25/10/2020 às 14h14min - Atualizada em 25/10/2020 às 13h28min

Moda e identidade caminham próximas e criam conceitos de multiplicidade

Ao formar padrões prevendo as futuras tendências, estilistas criam correntes de consumo

Lucas Victor Aureliano - Editado por Larissa Barros
Reprodução / Wall Street International Magazine

A moda e o padrão, sobretudo no século XXI, estão intrinsecamente ligados à sociedade do consumo e a necessidade de integração. Ao formar padrões prevendo as futuras tendências, estilistas criam correntes de consumo que buscam a inclusão no meio social, seja de qualquer estilo. Esse comportamento é inerente ao ser humano, como afirma o psicanalista Heinz Kohut ao que o ato de querer pertencer é uma das necessidades básicas do homem.

 

"Modus", do latim, significa costume, comportamento, em português: Moda. Estilistas fazem previsões para estações do ano e épocas festivas, estas previsões influenciam nas escolhas de compra da massa, que acompanha tais vigências e acarretam na padronização da sociedade.


"Por quê se encaixar quando você nasceu para se destacar?" disse Anna Wintour, editora-chefe da Vogue americana. Durante 365 dias no ano pessoas se vestem das mais variadas formas, tamanhos, cores e tecidos, indo de encontro a Moda vigente, a tendência do momento, isto é, encontrar um padrão e vesti-lo.

Porém, esta preocupação constante em pertencer a algum lugar influi na perda de identidade, na transformação do indivíduo em massa, público. Zygmunt Bauman discorre sobre em uma de suas obras sobre a transformação do homem em mercadoria.

 
"Se distingue por uma reconstrução das relações humanas a partir do padrão, e a semelhança das relações entre consumidores e os objetos de consumo” (BAUMAN, 2008, p. 19).
 

O autoconhecimento é de suma importância para o desenvolvimento de um estilo próprio. Ao se conectar com roupas certas de uma coleção, além de ir contra o consumismo e comprar a "tendência", ainda é possível economizar uns trocados, ajudar o meio ambiente e alimentar a auto estima.

 

Para encontrar seu estilo próprio além de conhecer a si mesmo (entender suas emoções, suas vontades e seu corpo), é interessante priorizar as cores e os estilos de roupa que você ama, isso vai de saias longas à curtas, blusas de manga à regatas, meias brancas ou chamativas e por daí em diante.

 

“A identidade torna-se uma celebração móvel: formada e transformada continuamente em relação às formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam.” (HALL,2006, p.13)

 

Achar uma inspiração é considerado fundamental, pois ter ícones para se inspirar estimula o seu senso, sua vontade de querer ter algo próximo àquele estilo, não igual, mas que siga uma linha de raciocínio. E calma, se acostume a inconstância, pessoas mudam, não quer dizer abandonar tal estilo, quer dizer desenvolver algo novo, que combine mais com você em determinada fase da sua vida.

 

A moda e a identidade estabelecem conceitos de multiplicidade e transitoriedade, uma vez que a identidade pode ser alterada de acordo com a moda, e a moda pode ser ferramenta para exposição de diferentes identidades, como diz o estudo da modelista Maria Helena Pontes: "Moda, Imagem e Identidade"

 

"Crie seu estilo visual próprio, que seja único para você, e ainda identificável para os outros." - Anna Wintour.

 
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