17/10/2020 às 10h03min - Atualizada em 17/10/2020 às 09h19min

Emily em Paris divide opiniões e internautas criticam estilos ultrapassados

Repercussão da série ainda abriu espaço para a discussão sobre padrões de consumo

Adriane Cristhine - Editado por Larissa Barros
Reprodução / Instagram
A série Emily em Paris está sendo um dos lançamentos mais comentados neste ano, tanto pelo abuso de estereótipos, quanto pelo figurino que divide opiniões. Após seu lançamento pela Netflix, a série criada pelo americano Darren Star, e protagonizada pela atriz Lily Colins, que dá vida à Emily Cooper, precisou de poucos dias para levantar questionamentos sobre cultura e o mundo da moda.

Desde o dia 02 de outubro, internautas compartilham as composições de Field enquanto debatem sobre os estereótipos adotados na vida e nos looks da personagem. O enredo da primeira temporada começa quando Emily, uma garota de Chicago que atua em uma grande companhia de marketing, é enviada para Paris a trabalho. 

A série é marcada por looks similares aos de títulos como Gossip Girl e outras comédias românticas, e seus elementos visitam a moda clássica da alta-costura parisiense, além de misturar tendências e clichês como cores vivas, boinas e o mix de estampas. 

A profissional encarregada pelo figurino é Patricia Field, responsável pelos modelos de Sex and the City - também criado por Darren Star - e de alguns personagens do filme O Diabo Veste Prada, de 2006. Os comentários se dividem entre considerar os modelitos como ícones fashion e ultrapassados.

Um dos questionamentos está associado à evolução da moda nos últimos anos e em como ela tem adotado uma característica cada vez mais temporal. Se propondo então a renovar suas tendências a cada estação, e agindo de maneira cíclica e instável.

No entanto, é muito provável que os looks de Emily contenham nada mais do que elementos que não estão em alta no momento, pois, apesar da noção do fashion sempre ser renovada com novas abordagens, os estilos são sempre influenciados por outros. Seja alterando cores em modelagens já bem comercializadas ou referenciando novas peças em estilos mais antigos.

Para Alessandra Ponce, estilista especialista em moda consciente e autora do livro Alinhavos - O futuro do planeta está no seu guarda-roupa, a necessidade de substituir estilos e peças surge depois da época medieval, quando a monarquia e posteriormente a burguesia eram responsáveis por ditar a moda na sociedade. 

De acordo com ela, com a Revolução Industrial essa prática foi potencializada, e após “a ascensão do fast-fashion, as marcas começaram a produzir e entregar em pouco tempo nas lojas tudo o que a gente vê de tendência nos desfiles”. Além disso, um outro motivo para algumas tendências serem consideradas ultrapassadas seria a agilidade na produção e distribuição das peças. Sendo então, uma das mudanças culturais que foram influenciadas pela indústria contemporânea, e que modificou o padrão de consumo na sociedade.

 
“Quando eu era pequena, as facilidades de aquisição não eram parecidas com as de hoje. Havia uma maior valorização do que era conquistado, os bens eram feitos para durarem”, disse Alessandra. 
A estilista ainda destaca que ter consciência deste novo padrão é importante para que se tenha a oportunidade de revisitar o passado, e resgatar práticas que apoiem os pequenos negócios de bairro, como a encomenda e o conserto de peças.

Por fim, Alessandra Ponce afirma que é possível observar essa renovação das tendências e estilos nas grandes marcas e nas lojas de departamento, mas, ela destaca que sempre haverá peças chaves da moda clássica que não deixarão de existir.

 
“Eu consigo enxergar a moda clássica na atual porque isso inclusive é para atender uma demanda de clientes que já estão acostumadas a consumir peças atemporais, justamente para suprir essa demanda das pessoas que já estão mais antenadas a um consumo consciente de moda”, finaliza.
 

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