07/01/2021 às 14h32min - Atualizada em 07/01/2021 às 14h31min

A Inclusão de pessoas com deficiência na sociedade

Pelo menos 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência. Isso representa quase 25% da população

Por Ynara Mattos - Editado por Camilla Soares
Ana Bracarense; Luz María e Rodolfo Sonnewend.
Foto: Site Calendar

Atualmente, no Brasil há milhares de pessoas com algum tipo de deficiência, em busca da inclusão social e no mercado de trabalho. Infelizmente ainda existe quem acredita que, o fato da pessoa possuir alguma deficiência, ela se torna incapaz de fazer as mesmas coisas que uma pessoa não deficiente faz. Na verdade na maioria das vezes é um “MITO”. Fazendo assim, com que aconteça discriminações e preconceitos.

 

De acordo com o Site G1, pelo menos 45 milhões de brasileiros têm algum tipo de deficiência. Isso representa quase 25% da população, segundo o último levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

 

As pessoas que possuem algum tipo de deficiência (seja ela qual for), não é menos humano, por isso, uma deficiência não torna a pessoa, um ser incapaz de fazer o que quiser pelo simples fato de ser assim, ninguém escolhe ser deficiente. O ser humano não nasce apenas para existir, mas sim para “Coexistir”, afinal, ninguém existe/vive em mundo sozinho. Vivem em uma sociedade, e as pessoas com algum tipo de deficiência fazem parte dessa sociedade, elas não são menos úteis por terem uma certa limitação. Ao longo dos anos a luta pela inclusão tem se tornado diária.

 

Entenda as diferenças entre: Exclusão, Segregação, Integração e Inclusão:

 

Exclusão:

 

É um processo que se caracteriza pelo ato de “excluir” de gerar o afastamento de alguém ou de um grupo, pelo fato de pertencerem a uma certa minoria (raça, gênero, deficiência, ou qualquer outra condição que os torne minoria). E isso acontece desde a antiguidade. Durante o período da segunda Guerra Mundial os nazista utilizavam uma fita azul, prendendo nos braços, para diferenciar as pessoas que possuíam algum tipo de deficiência. (Veja mais detalhes clicando no link dessa matéria, falando sobre a comunidade surda). 

 

Segregação: 

 

A segregação possui semelhança com a exclusão, o ato de segregar faz com que a pessoa seja afastada/isolada da família ou do convívio social, também ocorre pelo fato de a pessoa fazer parte de uma certa minoria (raça, gênero, deficiência…). 
 

Exemplo disso é o “Apartheid” ocorrido no século 20 na África do Sul, um movimento de segregação racial, onde os negros não poderiam exercer os mesmos direitos que os brancos, desde direitos básicos ao convívio social, como: Estar em restaurantes, praças ou lugares públicos. Todos os direitos dos negros passaram a ser determinado pela lei do “Apartheid”

 

Segundo o Blog Eureca: “A segregação ocorre também no mundo corporativo, quando alguns colaboradores trabalham em ambientes separados ou simplesmente não possuem o mesmo acesso e direitos que os demais membros da empresa. Essa separação também fica nítida quando pessoas diversas não são promovidas ou contratadas para cargos de liderança, deixando evidente essa divisão nos níveis superiores.”

 

Integração:

 

Integração ainda não é inclusão, é como se criasse um grupo dentro de outro já existente. No caso os deficientes passam a conviver com as pessoas não deficiêntes, mas ainda não de forma inclusa. Por exemplo:

Uma empresa contrata uma Pcd (pessoa com deficiência), ela irá trabalhar normalmente interagindo com todos, porém ao invés de a empresa dar total apoio e gerar uma acessibilidade para essa pessoa, acontece ao contrário, a pessoa que tem que se adaptar às normas e a cultura da empresa, de modo que a empresa não seja afetada pelo seu trabalho. A integração não preza pela igualdade, mas sim pela convivência mesmo com as diferenças. 

 

Inclusão:

 

A inclusão busca combater a exclusão, tem o objetivo de gerar acessibilidade e preza pela igualdade, onde todos possam conviver normalmente independente da sua classe social, gênero, raça ou deficiência. Diferente da integração, que busca a convivência mesmo com as diferenças, a inclusão veio para mostrar que as diferenças das pessoas não são fatores que as torna inferiores ou incapazes.




