18/11/2020 às 09h34min - Atualizada em 18/11/2020 às 09h32min

A busca pela inclusão: o dia-a-dia dos deficientes auditivos

A luta das pessoas surdas contra preconceitos, e a busca por mais respeito e inclusão

Diuína Santos - revisado por Jonathan Rosa
(Símbolo acessível de Libras. Reprodução: Fundação Librasol)


No Brasil existem 10 milhões de cidadãos com deficiência auditiva ,segundo a Agência Brasil. E esses números trazem lutas e preconceitos que os deficientes auditivos vem enfrentando em busca de mais respeito e inclusão.

Sâmila Karen, é surda Oralizada (que apesar de possuir algum nível de deficiência, consegue emitir sons graças ao auxílio de fonoaudiólogos.) acredita que se a sociedade tivesse mais interesse em aprender LIBRAS (Língua Brasileira de sinais) ou se os comércios tivessem placas com referência para os surdos, indicando que ali tem pessoas qualificadas para atendê-los, seria mais fácil compreender suas necessidades. Ainda segundo Karen, a falta de acessibilidade em outros lugares, como bancos, hospitais delegacias entre outros, também é um fator que deixa os surdos com pouca mobilidade no dia-dia.

Karen perdeu sua audição devido ao Sarampo, aos seis meses de vida. Ela aprendeu a falar com ajuda de profissionais da área da fonoaudiologia, e o auxílio de aparelho auditivo. Após isso decidiu dedicar sua vida a ensinar outros surdos, trabalhou como professora de Libras na escola Apada DF e no Feneis DF. Atualmente trabalha na SEE – DF na Escola Classe 03 no Gama, cidade satélite de Brasília, como professora e guia intérprete, totalizando nove anos de profissão. 

Sâmila observa que a expressão “portadora” de deficiência não é correta porque dá a impressão de que os deficientes, “portam”, “transmitam” a doença, o correto seria apenas com “deficiência”. A professora ressalta que ainda existe uma alta taxa de discriminação social contra os surdos e um exemplo disso é a baixa contratação de pessoa devido à falta de audição. “Acham que não temos capacidade, se as escolas tivessem uma disciplina de Libras dos anos iniciais ao ensino médio, com certeza seria mais fácil o acesso”, disse Karen. Na opinião dela não existiriam tantas barreiras quanto se tem hoje, e a falta de acessibilidade é uma das causas.

Sobre a consciência dos cidadãos a respeito dos deficientes auditivos, Keren relata que a sociedade está começando a entender, agora que a comunidade surda está sendo vista. “Graças a Primeira Dama Michele Bolsonaro que nos proporcionou isto”, disse ela. Que falou ainda, que hoje é mais fácil ver intérpretes de Libras em programas de televisão e jornais, tornando assim a visibilidade maior, argumentou Sâmila.

A Psicóloga Michele Sandoval atende deficientes auditivos há mais de 15 anos, diz que o acolhimento destes pacientes surdos é muito importante, ela é CODA (filha ouvinte de pais surdos) e convive até hoje na comunidade surda, o que lhe deu muito conhecimento da cultura e identidade dos deficientes.

Segundo a psicóloga, a maior demanda no consultório, é pela dificuldade de se comunicar com a própria família, já que por terem parentes não surdos, e sem conhecimento de LIBRAS, muitos acabam criando uma linguagem própria para a comunicação, mas isso não é suficiente, já que no dia-dia em sociedade a comunicação inventada pelos familiares não será totalmente eficaz. "Vejo que os surdos se sentem confiantes por iniciar um tratamento terapêutico”, relatou Michele.

Muitos deficientes auditivos são discriminados na escola, nos atendimentos públicos, em um processo seletivo de emprego e até mesmo dentro da própria casa. Ainda segundo Michele, infelizmente é muito comum encontrar surdos com dificuldades na língua portuguesa e isso dificulta muito na comunicação com pessoas ouvintes.

           Informações importante sobre a comunidade surda:

•         A Libras - Língua Brasileira de Sinais foi reconhecida em 2002. (INTERLEGIS)

•         A Língua de Sinais não é Universal, cada país tem a sua própria língua.

•         No dia 26 de setembro é comemorado o Dia Nacional do Surdo

•         A população Brasileira é composta por mais 10 milhões de surdos. (Agência Brasil)

 


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