28/10/2020 às 14h15min - Atualizada em 28/10/2020 às 13h53min

O grau de instrução do eleitorado nas eleições municipais

" Existe, sim, eleitores menos instruídos e mais autênticos. Acredito que esses, apesar da falta de instrução, conseguem se posicionar diante dos cabos eleitorais mal intencionados’’

Pedro Mateus - labdicasjornalismo.com
Agência Câmara de Notícias
O perfil do eleitorado cearense apresentou um certa mudança das últimas eleições municipais para o pleito de 2020, quando analisamos o grau de instrução dos eleitores, pois segundo dados do tribunal superior eleitoral (TSE) houve um aumento de eleitores com um maior nível de escolaridade, dado esse que pode modificar o resultado das eleições municipais.

No começo de agosto o número oficial de eleitores foi anunciado pelo presidente do TSE, Ministro Luís Roberto Barroso. Segundo os dados, em 2020 no Ceará, 6.567.760 eleitores estão aptos a votar, sendo 3.473.629 do gênero feminino (52,89%) e 3.093.324 do gênero masculino (47,10%). Em relação às eleições de 2018, houve um crescimento de 223.277 eleitores no Estado.


                                                         

                                                                                                                                                                                      Fonte: tribunal superior eleitoral (TSE)

Em 2020 o nível e escolaridade do eleitor cearense apresentou uma pequena melhora em relação a última eleição municipal. O ensino nível médio completo do eleitorado cearense obteve uma variante representando 24,98%, seguidos do ensino fundamental incompleto com 21,98% e ensino médio incompleto com 14,67%.  Os eleitores que se declaram analfabetos obtiveram uma pequena diminuição em relação ao último pleito, passando de 8,14% para 7,93%. Em relação os que lê e escrevem foi de 17,79% para 11,90%, no ensino fundamental completo a variante foi de 5,50% para 5,59% como mostra o gráfico acima.

                                                                            
                                                                                                                                                                                         Fonte: tribunal superior eleitoral (TSE)


Já no ensino superior houve um aumento importante como pode ser visto no gráfico acima, no entanto, esse número representa uma pequena parte do eleitorado, saindo de 258.835 para 565.325 eleitores.
 
NO INTERIOR DO ESTADO
Em Ibiapina, localizada no interior do Ceará essa realidade é não muito diferente, segundo os dados do tribunal superior eleitoral (TSE) a cidade possui 17.517eleitores aptos para votar, quando analisamos o grau de instrução do eleitorado do municipio esse número apresentou uma pequena mudança.
                                                                                
                                                                                                                                                                                                           Fonte: tribunal superior eleitoral (TSE)

O número de eleitores com ensino fundamental incompleto e que lê e escrevem aparecem em maior porcentagem nas eleições municipais de 2020. Os de ensino médio completo, incompleto obtiveram um pequeno aumento em relação ao ultimo pleito, já nos eleitores analfabetos obteve-se uma pequena queda, em relação aos de ensino fundamental completo a variante foi de 5,38% para 5,69% como analismos o gráfico acima.
 
ELEITORES COM ENSINO SUPERIOR
Em 2016 Ibiapina tinha 892 eleitores com Ensino superior, já em 2020 o número passou para 972 eleitores, em relação ao superior incompleto foi de 599 para 632 , eleitores que ainda aparecem em menor número no município.
 
                                                                                          
                                                                                                                                                                                                                 Fonte: tribunal superior eleitoral (TSE)
ANÁLISE
Para Carlos Irineu, Especialista em Ciência Política e jornalista, o eleitor menos instruído sem educação política sobre o funcionamento do processo eleitoral e direitos e deveres dos políticos tem mais chances de serem manipulados durante as eleições.

“A falta de conhecimento os levam a acreditar, fielmente, em boa parte do que lhe és dito. Existe, sim, eleitores menos instruídos e mais autênticos. Acredito que esses, apesar da falta de instrução, conseguem se posicionar diante dos cabos eleitorais mal intencionados’’, ressaltou.

