19/11/2020 às 17h10min - Atualizada em 19/11/2020 às 16h53min

Lewis Hamilton: A luta dentro e fora das pistas

O piloto é o principal nome da Fórmula 1 e já quebrou recordes de Michael Schumacher

Tamires Zinetti - editado por Wesley Bião
Lewis Hamilton se tornou uma das maiores vozes pela luta a favor da diversidade em 2020 (Imagem: Dan Istitene/Getty Images)
Depois de quebrar os principais recordes e ser heptacampeão da Fórmula 1, Lewis Hamilton, aos 35 anos, segue como um dos principais líderes da categoria ao promover a diversidade e combater o racismo. O inglês é o primeiro negro a disputar uma corrida da categoria e em um ano marcado pelo movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam), ele usou sua influência na modalidade para trazer luz ao debate na modalidade sobre inclusão, e tem cobrado tanto dos diretores quanto dos rivais de pista. O piloto busca inspirar as futuras gerações, já que a categoria é dominada por profissionais brancos e europeus.

O ativismo ajudou Hamilton a se engajar cada vez mais e protagonizar cenas jamais vistas nas corridas. Em julho, ele tentou organizar um protesto coletivo para que os pilotos se ajoelhassem antes da prova, mas Charles Leclerc, Max Verstappen, Kimi Räikkönen, Carlos Sainz, Daniil Kvyat, Antonio Giovinazzi e Kevin Magnussen, não aderiram.Em seguida no GP da Toscana, na Itália, Hamilton subiu ao pódio com uma camiseta que cobrava a prisão dos policiais que atiraram e mataram a americana Breonna Taylor. Com tamanha repercussão a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) proibiu o uso de outras vestimentas que não fossem o macacão usado pelos pilotos.  

Ao contrário do que vimos na NBA, onde os atletas e a federação apoiavam a luta antirracista, Hamilton é deixado a mercê, e não encontra ajuda necessária dentro da federação automobilística. “Estou em um esporte dominando pelos brancos e, como você sabe,  tem de ter  muito cuidado com a forma que aborda isso, o que você diz, porque as pessoas vão usar suas palavras contra você na maioria das vezes”, disse em uma entrevista ao jornal britânico, The Guardian.

Fora das pistas, o britânico também participou presencialmente de manifestações desencadeadas pela morte do americano George Floyd, em maio deste ano, em Minneapolis, nos Estados Unidos, quando um policial branco o sufocou com o joelho durante oito minutos. “Assistir aqueles oito minutos e 30 segundos, como para outras pessoas, trouxe tanta emoção que nem tinha percebido que havia reprimido isso ao longo do tempo”, contou.

Dentro da Mercedes, convencidos pelo piloto britânico, a equipe foi a primeira dentro da Fórmula 1 a prometer a neutralização do carbono que emite e também conseguiu com que a equipe levantasse a bandeira da sustentabilidade e não usasse mais garrafas plásticas. Por um pedido do próprio Hamilton, em que houvesse mais diversidade na equipe, a equipe alemã promoveu uma investigação interna, onde descobriu que somente 12% de mulheres e 3% não-brancos trabalham ali, em uma organização com mais de 1000 pessoas. A construtora, nesse período, mudou o layout dos carros, ao invés da prata tradicional, o preto ganha a vez até 2021. “Escolhemos correr com um layout totalmente preto, como uma promessa pública para melhorar a diversidade da nossa equipe, e uma declaração clara de que, nos posicionamos contra todas as formas de discriminação”, declarou.

Em seguida, Hamilton, fez o mesmo com a categoria em que corre. Ajudou em um projeto da promoção da diversidade dentro da Fórmula 1, chamado We Race as One(corremos como um só). Como parte do projeto houve a colocação de um adesivo com as cores arco-íris, no GP da Áustria, visando combater a homofobia. Segundo a direção da categoria, foi uma maneira de aproximar diferentes comunidades.

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