27/11/2020 às 10h15min - Atualizada em 27/11/2020 às 10h10min

Novos casos de Covid-19 disparam nos Estados Unidos

Em meio à segunda onda, os números de infectados e internações vêm batendo recorde no país americano

Diego de Marchi - Editado por Ana Paula Cardoso
Reprodução/CNN International
A pandemia do novo coronavírus atingem os Estados Unidos com mais força nessa segunda onda de contágio, os casos explodiram em comparação com a primeira onda de infecções em março. Novos diagnósticos positivos deram um salto desde o fim de outubro, no último dia 20 de novembro, foram registrados quase 200 mil novos casos e dois mil óbitos, segundo o monitoramento da universidade americana Johns Hopkins.

Com o fim do ano se aproximando, festas de Ação de Graças, Natal, Réveillon e, ainda, a chegada do inverno no hemisfério norte, faz com que as altas internações por Covid-19 preocupem ainda mais. Os números de novas internações também aumentaram, mais de 93 mil pessoas estão hospitalizadas, esse é o 16° dia consecutivo de recorde deste índice, de acordo com o Covid Tracking Project.

O Texas, no sul do país americano, é o estado com mais casos confirmados: mais de um milhão e duzentos mil infectados. Em seguida, vêm o estado da Califórnia, com um milhão e cem mil, e a Flórida, com 992 mil casos. A pandemia segue sem controle no país, e 
de acordo com uma contagem de dados oficiais da Reuters,
30 dos 50 estados relataram um número recorde de hospitalizações relacionadas à Covid-19 neste mês. O governador do estado de Wisconsin, Tony Evers, declarou na última sexta-feira, 20, emergência de saúde pública, após um grande disparo de casos.

Segundo Rodrigo Lins, jornalista e escritor residente em Orlando, estado da Flórida, o controle e enfrentamento da pandemia nos Estados Unidos depende dos estados americanos que detém autonomia e grande parte da logística e inteligência para o enfrentamento da situação pandêmica. “A Casa Branca divulgou um plano nacional de reabertura do comércio e flexibilização das regras, porém coube a cada governador acolher ou não o plano. Alguns estados, como a Flórida, onde o governador é republicano, o plano está sendo aplicado e o governador já anunciou, nesta semana, que não pretende fazer um novo lockdown no estado”, disse.

Na cidade de Nova York, as restrições para frear a segunda onda da Covid-19 começaram no dia 13 de novembro. Bares, restaurantes e academias de ginástica fecham a partir das 22h. A cidade conta com 645 mil diagnósticos positivos e 34 mil mortes. No estado de Nova York, o governador Andrew Cuomo anunciou que todos os estabelecimentos autorizados a vender bebidas alcoólicas, incluindo bares e restaurantes, terão de fechar às 22h.


Para Lins, existem estados americanos que autorizaram a reabertura de bares, restaurantes e escolas – em nível presencial de ensino, mas agora, após monitorarem aumento de novos casos e novas internações, retrocederam, como Nova York, por exemplo.

“Os EUA são o país que mais realiza testagem e, isso, na avaliação de especialistas americanos podem levar ao alto número de casos confirmados. O certo é que a dinâmica um tanto quanto conflituosa de relações entre governadores de cada estado e o governo federal, podem ter contribuído para que a pandemia alcançasse a grande dimensão de mortes e contaminação aqui nos Estados Unidos”, explica Rodrigo Lins.
 
Biden x Trump
 
Joe Biden, do Partido Democrata, venceu o presidente atual republicano, Donald Trump, nas eleições do dia três de novembro. A equipe de transição de Biden começou a preparação do combate ao coronavírus, com uma grande força-tarefa, envolvendo médicos e especialistas em saúde pública. Em sua conta oficial no Twitter, Biden escreveu “Não serei presidente até 20 de janeiro, mas minha mensagem hoje para todos é esta: usem uma máscara. Usar máscara não é uma declaração política – é um dever patriótico”.

“Tudo dependerá da capacidade do novo presidente em dialogar com os governos estaduais na ofensiva contra a pandemia. O certo é que Biden, ancorado no discurso da ciência, não coloque em debate o nível letal da pandemia e não conteste fatores já reconhecidos pela ciência mundial, em relação ao coronavírus. Esse discurso mais científico pode estimular os americanos a, de fato, passarem a se preocupar mais com a questão a aderir expressivamente às orientações médicas, para evitar a propagação do vírus no país”, detalha Lins.

Para os especialistas em saúde, Trump poderia pedir diretamente aos americanos a usarem máscaras e incentivar governadores republicanos a reforçarem medidas para diminuir a propagação do novo coronavírus. Porém, o presidente minimiza a pandemia, e se mantém ausente. Além disso, Trump estava impedindo a transição de Biden e Harris, com a recusa em admitir a derrota nas eleições.

Os Estados Unidos esperam iniciar a vacinação no próximo mês, de acordo com o chefe do programa de vacinas dos EUA, Moncef Slaoui. Consultores da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, vão discutir no dia dez de dezembro se autorizam a vacina de uso emergencial contra a Covid-19, desenvolvida pela Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech. Se aprovada, o plano do governo é enviar as doses para os estados em até 24h.

REFERÊNCIAS:
LO PRETE, Renata. O Assunto #321: Explosão de Covid-19 nos EUA. Portal G1, 12/11/2020. Disponível em:  https://g1.globo.com/podcast/o-assunto/noticia/2020/11/12/o-assunto-321-explosao-de-covid-19-nos-eua.ghtml. Acesso em: 23/11/2020.
Covid-19 Tracking. Projeto de rastreamento COVID. CovidTracking, 27/11/2020. Disponível em: https://covidtracking.com/data#state-fl. Acesso em: 27/11/2020.
Casos de Covid-19 avançam em Nova York e EUA bate novo recorde de contaminações. Uol, 30/10/2020. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2020/10/30/casos-de-covid-19-avancam-em-nova-york-e-eua-bate-novo-recorde-de-contaminacoes.htm. Acesso em: 24/11/2020.

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