29/10/2020 às 21h12min - Atualizada em 29/10/2020 às 21h05min

Emily In Paris: A série que imerge em estereótipos sobre franceses

A produção original da Netflix causa polêmica com a forma que retrata a cultura francesa

Lucas Lima - labdicasjornalismo.com



Sua chefe está impossibilitada de assumir o cargo de trabalho em Paris, por isso, você fica responsável em substituí-la. De repente, vê-se na cidade luz. Paisagens cinematográficas, comidas chique, guarda-roupa de desfile de moda, e ainda, pares românticos aparecendo em cada esquina. Um sonho? Esta é a vida de Emily Cooper, protagonista da nova produção original Netflix, Emily In paris.

 

A série conta a história de Emily, que se muda à Paris a trabalho, e vive uma vida invejável. Durante a trama, ela tem que se adaptar ao estilo de vida parisiense, e ao mesmo tempo, lidar com os empecilhos do trabalho e com sua nova chefe, difícil de agradar. É uma comédia romântica que intercala dramas da vida profissional com relações pessoais, amigos e paqueras, isso inserido dentro de um contexto de cultura francesa.

 

Porém, ao tentar retratar o estilo de vida francês e a cultura local, a série caiu no centro de várias críticas, realizadas principalmente pela imprensa francesa, em razão do modo como apresentou a cultura do país. 

 

Os estereótipos

 

A primeira polêmica é em relação aos estereótipos sobre franceses e europeus que a série reforça. Uma delas é sobre a preguiça das pessoas em ir trabalhar. Apesar do expediente de trabalho na França ser um dos menores do mundo, a série traz o tema de forma pejorativa, representando as pessoas como preguiçosas quando o assunto é trabalho.

 

Outro estereótipo é a respeito da higiene. Esse é o mais conhecido e disseminado entre as pessoas. Franceses são taxados com a fama de serem pouco higiênicos na sua rotina diária. Emily In Paris exalta essa característica equivocada com personagens que não tem o costume de lavar panelas e tomar banho após relação sexual, o que causa estranhamento na personagem.



 

Além desses equívocos, a série tenta criar um estilo de vida para os locais que é irreal. Culinária cara, vinhos todas as noites, roupas dignas de um desfile de moda com direito a boinas e lenços, Paris como uma cidade perfeita. São algumas das características que a produção tenta trazer como normalidade no cotidiano do francês. Partes que não são condizentes com a realidade e que foram as mais rechaçadas pela imprensa francesa. 

 

Outras polêmicas

 

Nem só os estereótipos foram responsáveis por promover críticas a série original da Netflix. Temas como assédio e machismo são trazidos como algo banal da cultura na França pela produção. A todo momento, a protagonista, se vê no centro de piadas e trocadilhos de cunho sexual, seja a seu respeito ou de pessoas ao seu redor. O assunto é tratado de forma como se fosse algo natural, o que faz a personagem ser forçada a aceitar os comentários e normalizar o seu uso.

 

Além disso, Emily enfrenta diversas situações de assédio, vinda dos seus colegas de trabalhos e de clientes da empresa onde trabalha. Franceses são trazidos como figuras sem nenhum pudor quando o assunto é sexo, e com isso, falam abertamente sobre o tema. O grande problema que foi gerado sobre esses assuntos na série foi como ela tentou normalizar essas ações e vincular isso a um modo típico do agir na cultura francesa. 



 

REFERÊNCIAS

 

AVELINO, Iara. Polêmicas Emily em Paris: Conheça as controvérsias gerada pela série. Jornal DCI, 2020. Disponível em: <https://www.dci.com.br/dci-mais/cinema-e-tv/polemicas-sobre-emily-em-paris/31129/>. Acessado em: 29/10/2020.
 

"Emily em Paris": dez estereótipos apresentados pela série que geraram polêmica. Portal Gauchazh, 2020. Disponível em: <https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/tv/noticia/2020/10/emily-em-paris-dez-estereotipos-apresentados-pela-serie-que-geraram-polemica-ckg8dauyn0048012tyjl8c7xo.html>. Acessado em: 29/10/2020.
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