16/10/2020 às 22h54min - Atualizada em 16/10/2020 às 22h54min

Mafalda: O legado de Quino à humanidade

A morte do cartunista argentino e as lições que Mafalda ensinou à sociedade

Letícia Agata Nogueira - Editado por Luhê Ramos
Joaquín Salvador Lavado, conhecido como Quino e pai da personagem Mafalda, faleceu em 30 de setembro, aos 88 anos, causando comoção mundial e deixando grandes aprendizados através da garotinha questionadora de seis anos. Joaquín recebeu homenagem de diversos artistas ao falecer:






 
Quino recebeu tal apelido logo em seus primeiros dias de vida para ser diferenciado de seu tio homônimo que, aliás, era desenhista e o ensinou a desenhar e se encantar pela arte desde cedo. Aos 17 anos, o cartunista vendeu seu primeiro desenho animado e com o passar do tempo foi ganhando reconhecimento até conquistar o mundo com a sua maior obra prima: Mafalda
 
Suas tirinhas foram traduzidas para mais de 30 idiomas, entre o português, italiano, francês, hebraico, inglês, alemão e coreano, virando também livros e sendo protagonista de um filme produzido na Argentina e lançado em 1982. 
 
A menininha teve sua primeira tirinha publicada em 29 de setembro de 1964 na revista Primera Plana. Logo, seu “pai” faleceu um dia após seu aniversário de 56 anos. Em 1970 a personagem tornou-se um ícone na Argentina e em outros países, por demonstrar inquietação perante as injustiças que envolvem o contexto mundial.
 
Mafalda chegou a ser comparada ao personagem Charlie Brown, criado pelo norte-americano Charles Schulz, pois ambos possuem um temperamento triste e suave. A garota deixa claro seu ódio pelas desigualdades, racismo, aquecimento global, guerras convenções de adultos e até sopa. Apesar de seu inconformismo, demonstra um espírito otimista em relação ao futuro e simpatia pelos Beatles.
 
Em entrevista à FFLCH USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - Universidade de São Paulo), Barbara Zocal da Silva, mestre pelo Departamento de Línguas Modernas de FFLCH USP, explica:
 
“As tiras refletiam as inquietudes da época na Argentina e no mundo, questões políticas, econômicas, cotidianas sob uma perspectiva mais liberal e crítica, tais como a repressão no país, que passava por golpe de Estado, o imperialismo dos Estados Unidos, a chegada da televisão na casa de famílias argentinas que, por sinal, representavam o público-alvo desta revista”.
 


Conforme o exemplo acima, Mafalda tinha um grande amigo chamado Filipe. O que poucos sabem é que ele existiu na vida real, sendo o Jorge Timossi, amigo de Quino, com as mesmas características: dentes grandes, rosto comprido e cabelos desgrenhados. Jorge, que trabalhava em Cuba, ficou sabendo da criação do personagem em sua homenagem quando estava em viagem na Argélia. Além de Filipe, Quino criou, em suas tirinhas, os personagens Susanita, Guille e Libertad.
 
Com quase 2 mil tirinhas até 1973, Quino decidiu que não desenharia mais a personagem Mafalda, mas seu trabalho não parou por aí. O cartunista prosseguiu com a criação de histórias com tom político para jornais do mundo todo.
 
Apesar de sua morte, Quino deixou um legado sobre Mafalda, que até os dias de hoje tem sido extremamente útil ao alcançar públicos de todas as idades com suas mensagens relevantes e de fácil entendimento. Muitos profissionais da educação são adeptos à utilização dos quadrinhos em suas aulas, pelo fato do gênero ser eficiente e estimular a leitura. Além disso, as tirinhas são facilmente encontradas em livros didáticos e provas de vestibular, lidando com sérias temáticas de forma humorística e crítica.
 
Quino se foi, mas permanece presente em sua mais querida personagem, levando engajamento político e senso crítico às mais diversas faixa etárias.

Confira alguns de seus quadrinhos:







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