07/12/2020 às 17h24min - Atualizada em 07/12/2020 às 17h18min

Abuso infantil, um mal que tem afligido crianças brasileiras.

A violência sexual é o segundo tipo de violência mais comum entre crianças de zero a nove anos, com 35% das notificações, está atrás apenas da negligência e abandono com 36%

Por Ynara Mattos - Editado por Camilla Soares
Sirlene Ferreira (Psicóloga); Eliane Rodrigues (Analista Corporal); Patrícia Souza (Psicóloga)
Foto: Divulgação Veja Abuso infantil: a violência sexual representa 35% das notificações de agressão contra crianças de zero a nove anos

“É impossível corrigir abusos ao menos que saibamos o que está 

acontecendo.” - Julian Assange

 

O abuso infantil ainda tem deixado muitas vítimas ao redor do Brasil. A violência contra crianças consiste desde maus tratos, negligência, exploração imprópria ou ilegal, abandono até a violência sexual, que acontece através de atos físicos como: toques nos órgãos genitais, tentativas de relações sexuais, masturbação, sexo oral e penetração. Na maioria das vezes o abusador está no ambiente familiar, onde possui a confiança da família e está acima de qualquer suspeita. Amigos da família, pessoas com algum grau de parentesco ou até mesmo os próprios pais. 

 

A violência sexual é o segundo tipo de violência mais comum entre crianças de zero a nove anos, com 35% das notificações, está atrás apenas da negligência e abandono com 36%. A violência sexual também é a segunda agressão mais cometidas contra adolescentes de 10 a 14 anos. Representando 10,5% das notificações, atrás apenas da violência física com 13,3%  (Informações segundo o VIVA, divulgado no site Veja).

 

Eliane Rodrigues Analista Corporal, compartilha: “Minha filha foi vítima de abuso sexual aos dois anos e meio de idade, por um parente próximo. O abuso ocorreu por duas vezes”. Eliane desabafa: “Naquele momento vi meu mundo desabar, mas minha reação foi levá-la imediatamente ao médico e à polícia. Ela ainda tem medo de ficar sozinha e receio de ficar perto de algum homem. Porém ainda estamos em processo constante para superar essa situação, e ela precisou de um acompanhamento psicológico". Hoje a Analista Corporal está trabalhando em um projeto, que consiste na criação de um instituto para ajudar mães e crianças que passam pela mesma situação. 

 

Sirlene Ferreira, Psicóloga explica que o abusador possui um perfil: “Nem sempre as pessoas conseguem perceber, mas o adulto que demonstra mais interesse em estar com as crianças do que com os iguais é uma característica que desperta atenção, isso não significa que um adulto que gosta de criança é um abusador, mas um adulto que evita outros adultos e se mantém no grupo das crianças pode ser um perfil de abusador. A maneira de se comunicar é infantilizada, o olhar é invasivo e estamos falando de ser humano, cada abusador também tem suas peculiaridades.”

  

A partir do nascimento, uma criança já pode ser vítima de abuso, se considerarmos que a maior parte dos abusos ocorrem em torno das crianças. Cada pessoa tem seu tempo até mesmo para expressar suas dores psíquicas, existem pessoas que levam uma vida e só no final na velhice conseguem dizer sobre os abusos vivenciados.

 

Ministério dos Direitos Humanos conclui que quase 90% dos casos de violência sexual contra crianças acontece no ambiente familiar. Mais de 70% das vítimas são mulheres, de acordo com o levantamento baseado em denúncias feito ao Disque 100. (Divulgado pelo site O Globo)


 

Patrícia Souza, Psicóloga afirma: “Os tipos de abusos infantis mais comuns são: Exibicionismo e Voyeurismo. O exibicionismo é o ato de mostrar os órgãos genitais ou se masturbar em frente a crianças ou adolescentes ou dentro do campo de visão deles. Já o voyeurismo pode ser explicado como o ato de observar fixamente atos sexuais ou órgãos genitais de outras pessoas quando elas não desejam ser vistas, obtendo satisfação sexual com essa prática. Nas relações sexuais entre adultos, tanto o exibicionismo quanto o voyeurismo podem ser práticas sexuais consentidas.

  -Exibição de material pornográfico: Geralmente, a pornografia é classificada como uma forma de exploração sexual de crianças e adolescentes, já que o objetivo dessa violência é a obtenção de lucro financeiro para o agressor ou de abuso sexual com contato físico. No entanto, quando o agressor exibe materiais pornográficos a meninas e meninos e os obriga a assistir, é uma forma de abuso sexual sem contato físico.”

