 

2018 - Frances Arnold: evolução dirigida de enzimas

 

2020 -  Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna: edição de genoma CRISPR/Cas9

 

- Medicina -

 

1947 - Gerty Cori: descobertas no processo de conversão catalítica de carboidratos

 

1977 - Rosalyn Yalow: desenvolvimento da técnica de radioimunoensaio

 

1983 - Barbara McClintock: descoberta dos elementos genéticos móveis

 

1986 - Rita Levi-Montalcini: descoberta substância que estimula o crescimento de células nervosas

 

1988 - Gertrude Elion: desenvolver drogas para o tratamento da leucemia e gota

 

1995 - Christiane Nusslein-Volhard: pesquisas sobre controle genético do desenvolvimento embrionário

 

2004 - Linda Buck: trabalho em receptores olfativos

 

2008 - Françoise Barré-Sinoussi: descoberta do vírus HIV

 

2009 - Elizabeth Blackburn e Carol Greider: descoberta da telomerase

 

2014 - May-Britt Moser: estudo de células grade (Grid Cells) no córtex entorrinal

 

2015 - Tu Youyou: descoberta da artemisinina, princípio ativo contra a malária



 
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