22/11/2020 às 16h48min - Atualizada em 22/11/2020 às 16h37min

Em tempos de eleições, confiabilidade das urnas volta em debate

Usada desde 1996 no Brasil, urna eletrônica nunca teve comprovação de fraude

Larissa Campos - Editado por Camilla Soares
Na imagem, pessoa seleciona o botão "confirma" em uma urna eletrônica - Foto: Tribunal Superior Eleitoral
Com a recente eleição dos Estados Unidos, onde Donald Trump acusou a existência de fraude no pleito, e a intenção do presidente Jair Bolsonaro em modificar o sistema de voto no Brasil para o impresso, a discussão sobre as urnas eletrônicas serem ou não confiáveis paira no ar.

As urnas eletrônicas começaram a ser usadas no Brasil a partir de 1996, substituindo de forma gradativa o voto em cédulas de papel. Seu modelo é um projeto único, criado exclusivamente para a realidade nacional. Os aparelhos contam com um sistema próprio, produzido por técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e não tem conexão com a internet ou redes externas.

De acordo com o TSE, o processo eletrônico de votação possui um mecanismo de criptografia digital, usado para garantir que o arquivo digital possa ser verificado como certificação de que o programa de computador não foi modificado de forma intencional, ou não perdeu suas características originais por falha na gravação ou leitura.

Somado a isso, a assinatura digital é outra função criada como forma de segurança. Ela é utilizada para assegurar a autenticidade do programa, ou seja, confirmar que o programa tem origem oficial e foi gerado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Já o resumo digital, também chamado de resumo criptográfico ou hash, é um algoritmo utilizado para garantir a integridade do documento eletrônico.

Há também o Registro Digital do Voto (RDV), no qual os votos dos eleitores são registrados na urna.  É a partir desse arquivo que é emitido o relatório zerésima – que indica que a urna não possui votos registrados, comprovando que todos os candidatos que concorrem não receberam nenhum voto até aquele momento. Também, com base no RDV, é gerado o Boletim de Urna (BU) – relatório com a apuração dos votos da seção.

Além desses mecanismos, a segurança do sistema eletrônico de votação é feita em camadas. Dessa forma, qualquer ataque ao sistema causa um efeito dominó e a urna eletrônica trava, não sendo possível gerar resultados válidos.

Voto impresso: solução ou retrocesso?

O presidente Jair Bolsonaro questionou neste mês a confiabilidade das urnas eletrônicas. De acordo com ele, "o voto impresso deve ser realidade em 2022” no Brasil.

Segundo Douglas Leal, mesário desde as eleições de 2018, as urnas eletrônicas são muito confiáveis, não havendo possibilidade de fraude. Para ele, o sistema de voto impresso dos Estados Unidos, por exemplo, além de não ser confiável, é extremamente demorado.

Douglas afirma ainda que a falta de confiança de determinadas pessoas em relação às urnas é devido ao desconhecimento do sistema eleitoral brasileiro.
 

“Há governantes que alimentam teorias da conspiração e grande parte da população com baixa escolaridade acredita nessas teorias e conspiram contra o processo eleitoral democrático. Precisam conhecer mais o sistema eleitoral nos seus detalhes e há a necessidade de investimentos maiores em educação”, explica.


Nesse sentido, Leal vê a necessidade apenas de melhoria no processo eleitoral, destinando investimento a infraestrutura e melhor formação aos mesários.

Rejane Cristine Nascimento, participante como mesária nas eleições 2020, concorda que as urnas eletrônicas são confiáveis, mas confessa que não tinha segurança no sistema antes de participar como mesária. “Eu acredito que as pessoas não confiam nas urnas eletrônicas por falta de conhecimento, porque eu também não tinha e por isso não confiava. Eu acho que é preciso criar uma cultura nos brasileiros em questão de informação”, afirma.

Opinião pública

Uma pesquisa realizada em 2018 pela Avast, com participação de 1.595 brasileiros, revelou que 91,84% dos cidadãos acreditam que o sistema eletrônico de votação pode sim ser violado. No entanto, de 2018 para cá a opinião pública pode ter mudado.

Para Andreza Couto, o sistema de votos brasileiro é confiável, já que, em sua opinião, a chance de manipulação é mínima. Além disso, Andreza destaca a rapidez no processo como um ponto positivo.

Assim como Andreza, Beatryz Gaia também afirma ter segurança em relação às urnas. “Acho mais seguro e mais rápido também, diferente dos EUA, por exemplo, que demoraram dias para apurar os votos. Aqui no Brasil no mesmo dia tem o resultado por causa do sistema de voto por urna eletrônica. Sobre a confiança, como as urnas não ficam em rede, fica mais difícil de hackear”, declara.

Já para Daniela Alvez, o sistema eletrônico é de fato confiável, mas a rapidez na computação dos votos é algo negativo e que poderia ser modificado por meio de um aumento do prazo. Além disso, Daniela não vê o voto impresso utilizado nos EUA como pouco confiável. “Eu acredito que cada um dos países fez [o sistema de voto] de acordo com o que viu mais confiável”, destaca.
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