O especialista completa que em relação a desinformação nas eleições pessoas de todos os graus de instruções podem ser alvos.

 “Até os eleitores mais instruídos caem em fake news, dirá àqueles que possuem um grau de instrução menor já que dentro da grade curricular das escolas públicas não existe a matéria sobre educação política”, avalia.


Carlos Irineu, defende uma educação política além das escolas e universidades, como também horário político eleitoral para que se tenha um maior conhecimento do processo eleitoral e trazer o cidadão  para perto da política do país, finaliza o jornalista.
 
Pedro Mattosinhos, Consultor político na baselab.cc e mestre em economia pela Universidade Federal Fluminense, avalia que o eleitorado que não consome ou não tem acesso as informações pesquisadas, como se ver em grandes veículos de comunicação, essas pessoas acabam ficando a mercê de quem entende mais suas emoções.

“Quando a capacidade de crítica é baixa ou porque essa pessoa não tem acesso à informações de uma forma ou de outra, seja pela imprensa ou leitura, esse eleitor pode ter uma capacidade crítica na leitura baixa e isso faz com que ela seja um alvo fácil de fake news”, avalia.


O consultor ressalta que às fake News não atingem só pessoas de baixa escolaridade.  

“ fake News é algo transversal em nossa sociedade e  que em todas as camadas de instrução a gente encontra’’,destaca.

 Mattosinhos, completa que é preciso saber quais são as chaves de comunicação que o eleitorado usa e que é preciso ser analisado antes de fazer campanha eleitoral, pois segundo o especialista, é necessário saber onde se usar uma linguagem formal ou gírias.

 “se a gente não entende com quem a gente quem conversar a gente vai estar muitas vezes falando ao vento”, afirma.
Para Mattosinhos é preciso analisar o vocabulário e quais as chaves de entendimento dos eleitores, pois dificilmente esse pessoa pode te entender.

“Muitas pessoas podem te ouvir, mas poucas pessoas que irão ouvir e absorver o que você está falando como candidato”. Finaliza.

ELEITORADO
A universitária Cristiana Rodrigues que votará nas eleições municipais, diz que está acompanhando as propostas dos candidatos somente por meio da redes sociais devido a pandemia de covid -19. “Acredito que dessa forma posso ter uma visão melhor dos candidatos”, afirma.
Durante as eleições a estudante acredita que nem todos conseguem identificar uma informação falsa e as pessoas que não tem muito acesso às informações de qualidade podem acabar enganadas, a estudante acredita que a educação política devia estar presente na sociedade.

Maria Alzenir, tem 60 anos e possui o ensino fundamental completo e está acompanhado às eleições do município de Ibiapina, localizada no interior do ceará, pelas redes sociais, Alzenir acredita que para escolher um candidato é necessário avaliar o caráter e a responsabilidade diante do cargo, em relação a desinformação nas campanhas eleitorais, finaliza dizendo que nem todo eleitor é capaz de diferenciar uma notícia falsa de uma verdadeira, pois como o grande volume de informação acaba gerando dúvidas em relação as notícias, relata a eleitora.
 
 
Ismael Morais é professor de sociologia, mora na cidade de Ibiapina no interior do Ceará, afirma que acompanha as eleições municipais por meio das redes sociais e pelo site do TSE acredita que seja a forma mais viável devido a pandemia de covid-19. Sobre o grau de instrução do eleitorado nas eleições municipais, considera que falta de conhecimento ou investimento na educação pode modificar o resultado nas urnas.

“Infelizmente em relação a falta de conhecimento no sentido literal isso pode refletir sim nas urnas, pois município é sempre disputado pelo lado A e lado B e nunca chegou ninguém com uma proposta inovadora com intuito de desenvolver o município em diversos aspectos como educação ou mercado trabalho”, finaliza o professor.
 
 

 
 
 
 
 

 
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