01/11/2020 às 20h00min - Atualizada em 01/11/2020 às 19h44min

Moda Inclusiva: entenda a sua importância

Influencer Digital e estudante de jornalismo Carol Bastos, fala um pouco mais sobre o assunto que aborda em seu Instagram: a moda para pessoas com deficiência.

Mylena Campos - Editado por Thayane Domingos
(Foto/Reprodução: Divulgação)

Segundo o último censo demográfico Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicado em 2019, 45 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência física. Com números tão grandes, você imagina que, além dos problemas diários que essas pessoas enfrentam nas cidades por conta da falta de adaptação, eles também possuem desafios na hora de se vestir? Você sabia que uma pessoa com deficiência pode demorar até duas horas apenas para se vestir?

 

Grande parte das lojas não possui acessibilidade para um cadeirante, por exemplo. Além disso, quem tem para ou tetraplegia, sofre com o fato de que, ao comprar roupas, se faz necessário fazer bainha, pelo excesso de tecido. Assim como os deficientes visuais, que não possuem etiquetas em braile para que possam saber o tamanho da roupa, a estampa e suas características. A moda inclusiva, aborda no foco da diversidade humana. Este tema, faz um levantamento dos aspectos que o modo de se vestir afeta milhares de pessoas.


 

A rede de lojas de departamento, Riachuelo e À La Garçonne, marca cuja direção criativa é assinada por Alexandre Herchcovitch, lançaram a coleção inclusiva “Barbie À La Garçonne.


Com isso, surgiu o conceito de moda inclusiva. Ele vai além de roupas adaptadas. Com ele, o ato de se vestir não se torna mais um desafio. Essa inclusão visa o objetivo de abraçar pessoas que o mundo da moda não abraça, totalmente, ainda. Afinal, todos merecem se vestir de acordo com o que gostam, proporcionando facilidade, mobilidade, autonomia, funcionalidade e conforto.

 

A Influencer digital e estudante de Jornalismo Carol Bastos,  que através do seu instagram, ela compartilha seu dia a dia, e como ela mesma disse em um de seus vídeos no IGTV, seu objetivo é abordar três assuntos principais: moda, beleza e deficiência. A sua condição é paraplegia flácida. “Eu falo muito sobre o que essas três coisas têm em comum, e também, o que as outras pessoas podem fazer para as pessoas com deficiência se sentirem na moda, estarem na moda”, diz ela em um de seus vídeos, postados em sua sua rede social.

 

Carol Bastos, concedeu uma entrevista para o Lab Dicas de Jornalismo, confira a entrevista completa.

 

Mylena Campos: Primeiramente eu queria te agradecer muito por conceder essa entrevista para o Lab, nessa causa tão importante. Sabemos que ainda se fala muito pouco sobre a moda inclusiva. Na sua opinião, por que isso ocorre?

 

Carol Bastos: Oi Mylena! A pessoa com deficiência ainda não é um assunto, digamos assim, entre aspas, importante, para as outras pessoas. Elas só vão querer saber mais, caso tenham contato com uma.  As pessoas com deficiência e a moda inclusiva não são pautas que as pessoas saibam e entendam, porque não é uma temática tão discutida, como por exemplo, a temática LGBTQ+. Essa não é uma fala contra o movimento LGBTQ+. As pessoas têm a mania de falar que todas as lutas importam, mas nem todas as lutas são incluídas. A gente só conhece algo se tem contato com isso. As pessoas só vão ter contato com a moda inclusiva se tiverem interesse, ou se quiserem estar nesse meio.

 

Mylena Campos: O seu Instagram é recheado de vídeos de looks que esbanjam estilo, mostrando que a moda inclusiva vai muito além do que apenas roupas adaptadas. O que te motivou a começar a fazer videos assim?

 

Carol Bastos: Quando eu conheci a moda inclusiva, eu percebi que o mundo precisa conhecer ela também, mesmo que não seja daquele jeito autoritário, sabe? De um jeito leve, mas que ao mesmo tempo seja importante. Eu queria mostrar que a moda pode sim ser útil, importante, e que ela pode ser legal, única, criativa e cheia de propósito também. Uma palavra que eu prefiro ao invés de adaptada, é que as roupas sejam inclusivas em si. Que elas representem alguém. Então, para ela representar alguém, ela tem que falar com a pessoa. Então, nada melhor do que fazer vídeos mostrando as roupas que me representam né?

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Carols Bastos ♡ (@oiecarols) em

 

Mylena Campos: Você comentou em um post no seu instagram, que não fala muito sobre a sua deficiência (paraplegia flácida), por conta da falta de informações dela na internet. Isso já chegou a dificultar o seu trabalho no Instagram?

 

Carol Bastos: O fato de eu não ter muita informação da minha deficiência na internet, eu acredito que nunca me importou muito, porque eu nunca fui de querer saber sobre ela. Eu fui querer saber mais sobre ela dois anos atrás, quando comecei a adentrar nesse mundo da moda inclusiva. Apesar de não ter muitas informações na internet, eu me conheço, eu conheço a minha deficiência, do jeito que eu convivo com ela nos meus 21 anos de vida. Eu fui conhecendo a minha deficiência com as minhas experiências. Porem, isso nunca dificultou o que eu faço no instagram. 

 

Mylena Campos: Você se recorda de alguma situação, antes ou depois de ter descoberto mais sobre a moda inclusiva, no qual a moda foi a sua “inimiga”?

 

Carol Bastos: Infelizmente, sim. Eu sonho em usar um salto alto ou um Mocassim. E eu não consigo usa-los. Ano passado, no natal, eu achei um na minha numeração, e fui experimentar toda animada… mas chegando lá, não dava, não ficava tão bonito como nas outras pessoas. Eu quase chorei. Acredito que, a moda em alguns pontos, a moda, faz eu me sentir inimiga dela, sim. Mas to aqui lutando para sermos amigas! (risos)

 

Mylena Campos: Para você, qual o verdadeiro significado da moda inclusiva?

 

Carol Bastos: O real significado é humanidade. Porque a moda foi feita para pessoas humanas, e eu sou humana. As pessoas com deficiência são humanas. Então, quando você traz a moda inclusiva à tona, você retorna esse pensamento, de que a moda é humana e que ela foi feita pra servir pessoas humanas. Não pessoas feitas em laboratórios. 

 

Mylena Campos: Na sua opinião, o que o mercado da moda precisa entender de vez sobre a moda inclusiva?

 

Carol Bastos: O mercado precisa entender que as pessoas com deficiência compram! E elas gastam dinheiro. Eles estão perdendo clientes fiéis, pois quando encontramos algo que nos serve, nós só compramos ali. Digo por mim mesma! 

 

Assim como a Carol disse, o mercado da moda necessita evoluir e compreender que pessoas com deficiência continuam sendo pessoas que consomem. Porém, algumas marcas já estão caminhando para isso, como é o caso da Tommy Hilfiger, que lançou a primeira coleção de moda inclusiva em 2016, e desde então, deu continuação a sua linha, tornando-se um marco já da marca, assim como a Equal: made in Brazil, criada pela estilista carioca Silvana Louro, e oferece exclusivamente peças para pessoas com dificuldades de locomoção. 

Carols (como gosta de ser chamada), e alguns de seus posts compartilhados no Instagram. (Foto/Reprodução: Instagram @oiecarols)

Carols (como gosta de ser chamada), e alguns de seus posts compartilhados no Instagram. (Foto/Reprodução: Instagram @oiecarols)


Carols mostra em seus posts a sua versatilidade. Foto: Arquivo pessoal.


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