08/05/2019 às 14h06min - Atualizada em 08/05/2019 às 14h06min

Lendas guarapuavanas: a serpente embaixo da Catedral

Sandra Denicievicz - Editado por: Leonardo Benedito
Pixabay
Guarapuava é permeada por histórias do imaginário popular. As lendas da cidade são passadas de geração para geração e cada uma possui diferentes versões. Se a intenção é assustar criancinhas, a mais indicada para essa tarefa é a serpente enorme que repousa no solo da cidade.

Dizem as línguas contadoras de causos que há uma cobra gigante cujo corpo começa na Catedral Nossa Senhora de Belém e a cauda termina na Lagoa das Lágrimas. Imagine se essa serpente despertar, a confusão que não seria? Pois bem, essa também era a preocupação dos guarapuavanos e, por conta disso, foram inventadas várias versões de quando e como a cobra acordaria e, se isso acontecesse, sua fúria consumiria toda a cidade. Felizmente, a "cobrona" continua em sono profundo e Guarapuava está a salvo. No entanto, o dito popular e cultural é enriquecido de forma significativa com a contação dessa e de outras histórias.

Para ilustrar como na cidade do lobo bravo não falta criatividade, eis a história:
As crianças lá das bandas do século XX, não eram muito diferentes das atuais. “Matar” aula era uma prática frequente entre elas, e o local escolhido para zanzar fora da escola era justamente entre a Catedral e a Lagoa das Lágrimas. As mães e professoras acharam uma boa ideia amedrontar as crianças contando a história da serpente, quem sabe assim elas aprendiam a lição!

No entanto, o burburinho foi tão grande que a lenda se espalhou e há até quem discorde da localização do bicho. Para alguns o corpo estaria no cemitério da cidade. Enquanto dormia, a cobra se alimentaria de crianças que não eram batizadas, os corpos das criancinhas eram oferecidos por um pároco da igreja, se um dia a serpente acordasse destruiria a igreja, e sem o prédio da igreja a cidade ruiria.

A versão mais famosa da lenda diz que a serpente só seria despertada quando a estação ferroviária da cidade estivesse pronta. O apito do primeiro trem enfureceria o bichano e faria com que a cobra destruísse tudo que estava pela frente. Como o fato não se concretizou, foi preciso inventar outra continuação para que a lenda não se perdesse. Os guarapuavanos passaram a dizer então que se a Catedral fosse demolida para a construção de uma nova, aí sim o animal acordaria. O curioso é que a demolição quase aconteceu, porém, foi impedida por quem acreditava na lenda da serpente.

Sem a demolição, finalmente a cidade estava salva da fúria do bicho para sempre, dizem até que, lá pelo ano de 2005, os restos da serpente foram encontradas no antigo cemitério. Será que a lenda teve seu desfecho final, ou mais alguma versão vai surgir daqui alguns anos?

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