 

 

“Fazer as pessoas que não tem deficiência virarem deficientes por 1 dia, 1 semana e até 1 mês. Realizar treinamentos, campanhas de conscientização através de palestras e conviver com PcDs, não somente conviver, mas conversar, ajudar e também pedir ajuda. As pessoas têm de ser vistas não pela sua deficiência, mas sim pela sua capacidade de trabalhar na empresa, de conviver em sociedade. Às vezes uma PcD sabe fazer/desenvolver melhor uma determinada atividade do que uma pessoa que não é PcD, basta dar oportunidades. Quando alguém for analisar um currículo, não veja se é ou não PcD, mas sim veja suas formações, suas graduações e principalmente olhar sua competência (qualidades, potenciais, habilidades)” - Desabafa Ana Bracarense, Deficiente e CEO da Click Consultoria e especialista em Pessoas com deficiência (PcD).

 

Ana explica ainda:
 

“Um dos maiores desafios que um deficiente pode enfrentar ao ingressar no mercado de trabalho é a antipatia (não se colocar e não compreender o próximo), convivência dos funcionários não PcDs com os PcDS. Outro desafio é o líder saber conversar/escutar a PcD e dar opções de caminhos para que ela decida o que é melhor para ela. Muitos líderes, gestores, supervisores têm medo/receio de falar diretamente com as PcDs (com isso enviam recados por terceiros) e isso não é bom.”

 

“Às vezes as PcDs que têm uma deficiência leve (imperceptível a olho nu) sofrem mais do que uma PcD que é visível. Já passei e ainda passo por muitos preconceitos. ex: Acontece de Agentes da autoridade de trânsito querer me multar, por não perceberem que possuo deficiência (porém meu carro possui adesivo, cartão do Detran e tem o laudo comprovando minha deficiência). Meu acelerador é no pé esquerdo e no volante é acoplado um pomo giratório, para me auxiliar na direção do veículo. Nas filas de loteria, de supermercado (as pessoas ficam olhando e comentando que eu estou na fila errada, até mesmo a própria funcionária fala), tenho que explicar e contar meu acidente, relatar que com a minha deficiência possuo apenas 50% da coordenação do lado direito, mostrar o que sofri, como sofri, para que as pessoas parem de me questionar. São as piores situações que já passei na vida, além da discriminação no olhar ou na não ajuda de pessoas. Porém eu já encontrei algumas pessoas, de bom coração, que me ajudaram e ajudam até hoje.”


 


Aplicativos que promovem a inclusão:

 

Hand Talk:

 

No ano de 2008, durante um projeto da faculdade, Ronaldo Tenório (Hoje Publicitário e CEO da Hand Talk), percebeu que poderia unir suas duas paixões, a tecnologia e a comunicação, para resolver um problema global e ajudar milhões de pessoas. O projeto consistia em um aplicativo que pudesse auxiliar a comunicação entre a comunidade surda e os ouvintes. Porém ficou guardado por quatro anos, até que ganhou cara e corpo, e em 2012 quando Ronaldo e dois amigos, hoje seus sócios, Carlos Wanderlan (Analista de sistemas) e Thadeu Luz (Arquiteto especialista em 3D), se juntaram para colocar a mão na massa, apresentando a solução em um desafio de startups do qual saíram vitoriosos. Ali nascia o Hand Talk e o seu líder Hugo. 

 

Com mais de três milhões de downloads o aplicativo Hand Talk, funciona como um tradutor de bolso, traduzindo texto e voz para libras (Língua Brasileira de Sinais), através de um boneco em 3D chamado Hugo, e conta com a seção educativa “Hugo Ensina”, onde possui uma série de vídeos em que o personagem ensina sinais e expressões faciais em libras. O app é gratuito e está disponível para download nos sistemas android (na Play Store) e iOS (na App Store). Em 2018, a marca adquiriu o aplicativo ProDeaf, que era seu principal concorrente na tradução para libras. 



 

VLibras:

 

É um conjunto de ferramentas que podem ser usadas em sites, smartphones, tablets e notebooks, com o objetivo de realizar a tradução do português para a libras. O VLibras é fruto de uma parceria do Ministério da Economia (ME), por meio da Secretaria de Governo Digital (SGD) e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB). 

