09/11/2020 às 22h45min - Atualizada em 09/11/2020 às 22h42min

Domènec Torrent não é mais técnico do Flamengo

Treinador catalão não resiste a goleada sofrida contra Atlético-MG

Felipe Sousa - editado por Wesley Bião
Domènec Torrent comandou o clube em apenas 26 jogos (Foto: Marcelo Theobald)
Após 101 dias, chegou ao fim a era Domènec Torrent no Flamengo. O clube carioca demitiu o treinador catalão no início da tarde desta segunda (9), um dia após a goleada sofrida diante do Atlético Mineiro em Belo Horizonte. Além de Dome, também deixam o clube o auxiliar Jordi Guerrero, o analista de desempenho Jordi Gris e o preparador físico Julian Giménez.

Domènec Torrent comandou o Flamengo em 26 jogos, com 15 vitórias, cinco empates e seis derrotas – um aproveitamento 63,8%. Sob o comando do catalão, o clube marcou 42 gols e sofreu 36. O rubro-negro já confirmou um novo treinador: Rogério Ceni assumiu o comando do clube até o fim de 2021.

Goleadas sofridas, desfalques e pouco tempo para treinar: a passagem de Dome pelo Flamengo

Após ter sido surpreendido pela saída de Jorge Jesus rumo ao Benfica em julho, o Flamengo decidiu investir em um novo técnico europeu na expectativa de repetir o êxito do português na Gávea. Após recusas de Leonardo Jardim e Carlos Carvalhal, os dirigentes Marcos Braz e Bruno Spindel fecharam com Domènec Torrent, ex-treinador do Ney York City (EUA) e que havia sido assistente técnico de Pep Guardiola entre 2006 e 2018.

Os primeiros jogos do catalão no comando do Flamengo foram turbulentos: após derrota na estreia contra o Atlético-MG no Maracanã, os cariocas foram goleados pelo Atlético-GO por 3x0 fora de casa, o que trouxe as primeiras críticas ao trabalho de Domènec. Em contraste ao antecessor Jorge Jesus, o treinador apostou no rodízio para descansar os jogadores e driblar a sequência de jogos, algo que também foi questionado por parte da imprensa e da torcida.

Depois de resultados mais sólidos contra Santos, Bahia e Fluminense, Dome sofreu seu primeiro grande baque no retorno da Libertadores após a parada causada pela pandemia: na altitude de Quito, o Flamengo foi goleado por 5 a 0 pelo Independiente Del Valle, a pior derrota do rubro-negro na competição continental. O técnico catalão balançou no cargo, mas Marcos Braz bancou a permanência de Domènec no clube.

O Flamengo conseguiu a reabilitação depois de vencer o Barcelona-EQU em Guayaquil, mas agora todo o elenco tinha mais um adversário: a Covid-19. Os casos positivos se multiplicaram no elenco, comissão técnica e diretoria, o que obrigou o Fla a mandar uma equipe composta majoritariamente por jogadores da base para enfrentar o Palmeiras pelo Brasileirão. Os garotos arrancaram o empate por 1x1 e, dentre os atletas, dois se mantiveram no time profissional: o goleiro Hugo Souza e o zagueiro Natan.

Enquanto Domènec e os jogadores infectados se recuperavam, o Flamengo se virou com meninos da base: o time goleou o Del Valle no Maracanã pela Libertadores e encaminhou a vaga no mata-mata; pelo Brasileiro, emplacou uma boa sequência sobre Athletico Paranaense, Sport, Vasco da Gama e Goiás. A goleada por 5x1 sobre o Corinthians em São Paulo foi, possivelmente, a melhor partida do clube sobre o comando de Domènec Torrent.

Apesar da sequência positiva, o setor defensivo apresentava problemas: não sofreu gol em apenas três jogos sobre o comando de Dome: no empate por 2x2 contra o Internacional, por exemplo, os dois gols colorados saíram de falhas da defesa. E, quando o ataque não conseguiu mais resolver, as fragilidades do time foram expostas, como na goleada de 4x1 sofrida contra o São Paulo, no Maracanã. Mesmo após a classificação contra o Athletico Paranaense pela Copa do Brasil, a segunda goleada seguida no Brasileirão contra o Atlético-MG foi a gota d'água para os dirigentes do Flamengo.

Durante sua passagem, Domènec Torrent fez questão de apontar a necessidade de tempo para desenvolver o trabalho e fez críticas ao calendário do futebol brasileiro. Outros pontos, como as críticas abertas ao condicionamento físico dos atletas do Flamengo, ainda no começo da passagem no clube, também causaram polêmica, assim como as respostas ríspidas à imprensa após o jogo contra o São Paulo. Agora, com as quartas de final da Copa do Brasil e as oitavas de final da Libertadores à vista, o Flamengo vê em Rogério Ceni a esperança de reativar o futebol que encantou os torcedores no ano passado.

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