06/11/2020 às 14h55min - Atualizada em 06/11/2020 às 14h32min

O uso excessivo de aparelhos eletrônicos durante a pandemia do coronavírus

Dor na coluna, problemas de visão e cansaço intelectual, estão entre as consequências de passar longas horas na frente de uma tela.

Yasmin Lima - Revisado por Jonathan Rosa
(Pessoa com o telefone celular nas mãos. Reprodução: Shutterstock/ iG)

A pandemia do novo coronavírus desencadeou o isolamento social, que por sua vez, provocou o uso excessivo de aparelhos eletrônicos.

Jovens, crianças e adultos passaram a ficar de frente para uma tela durante muito mais horas por dia. Os adultos tiveram que trabalhar em casa, através de computadores, os adolescentes passaram a estudar pela internet e as crianças, que agora não frequentam o ambiente escolar, passaram a usar os aparelhos eletrônicos como forma de entretenimento.

O uso da tecnologia é extremamente importante e trouxe inúmeros benefícios para a sociedade, entre eles, o fácil acesso às informações. O problema começa quando o uso de celulares, computadores, TVs e outros aparelhos eletrônicos, acontece de forma exacerbada, causando estresse e até mesmo problemas de vista.

Mesmo antes da pandemia, o uso da tecnologia já era uma peça indispensável no dia-a-dia das pessoas, mas segundo Organização Mundial da Saúde, em decorrência do confinamento, o ano de 2020 sofreu um acréscimo nos casos de miopia decorrente do uso excessivo de telas.

Embora ficar exposto a luz azul de uma tela cause problemas para qualquer pessoa, as crianças estão sendo mais afetadas, porque além de estarem em fase de desenvolvimento, elas também utilizam por mais tempo os aparelhos eletrônicos, ficando mais vulneráveis.

Mariana Rodrigues de Lima tem 8 anos e durante a pandemia passou não só a mexer no celular com mais frequência, como aprendeu a mexer no notebook, como contou a irmã mais velha Camila Rodrigues de Lima de 18 anos. "Ela sempre teve o costume de utilizar o celular, porém durante a quarentena ela começou a usar também o notebook, e isso triplicou o tempo que ela passa mexendo em aparelhos eletrônicos".

Apesar de que as crianças estejam tendo aulas remotas, a maior parte do tempo estão no celular apenas por entretenimento, tempo esse que na escola seria gasto em interações físicas com os colegas.

Uma pesquisa do
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que quanto maior o grau de escolaridade, mais tempo o indivíduo passa no smartphone. Nessa perspectiva, Matheus Batista, estudante de educação física de 20 anos, comentou seu uso de aparelhos eletrônicos durante a pandemia. "Definitivamente passei a usar por mais tempo aparelhos eletrônicos, cerca de 9/10 horas por dia, e geralmente para interação e entretenimento" destacou ele. O estudante ainda falou sobre o quanto se tornou ainda mais refém dos aparelhos "meio que se tornaram a única saída, sem poder sair pra nada e ficando muito tempo em casa e sem muito espaço pra nada, acabou que praticamente todo entretenimento possível ficou nos eletrônicos" disse ele.

Com o isolamento social também veio o trabalho remoto, Cátia Pellegrino, assistente administrativa de 52 anos, contou como foi a sua primeira experiência com essa modalidade, e apontou os pontos positivos e negativos que encontrou durante esse período. "Trabalhar em casa me fez usar aparelhos eletrônicos de forma excessiva sim. Como estava distante de todos os funcionários, tinha sempre que estar antenada e com o celular perto caso tivesse a necessidade de comunicação, já no trabalho presencial, nos comunicávamos rapidamente. Único ponto negativo que encontrei foi o aumento da minha carga horária e alguns dos pontos positivos foram: economia no combustível e no tempo, por não ter que me locomover até o trabalho. Apesar de nunca ter passado antes pela experiência de trabalhar como Home Office, me adaptei rapidamente." mencionou ela.

A fisioterapeuta (formada na Universidade de Coimbra) e psicanalista Paula Vieira, de 39 anos, alertou sobre a demasia do uso de aparelhos eletrônicos e suas possíveis consequências. "Durante a pandemia o uso dos equipamentos eletrônicos aumentou cerca de 80%, acarretando seus aspetos negativos, sendo posturas inadequadas causadas por períodos longos em frente ao computador, visão prejudicada por exposição ao Ecrã Led, cansaço intelectual maior, e exercício físico reduzido, o que causa um estresse psicológico maior."

Mesmo com a rotina de muitos voltando ao normal, ainda há muita gente em casa, vidrado no celular o dia todo. É preciso racionalizar o uso dos aparelhos e saber usar essa tecnologia para não sair prejudicado.

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