06/11/2020 às 13h05min - Atualizada em 06/11/2020 às 13h00min

Os impactos psicológicos do ensino remoto nos estudantes

Psicóloga Clínica dá dicas essenciais para estudantes enfrentarem o isolamento social e os estresses causados pelas aulas on-line

Diego de Marchi - Editado por Caroline Gonçalves
Reprodução: Metrópoles / Foto: Istock
Há quase oito meses, as salas de aula foram fechadas e o ensino a distância começou a ser inserido no cotidiano de alunos e professores pelo país. Com o tempo, a falta do contato físico em consequência do isolamento social, estresses e as incertezas com o futuro, se tornaram um grande dilema. Andreia Pereira, psicóloga Clínica, enxerga que a pandemia é uma realidade que não optamos começar, por isso não podemos simplesmente esquecer que ela existe.

“Nossa segurança e nossa saúde mental está no aqui e agora, fazer uma coisa por vez, estar consciente da atividade, das emoções e dos pensamentos de agora, mesmo que não sejam tão agradáveis”, disse a psicóloga.


Com tantas mudanças e incertezas, essa nova rotina não tem sido fácil, a situação e o contexto do ensino a distância faz com que os estudantes se sintam ligados o tempo todo. Além disso, muitos precisam conciliar estudo, trabalho e, ainda, tarefas domésticas.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apontou que 80% da população brasileira tornou-se mais ansiosa na pandemia do novo coronavírus.

“A principal conclusão da pesquisa foi que, nesse período da pandemia, as pessoas desenvolveram ou aumentaram – quem já tinha – sintomas de estresse, ansiedade ou depressão, afirmou Adriana Ribeiro Rosa, professora e coordenadora da pesquisa.


Os dados foram feitos nos meses de maio, junho e julho deste ano, foram ouvidas mais de 1.996 pessoas maiores de 18 anos.

Abaixo, a entrevista completa:

Qual a saída possível para o adoecimento mental dos alunos com a pandemia?

Quando nosso nível de estresse está muito alto, é preciso também aumentar nosso nível de prazer. A pandemia é uma realidade que não escolhemos começar e nem podemos mandar embora a hora que quisermos, portanto, é preciso buscar cada vez mais fazer coisas que nos tragam sentimentos de alegria, tranquilidade e prazer.


Qual a solução para o psicológico dos estudantes após meses em isolamento e as incertezas do futuro?

O futuro sempre foi e sempre será incerto, independentemente da pandemia. Nossa realidade é sempre o momento presente, tudo que temos é o hoje. É nele que escolhemos a semente e a plantamos. Nossa segurança e nossa saúde mental está no aqui e agora, fazer uma coisa por vez, estar consciente da atividade, das emoções e dos pensamentos de agora, mesmo que não sejam tão agradáveis. Essa é a solução: aceitar a realidade e lidar com ela da melhor forma possível.


Quais as estratégias para amenizar os estresses e ansiedades causados pelo isolamento social?

Deixar a rejeição de lado e buscar olhar para nós: O que gostamos? O que não gostamos? Estou fazendo meu melhor nas atividades? O que gostaria de incluir, excluir e melhorar em minha vida?


A figura do psicólogo e a contratação deles nas escolas serão benéficas às alterações emocionais dos alunos após a reabertura?

A presença do psicólogo nas escolas sempre foi necessária, e pós-reabertura seria ótima ajuda na resiliência, ou seja, no apoio para ajustar as emoções e mantê-las reguladas.


Alguns alunos e professores ainda têm receios de se abrir com um psicólogo, você acredita que isso está mudando ou vai mudar?

As crianças e adolescentes já não têm mais receio de falar com psicólogos, aliás eles estão mais conscientes que os adultos, já alguns adultos ainda apresentam algumas resistências, mas isso mudou muito e creio que irá mudar ainda mais.

 
REFERÊNCIAS:
GANDRA, Alana. Pesquisa revela aumento da ansiedade entre brasileiros na pandemia. Agência Brasil, 31/10/20. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-10/pesquisa-revela-aumento-da-ansiedade-entre-brasileiros-na-pandemia. Acesso em: 05/11/20.

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