 

Luz María Romero, Gestora do Instituto Buko Kaesemodel e idealizadora do programa: “Eu Digo X”, compartilha:
 

“O Programa Eu Digo X tem como objetivo difundir informações sobre a síndrome do x frágil, ampliando o conhecimento e sensibilizando a população, além de promover o apoio e auxílio nos processos de prevenção, rastreamento, diagnóstico, educação, inclusão social e amparo legal, pleiteando parcerias com a sociedade pública e privada. Hoje, temos cadastrados no programa 695 famílias de todo o país, com um total de 1028 pessoas”.

 

O Instituto Buko Kaesemodel é uma entidade sem fins lucrativos que tem por objetivo promover ações beneficentes relacionadas à assistência social, saúde, educação e meio ambiente. Sua visão de futuro é contribuir com a construção de uma sociedade menos desigual, possibilitando a melhoria da qualidade de vida das pessoas, baseando-se no respeito à vida, solidariedade e ética. Em maio/2007, Orlando Otto Kaesemodel Filho, o Buko fundou o Instituto, com o objetivo de desenvolver e centralizar as ações. Desde sua fundação em 10/05/2007, o instituto vem realizando várias ações em benefício a entidades, com doações de alimentos, medicamentos, utensílios domésticos, brinquedos, materiais de construção entre outros. Em 2016, abraçou o Projeto Eu Digo X, que tem por objetivo auxiliar e apoiar as pessoas afetadas pela Síndrome do X Frágil e seus familiares.

 

A Síndrome do X Frágil é uma afecção genética ainda pouco conhecida e difundida, que afeta o desenvolvimento intelectual, o comportamento, e provoca atrasos na fala. É causada por uma mutação em um gene (FMR1) que inibe ou reduz a produção de uma proteína (FMRP) essencial para o desenvolvimento do sistema nervoso e de várias funções cerebrais. Estudos indicam ser a causa hereditária, a mais comum de deficiência intelectual, e muitas vezes pode estar associada com o autismo.

 

 “O Eu Digo X surgiu em 2014, através das irmãs gêmeas, Rafaella Kaesemodel e Sabrina Muggiati. A iniciativa nasceu com a experiência de Sabrina com o filho caçula (hoje com 16 anos), que foi diagnosticado aos 8 anos de idade com uma condição genética hereditária que causa atraso intelectual e limitações comportamentais, conhecida como Síndrome do X Frágil.” - Explica Luz. 

 


O Instituto Humanos criado em 27 de outubro de 2017, é uma organização multidisciplinar de terceiro setor, que reúne empresas, funcionários, empresários, investidores, professores e estudiosos com foco no desenvolvimento de processos de acessibilidade, através de soluções em "Design Universal” na estruturação de projetos de consultoria e startups, para o público da diversidade assistiva.

 

Rodolfo Sonnewend, Fundador do Instituto Humanos e Idealizador do projeto “Transparent Masks” afirma: 
 

“O propósito o do instituto Atender o público da diversidade assistiva com o objetivo de criar ferramentas e ambientes inclusivos com responsabilidade social, legal, mercadológica e econômica a fim de criar soluções que atendam a todos, independente de serem portadores de necessidades especiais ou não, como as máscaras transparentes (Transparent Masks) que além de atender o objetivo inicial, devolveram a auto-estima com a possibilidade de proteção permitindo o uso de maquiagem, possibilitam a identificação facial e a comunicação entre as pessoas  dentro do conceito do Design Universal ou Design para todos. Acreditamos que se seguirmos estes conceitos, TODAS as pessoas serão beneficiadas naturalmente; tornando o mundo menos complicado e mais inclusivo.”

 

O objetivo principal das máscaras transparentes é facilitar a comunicação das pessoas que se comunicam através da leitura labial, e dos surdos que se comunicam através de libras e expressões faciais. Mas ao decorrer do caminho percebeu-se que poderiam atender os mais diversos segmentos: vendedores, empresas, porteiros, recepcionistas e até devolver a vaidade, possibilitando o uso de maquiagem e a comunicação eficaz e a identificação facial para as câmeras dos estabelecimentos.

 

“A ideia das máscaras transparentes surgiu através da necessidade de uma veterinária que é deficiente auditiva, mas que não transparecia por conta de sua alta capacidade de comunicação através da leitura labial e expressões faciais que teve o seu atendimentos dificultados com as máscaras de tecido, que deixam apenas os olhos para fora forçando-a a buscar uma alternativa para conseguir atender seus clientes. Diante do relato dessa necessidade, surgiu a ideia de criar uma máscara transparente, com preço acessível, para que atendesse a essas necessidades.” - Reitera Rodolfo. 

  

 


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