10/05/2019 às 08h16min - Atualizada em 10/05/2019 às 08h16min

Sorria, você está sendo filmado!

A sociedade do espetáculo apresentada pela série Black Mirror

Pâmela Dias - Editado por: Leonardo Benedito
Divulgação
CONTÉM SPOILERS!

Ficção científica. Tecnologia. Futuro próximo. Realidade. A partir desta sequência de palavras é possível definir as mensagens transmitidas em cada episódio de Black Mirror, série britânica criada pelo roteirista Charlie Brooker, em 2011, e atualmente transmitida pela plataforma de streaming Netflix. O seriado possui ao todo 4 temporadas e, em cada um de seus episódios, apresenta diferentes histórias e elencos, além da temática do aprimoramento científico, onde a natureza humana e a tecnologia de ponta entram em um perigoso conflito: a dependência das mídias digitais e a formação de uma sociedade do espetáculo.

Falar sobre Black Mirror é falar sobre como a sociedade se tornou escrava da tecnologia. Desde a primeira temporada, a história tem chocado os telespectadores por retratar, sem pudor, o quanto as mídias interferem na forma como nos comunicamos e vivemos. Ao mesmo tempo em que todos os avanços desenvolvidos facilitam a vida das pessoas com a comunicação em tempo real, interações e engajamento, ela tem o poder de destruir reputações, alimentar vícios e desencadear o medo.

No meio de tantos episódios inacreditáveis, White Bear (segundo episódio da segunda temporada) pode ser considerado um dos mais aclamados pelo público. A história retrata a vida de Victoria Skillane, condenada pelo sequestro e assassinato de uma criança junto com seu namorado. No entanto, a protagonista é quem acaba se tornando refém da população ao filmar toda a tragédia e enviar aos pais da garotinha. O resultado do crime após o vazamento nas redes concretizou o ditado: olho por olho, dente por dente.

Em uma sociedade completamente alienada pela TV e escrava dos aparelhos eletrônicos, a punição dada a Victoria é o aprisionamento. Diariamente ela tem suas lembranças apagadas e é torturada pelo White Bear Justice Park, parque de diversões para as pessoas que desejam ver, 
literalmente, a justiça sendo executada. O sofrimento da mulher é filmado, consumido, fotografado e compartilhado, a fim de que não seja esquecido da barbárie cometida sem piedade contra uma criança indefesa. Mas, por que o telespectador deveria sentir pena dela se a vingança encenada traz o conforto necessário para amenizar a morte de uma inocente?

Nesta pergunta encontra-se a peça chave do enredo. Quando o público começa criar empatia pela protagonista, ele é lembrado de que a Lei de Talião pode ser executada com um simples clique em seu smartphone e, assim, assemelhasse a presente realidade da sociedade do espetáculo veiculada nas mídias: sorria, você está sendo filmado!
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