28/11/2020 às 20h21min - Atualizada em 28/11/2020 às 20h12min

Peru enfrenta crise política

Entenda o que está acontecendo com o nosso vizinho sul-americano

Gabriela Pereira - Editado por Ana Paula Cardoso
O país tem passado por instabilidades na política, chegando a ter três presidentes em uma semana. Manifestantes saíram às ruas por dias seguidos e sofreram repressão policial. Houveram duas mortes e mais de cem pessoas saíram feridas.
 
CONTEXTO HISTÓRICO

Acontece que no Peru, existe a ausência de partidos bem definidos. Durante mais de dez anos, o país teve todos os seus presidentes envolvidos em escândalos de corrupção.

A crise pode ser avaliada em alguns eventos subsequentes, o resultado das eleições de 2016, envolveu investigações com membros do governo e até o então presidente eleito Pedro Pablo Kuczynski, com a divulgação dos escândalos de corrupção envolvendo o poder judiciário do país.

Pedro Pablo renunciou ao cargo após ter seu nome envolvido nos casos de corrupção e quem assumiu foi seu vice Martín Vizcarra que sempre teve problemas com o congresso. Vizcarra chegou até a dissolver o poder legislativo e convocar novas eleições.

Para o peruano Horacio G Priale, advogado e doutor em direito, professor de direito e desenvolvimento na PUC Peru “o período foi caracterizado por confrontos permanentes entre o Congresso e o Poder Executivo. O Peru tem um congresso unicameral”.
 
A SITUAÇÃO PIORA

Durante todo esse período conturbado, o Congresso tentou abrir um processo para afastar o presidente, mas não conseguiu votos o suficiente para dar andamento. No entanto, Vizcarra foi apontado em esquemas de corrupção quando ainda era governador no sul do país e um processo de vacância foi aberto.

O presidente foi destituído do cargo pela acusação de incapacidade moral permanente. Com sua saída, o presidente do legislativo Manuel Merino assumiu o cargo.

Merino faz parte do partido de oposição, e após assumir o cargo surgiram protestos fervorosos por todo o país. Os manifestantes, em sua maioria jovens, foram às ruas pedir por uma reforma constitucional.

MANIFESTAÇÕES

“Os jovens não veem um projeto de país, não se sentem representados pela classe política, nem pela esquerda nem pela direita. Trata-se de um poço profundo de falta de representatividade que une os jovens e que está despertando neles um sentido geracional para a ação política que se traduz em uma nova moralidade, uma nova utopia, um novo decálogo de conduta” afirma Horacio.




Em entrevista cedida ao ELPAÍS, José, amigo de Inti Sotelo que foi morto durante os protestos afirma que “pensavam que estavam tratando com a geração dos anos oitenta, mas somos a de 2020, somos universitários, isto é outro tempo e não vai ficar assim”.

Após uma onda de manifestações, Merino renuncia ao cargo apenas cinco dias após assumir a presidência. Quem assume, é Francisco Sagasti, novo na política, ele é escolhido dentre os que votaram contra a destituição de Vizcarra para acalmar a população. Sagasti é o quarto presidente do Perú em apenas quatro anos.

CORRUPÇÃO NO PAÍS

Indo contra ao que se parece, as manifestações não são de apoio ao ex-presidente Martín Vizcarra, os protestos tem como causa a insatisfação com a política e modelo do país.

 O nome de Vizcarra foi citado na chamada “Lava Jato Peruana”, o nome do ex-presidente Pedro Pablo também foi citado, ele foi acusado de receber dinheiro de propina da empresa brasileira Odebrecht.

“O mais importante é que todas as empresas envolvidas na Lava Jato Brasil tiveram e têm obras muito importantes no Peru desde os anos 90 do século passado e isso envolveu todos os governos desde 2000. A atual crise política foi causada pela corrupção provocada pela onda de Lava Jato”, finaliza.  




REFERÊNCIAS :

F.JAQUELINE< CRISE POLITICA NO PERU ABRE DEBATE SOBRE REFORMAS DA CONSTITUIÇÃO> 23 DE NOVEMBRO DE 2020. EL PAIS. DISPONIVEL EM <
https://brasil.elpais.com/internacional/2020-11-23/crise-politica-no-peru-abre-debate-sobre-reforma-da-constituicao.html>
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