 

É importante ressaltar que a violência sexual não produz o mesmo resultado sobre todas as crianças e adolescentes submetidos a ela. Além de cada criança ou adolescente reagirem de forma diferente a situações de abuso sexual, há também muitos fatores externos que moldarão o impacto que essa violência terá na vida da vítima no futuro. Alguns deles são: a duração do abuso; o grau de violência; o grau de proximidade entre o agressor e a criança, o grau de sigilo sobre o fato ocorrido e a existência e eficiência do atendimento da rede de proteção à criança e do adolescente. Cada criança vai reagir e interpretar de um jeito. 

 

“É extremamente importante saber ouvir e acolher a criança ou adolescente que passou por alguma situação do abuso sexual.  Evitar reações extremas e perguntas inquisitórias; denunciar a suspeita às autoridades e buscar um atendimento médico e psicossocial humanizado para as vítimas. Em caso de qualquer suspeita de abuso sexual de crianças e adolescentes, denuncie!” -Reitera a psicóloga Patrícia. 

 

No Brasil e no mundo todo, todos os dias milhares de crianças sofrem vários tipos de abusos diferentes, independente de idade e sexo.  Em alguns casos o abuso acontece  várias vezes seguidas, quando o agressor é alguém próximo ou alguém da família. Pois isso é mais real do que possamos imaginar.

 

Famosos vítimas de abuso:

 

-Evelyn Regly:

A Youtuber e também digital influencer Evelyn Regly, há seis meses compartilhou com seus fãs e seguidores, através de um vídeo publicado em seu canal no youtube, que foi vítima de abuso durante sua infância. A youtuber inicia o vídeo dizendo:

“Eu já falei de vários  assuntos polêmicos aqui no canal, o problema que tive com meu silicone, na minha cirurgia que ficou nove meses para fechar, as perdas que tive dos bebês, diversos assuntos polêmicos aqui que são difíceis de você tratar, as minhas cicatrizes também que fiquei após o problema que tive com a cirurgia, mas acho que nenhum vídeo foi tão difícil como esse para gravar, porque mexe com meu passado, mexe com coisas que eu já passei.[...]” 

 

Evelyn explica que lembra de todas as coisas que aconteceram com ela, e que teve problemas, principalmente quando foi ter sua primeira relação sexual, com o fato de o namorado a toca-lá, teve aversão, nojo, que com o tempo ela foi vencendo, fez terapia. Mas deixa claro que três coisas a fizeram gravar o vídeo:

  • Alertar os pais: “Para que isso não venha acontecer com seus filhos, para que vocês os protejam, pois talvez vocês façam coisas que sejam inocentes, mas que podem os prejudicar.

 

  • Maio Laranja: Fiquei sabendo dessa campanha de conscientização, e pensei em falar sobre isso para não deixarmos de proteger nossas crianças e adolescentes, porque isso trás um trauma para o resto da vida. Hoje tenho 36 anos e eu não esqueço, lembro de tudo.

 

  • Uma forma de libertação: É uma forma de me libertar disso, a muito tempo isso fica comigo como se fosse uma coisa presa dentro do meu peito. A minha esperança é que isso passe.”
 

Confira tudo que a Youtuber e influencer compartilha sobre o ocorrido. 

 

-Fabiola Melo:

A Youtuber e digital influencer cristã Fabiola Melo, já abordou e fez diversos vídeos para o seu canal, com a temática: “Abuso sexual, assédio, estupro e violência contra a mulher”. Inclusive escreveu um livro sobre o tema. Mas há um mês, com a repercussão do caso da Mariana Ferrer, a youtuber voltou a gravar mais um vídeo relatando detalhes de como ocorreu o abuso que sofreu.

“Esse vídeo não se trata a respeito de uma opinião sobre o caso. Esse vídeo é para todas as vítimas de abuso sexual, assédio, estupro e que em algum momento acharam que a culpa é delas.” - Inicia a influencer. 

 

Fabíola deixa claro que não há uma justificativa para o abuso, não é sobre roupa ou maneira de se vestir, não é sobre estar ou não alcoolizada, não é sobre o lugar em que você está.

“Meus pais são pastores, cresci a vida inteira na igreja, com uma roupa normal, eu era criança quando um cara passou a mão em mim. Então no meu caso qual seria a justificativa ? O que foi que eu fiz ?” - Indaga Fabíola. Toda vítima carrega uma culpa, você pode desenhar para ela que a culpa não é dela, ela sempre vai achar que de alguma maneira poderia ter evitado. 

 

“Quanto menos a gente falar, menos a gente se prepara para isso, menos a gente protege a próxima geração” - Desabafa a youtuber

 

Confira na íntegra o vídeo em que a Youtuber relata detalhes de seu abuso. 

 

 

 

 
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